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20 inacreditáveis apresentações na Eurovisão II

Segue a contagem das mais inusitadas escolhas que países da Escandinávia ao Cáucaso fizeram para se apresentarem à maior montra europeia de música – o Festival da Eurovisão.

Holanda, 1966

Milly ScottFernando & Filippo

http://www.youtube.com/watch?v=LH6cTuYbz6c

O palco da Eurovisão 1966, que aconteceu no Luxemburgo, é emblemático e reconhecível, muito por se assemelhar a um átrio de um shopping dos anos 80. A escadaria pequena e a espécie de espanta-espíritos que ilustravam o pequeno espaço são altamente distrativos de todas as canções, mas Milly Scott da Holanda conseguiu que todas as atenções se concentrassem em si. Quando a canção é anunciada, surgem apenas o maestro e dois guitarristas vestidos com trajes mexicanos – Fernando & Filippo é uma paródia do cancioneiro do México – e só depois é que Milly Scott surge a saltitar pelos degraus, cantando o refrão orelhudo da canção: “tong-ki tong ti-ki kong-kong-kong“. A saída de palco de Milly, segurando os fios do microfone enquanto subia novamente de costas a escadaria do palco, tornou-se um momento muito recordado em celebrações eurovisivas, mais do que o fator realmente histórico da canção – Milly Scott foi a primeira intérprete negra a cantar na Eurovisão, e a Holanda acusou a Europa de racismo quando a canção não foi além do 15º lugar. Em 1967, Portugal enviava Eduardo Nascimento, o primeiro homem negro a cantar na Eurovisão.

 

  • Israel, 2007

TeapacksPush The Button

http://www.youtube.com/watch?v=424dX16SObQ

Quando os países decidem cantar na Eurovisão sobre a sua história (e Portugal fá-lo constantemente), raramente escolhem situações em tenham ficado mal na fotografia, ou fazem sequer alusão a algo que o resto do mundo não goste especialmente. É meritório, por isso, o arrojo dos israelitas quando escolheram Push The Button, dos Teapacks, para representar o país na Finlândia – uma canção com múltiplas referências a ataques com mísseis, massacres, cargas policiais e holocaustos nucleares. Os constantes conflitos dos israelitas com a Palestina não foram dissociados do tema, e o país anfitrião pediu mesmo que a canção fosse excluída. Os Teapacks acabaram por atuar, mas ficaram-se pelas semi-finais, não indo além do 24º lugar.

 

  • Eslovénia, 2002

SestreSamo Ljubezen

http://www.youtube.com/watch?v=pr9Pr3GRBA4

O travestismo teve o seu momento de glória na Eurovisão com a vitória de Conchita Wurst em 2014, mas apesar do espanto que causou, não foi a primeira vez que um homem vestido de mulher tentou encantar a Europa. Em 2007 a Dinamarca tinha levado Drama Queen, o primeiro ato travesti eurovisivo a solo, mas quem abriu as portas do drag foi a insuspeita Eslovénia, com o trio Sestre. Vestidos de hospedeiras, três homens cantaram sobre a simplicidade do amor – “Só Amor“, diz o título – numa canção extraordinariamente inclusiva, sem ser literal. No fundo, a letra diz que aquele amor não é um pecado, para que se olhem nos olhos e descubram quem verdadeiramente são, apesar de ainda o negarem. Cantiga de três bandidas que ficou em 13º lugar, num ano em que a canção vencedora tinha uma mulher vestida de homem.

 

  • Alemanha, 2009

Alex Swings Oscar Sings!Miss Kiss Kiss Bang

http://www.youtube.com/watch?v=OiKlzdoa78M

Em 2009 a Alemanha decidiu escolher sem recurso a festival nacional o seu representante em Moscovo, numa tentativa de escapar à crise de maus resultados nos anos anteriores, e a escolha recaiu sobre o jazz – escolha pouco original, já que dois anos antes a Alemanha tinha levado um jazz sobre a maneira como as mulheres dominavam o mundo (já Angela Merkel liderava o país). Desta vez, a apresentação queria ser mais arrojada e além de troncos nus e muitas bailarinas burlescas, a modelo americana Dita Von Teese foi convidada para ir fazendo um strip softcore ao longo da canção. Os russos, que organizavam o festival, gostaram pouco da ideia, e só permitiram que Von Teese aparecesse no final, já sem tirar peças de roupa. A apresentação alemã teve que acatar a decisão, e na transmissão televisiva assiste-se ao embaraço de todas as câmaras evitarem a modelo, que ia tirando a roupa num sofá de cabedal, em forma de lábios. Só surge mesmo no final, anunciada em letras garrafais, num dos grandes momentos da noite. A canção era a favorita da crítica nesse ano, mas ficou no fundo da tabela, no 20º lugar. Os alemães venceriam no ano seguinte, sem artifícios, apenas com uma rapariga em palco.

Até sexta-feira, há mais 12 canções que fizeram história para descobrir.

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