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Semana Académica de Lisboa – levantar poeira no segundo dia

Foi precisa muita energia para conseguir aguentar o segundo dia da Semana Académica de Lisboa. DJ Caianda foi o primeiro a pôr a plateia a mexer com um bom afro house, mas o pico de energia estava bem guardado para os Buraka Som Sistema.

Nunca a expressão “levantar poeira” fez tanto sentido. No segundo dia da SAL, o vento não deu grandes tréguas… e os pés dos dançarinos também ajudavam a levantar poeira. DJ Caianda foi o primeiro a abrir as hostilidades do segundo dia e a ter a difícil tarefa de afastar o público das barraquinhas das faculdades e fazer com que se concentrassem em frente ao palco. Mas, a pouco e pouco, lá foi conseguindo. O remix inteligente entre músicas bem conhecidas do público, com ritmos africanos à mistura, foi uma parte importante do trabalho. Em dia de apresentação do novo single Ta Ma Por (Maluco), a verdade é que não existia melhor local do que o Salódromo para fazer a apresentação da novidade.

Do programa para dia 14, sabíamos que o senhor que se seguia era Valete. Mas só para haver uma pequena surpresa, a organização optou por trocar a ordem das atuações e foram os Putzgrilla quem subiu a palco. Mais do que habituados a festas académicas, os Putzgrilla têm uma relação calorosa com a Semana Académica de Lisboa, onde há um ano fizeram a festa, quando o single Bunda ainda era muito recente.

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Desde então, houve mudanças – a frontwoman já não é a mesma – e foi lançado o single Whine. Talvez para chamar o público que andava disperso pelo recinto, os Putzgrilla “atacaram” logo com a prata da casa e não houve quem não gritasse “bunda no chão” ou “as patricinhas ficam loucas” a plenos pulmões. Se começar logo em força tem as suas vantagens na organização da setlist, também pode ter as suas desvantagens… Mas este não foi o caso: Hugo Rizzo e companhia percebem o que é que faz o público mexer – Numb, dos Linkin Park, ou Smells Like Teen Spirit, dos Nirvana, são sempre fórmulas de sucesso, como se pôde confirmar ontem à noite.

Para recordar, fica o momento quase de viagem no tempo até 15 de maio de 2014, dia em que os Rudimental DJ atuavam na SAL’14, pouco depois de Putzgrilla – Tell Me That You Need Me foi o tema escolhido para encerrar a atuação dos Putzgrilla na edição de 2015, mostrando que, mesmo passados dois anos desde o lançamento, o refrão com Ella Eyre continua a ter exatamente a mesma força. 06

As palavras são poucas para descrever o concerto de Valete. Tudo parece ser pensado ao pormenor – as animações projetadas no ecrã atrás do rapper, que encaixam na perfeição em cada um dos versos, são um dos exemplos. Ver um concerto de Valete é enriquecedor, muito pela força das mensagens e pela entrega com que cada verso é dito. Não são precisos grandes artifícios de luz ou mil mudanças de luz para ser uma grande experiência.

E a prova é A Mulher Que Deus Amou – o momento mais bonito do concerto. Com pouca luz, sem grandes distrações e uma interpretação arrepiante no final da música. Nem Roleta Russa conseguiu fazer concorrência àquele momento. Mas também não se pode negar que uma atuação de Valete não poderia terminar com outra música…

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É sempre interessante fazer um pequeno exercício durante um concerto de Buraka Som Sistema: olhar à volta e apreciar o magote de gente a mexer. Quem já viu alguma atuação de BSS vai perceber o sentimento. A energia de Kalaf, Branko, DJ Riot, Conductor e Blaya provavelmente poderia iluminar uma casa. Stoopid, Vuvuzela, Parede, Sound of Kuduro… uma lista infindável de sucessos que estavam na ponta da língua de centenas de estudantes. E também nos pés, já que eram muito poucas as pessoas que conseguiam estar paradas.

Infelizmente, já se sabe que quando é pedido às raparigas para subirem para as cavalitas do rapaz ao lado, durante um concerto de Buraka, é sinónimo de que o fim está próximo… É sempre altura de Voodoo Love, que na versão de estúdio tem a belíssima voz de Sara Tavares. Claro que ao vivo tem muito mais energia e é sempre uma boa fórmula para terminar a noite. Mas não deixa de ser um momento agridoce.

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Metade desta edição já está feita, mas ainda há muita coisa para ver: hoje é dia de D.A.M.A, Blasterjaxx e Van Breda. Vamos andar por lá, só para depois te podermos contar tudo. Temos mais fotos na nossa página de Facebook para mostrar.

Fotografias de Catarina Veiga. 

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