Jacco Gardner

Jacco Gardner no Musicbox: uma viagem à floresta encantada

O holandês Jacco Gardner regressou no sábado à noite ao Musicbox Lisboa para apresentar o radiante Hypnophobia e levar-nos num belo passeio por uma floresta.

Em fevereiro do ano passado, quando Jacco Gardner subiu ao palco do Musicbox, Lisboa estava invernal e chuvosa. Levou chapéu na cabeça e ocupou-se sobretudo das teclas. Tocou essencialmente temas de Cabin of Curiosities, o disco que o lançou da Holanda natal para o mundo. A seus pés deixou uma plateia, maioritariamente jovem, em transe alucinante com as suas músicas e com as projeções de que se fez acompanhar.

Desta vez, Lisboa estava quente, muito quente, e Jacco não levou chapéu e deixou os teclados para se ocupar da guitarra acústica. Brindou-nos com os  temas do novo disco, Hypnophobia, que, ao contrário do que o título possa sugerir – é um disco bastante luminoso, límpido e até pueril.

Gardner, multifacetado autor e compositor de formação clássica, fez-se acompanhar em palco por mais quatro brilhantes músicos – Ben Rider na guitarra elétrica, Frank Maston nos teclados, Jasper Verhulst no baixo e Nic Niggebrugge na bateria – que o apoiaram na viagem à floresta encantada de Hypnophobia, disco onde o holandês retoma as influências que marcaram o seu primeiro disco.

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Estão lá os Zombies, Syd Barret, The Beach Boys mas acrescentam-se outras sonoridades à sua narrativa musical. A revisitação ao passado passa pela pop barroca, encontra-se com a pop psicadélica e enleia-se numa eletrónica retro-futurista que se reflete sobretudo nos momentos em que a banda se lança na exploração livre dos seus instrumento, estendendo os temas numa jam alucinante, como aconteceu em músicas como Another You, Chameleon ou Where Will You Go.

Mas essa não é a regra de jogo. Jacco e os rapazes estão, regra geral, de olhos bem abertos, sem medos, sem pesadelos e a dar a conhecer de peito aberto os seus sons límpidos, claros e crus, construindo com eles um momento de introspeção e partilha destemida.

Tímidos, mas bem dispostos e em sintonia com o público, os músicos foram conduzindo a viagem que se fez equilibrada entre os temas dos dois registos de originais e onde brilharam a homónima Hypnophobia, Clair de Air (que recebeu a primeira grande ovação da noite), Puppets Dangling ou Face to Face, tema mais folk e ingénuo, e um dos mais interessantes do novo disco.

Para o encore ficou reservado uma das cações do outro projeto de que Jacco faz parte, The Skywalkers e o primeiro single disco que aqui apresentou, Find Yourself, o revigorante tema para fazer frente ao resto da tórrida noite que terminaria com o Dj set do próprio Jacco Gardner noutro clube ali perto.

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