Muito mel, muita casca grossa e muitos braços no ar para acompanhar Kura. A última noite da SAL’15 fez com que houvesse uma verdadeira enchente no Salódromo.

Sábado não foi definitivamente dia que desse para chegar tarde ao recinto. Foram milhares as pessoas que quiseram marcar presença no último dia. E, lá está, com o passar das horas, o tempo de espera para entrar no Salódromo também foi aumentando.

Tiago Bandeiras, DJ residente no MAIN Lisboa, assumiu o seu lugar no palco e começou a preparar a noite, que se avizinhava longa. Recorrendo a músicas como Sex on Fire, dos Kings of Leon, Intoxicated, de Martin Solveig, conseguiu ir juntando a multidão à frente do palco, que acompanhou com entusiasmo a música Shots, dos LMFAO.

Sem grandes pausas para descanso – afinal, havia horários para cumprir – Van Breda rapidamente ocupou o lugar de Bandeiras. “Vamos começar com reggae”, dizia. Do reggae e de dancehall rapidamente se passou para outros campos, onde até houve espaço para a Senhorita, dos Kalibrados, ou Loose Yourself, de Eminem. Um set muito diversificado e com boa resposta do público.

Mas a última noite mágica pedia Mr Magic. Nelson Freitas pedia desculpa pelas suas dificuldades em falar português, enquanto dizia que estava em casa. Nada mais adequado do que Something Good para começar, ou não fosse o refrão do tema “This could be the start of something good”. E foi mesmo. Nelson Freitas dizia que tinha surpresas preparadas: uma delas foi a companhia de Djodje, que já tinha estado presente no primeiro dia da SAL. Desde temas mais antigos, como Atira Água ou Assumir Barulho, o apogeu estaria na já previsível Bo Tem Mel. A destacar: nem o remix de Hardwell de Cre Sabé, que tantas vezes foi ouvido em 2008, foi deixado de fora.

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Entretanto, apagam-se as luzes apagam-se, ouve-se uma batida familiar e “Catujal, stand up”. Era hora de Regula, depois de três dias de “aquecimento”. Tudo começou com Nasty, do novo álbum, acompanhado por um coro de milhares de pessoas. Seguiram-se Casca Grossa, W.O.M.B, Gana e Berço d’Ouro, misturando músicas do álbum Gancho com os temas mais recentes. À semelhança daquilo que aconteceu no ano passado, também Vanessa ou Veecious V fez a sua interpretação de Solteiro – que parece soar cada vez melhor. Para terminar, “vou pedir-vos ajuda, pela primeira vez hoje”, dizia Regula. Passados alguns segundos, ouviam-se gritos e os versos de Casanova ecoavam no recinto. Infelizmente, só ficou a faltar Mêmo a Veres. Quem estava mesmo à espera desse momento, teve de contentar-se em ouvi-la noutros cantos do Salódromo.

Regula

Poderia ser “cinco da manhã, perdi a noção”, mas não. O relógio marcava poucos minutos depois das três da manhã e era hora do número 42 do top dos melhores DJs do mundo, eleito pela DJ Mag. Fogo, muitos braços no ar e ainda uma grande quantidade de energia para gastar. O pó do recinto teimava em não dar tréguas, mas isso não era grande preocupação para os estudantes. Com algumas novidades para apresentar em Lisboa, Kura usou êxitos bem conhecidos, como Summer, de Calvin Harris, uma mistura mais animada de Love Me Like You Do, de Ellie Goulding, ou até o clássico Can’t Stop, dos Red Hot Chilli Peppers. Para terminar, a mais recente Collide entoava no Salódromo.

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Para os mais resistentes, nem o final da atuação de Kura era sinónimo de ir para casa. Afinal, a última noite mágica era para ser vivida ao máximo.

Fotografias de Catarina Veiga.