W-Magic

Casulo #32: Entrevista a W-Magic

O mês de maio é um mês de mais renovações para o Casulo. Esta é a primeira surpresa que tínhamos para te revelar: a partir de agora, a tua rubrica de Música de sexta-feira traz até ti entrevistas com artistas inovadores, potenciais novos talentos nos mais diversos géneros musicais.

Aos 27 anos, Isa Marques (o nome por detrás de W-Magic), afirma que faz isto porque gosta. “Quero viver a música e não viver da música”, adianta. Isa dedica-se à Música porque gosta e não pretende alcançar fama. Quer “…continuar a viver a música de forma pura”.

EF: Desde quando é que sentes uma paixão pela música?

W-Magic (W): Eu comecei pela poesia aos nove anos. Desde então que escrevo. Na música foi aos 16, há 11 anos.

EF: Porquê o nome W-Magic?

W: Por acaso isso é uma coisa que muita gente me pergunta ou não sabem. Há quem diga que é de “Woman-Magic” mas não é. Nas redes sociais sempre fui “Magic” qualquer coisa. Gosto de coisas místicas, e “Magic” faz-me lembrar coisas boas. O ‘W’ é apenas um ‘M’ ao contrário. E a minha música e as minhas letras são muito assim; ou muito boas, de amor, ou são de raiva e revolta, são um oposto. Portanto criei o ‘W’ como um oposto ao ‘M’, como se fosse um yin e yang.

EF: De onde vem a tua inspiração na hora de escreveres as letras das tuas músicas?

W: Vem de muitos sítios. Eu comecei em 2004, naquela época da adolescência, e então sentia as coisas de modo avassaladoras e muito intensas. Falo dos primeiros amores, os primeiros desgostos, as primeiras amizades rompidas, as primeiras boas amizades. Senti tudo isso à flor da pele. Para mim, a inspiração vem daí, de tudo o que se estava a passar e de tudo o que estava a sentir. Ao longo do tempo também surgiram livros que me inspiram, músicas que me inspiram, mas normalmente o que me inspira é aquilo que eu sinto e aquilo que sinto de forma muito intensa. Por isso é que muitas vezes escrevo coisas tristes, porque são as coisas que sinto mais intensamente. Parece egoísta, mas a alegria é algo que não tenho tanta necessidade de partilhar. Partilho mais a tristeza para o papel.

EF: Disseste há pouco que a tua inspiração vinha de momentos do passado. Arrependes-te de alguma coisa? Sabendo o que sabes hoje, farias tudo de novo?

W: Sim, eu não me arrependo de nada. Nós temos que errar. Se eu não errasse ali eu não estaria onde estou hoje. É claro que se acontecessem as mesmas coisas que me aconteceram hoje em dia, eu sei que agiria de forma muito diferente. Não me arrependo de nada, até porque se fiz o que fiz em determinado momento, foi porque não consegui fazer melhor. E eu vivo de consciência tranquila com esse lema; por achar que mesmo que tenha errado, errei porque com certeza que não ia conseguir fazer melhor.

EF: Quais são as tuas referências musicais?

W: Sam The Kid, os Mind da Gap e os Da Weasel até determinado ponto da carreira deles. Gosto também dos Dealema.

EF: Há alguma razão especial para a escolha desses grupos e artistas? É mais pelas letras ou pelas músicas em si?

W: Sim, é mais pelas letras. Por exemplo identifico-me bastante com o Reflect e com os Dealema. São letras mais fortes, mais poéticas. Também gosto das letras de um grupo do Porto, os Enigma. O rap é mais pelas letras e não tanto pela sonoridade.

EF: Já alguma vez te compararam com a Capicua?

W: Apesar de sermos as duas raparigas, há sempre alguma comparação. Mas acho que há uma fuga dessa comparação por sermos completamente diferentes. É a mesma coisa que comparares Sam The Kind e Mind Da Gap; não tem nada a ver. São estilos diferentes. Mas há sempre uma comparação, apesar dos estilos não terem nada a ver. O meu rap é mais poético, e a Capicua está mais inserida na cultura hip-hop.

EF: A 5 de abril lançaste o teu álbum de estreia, Bicho do Mato. Como foi a sensação de veres o teu álbum de estreia a ser publicado?

W: Eu senti mais a estreia da Máscara. Apesar de o Bicho do Mato ser um álbum, para mim foi-me igual. Não houve grandes diferenças entre a mixtape e o álbum, fiz quase a mesma coisa. Para mim a estreia foi a Máscara. Foi aí que senti um maior entusiasmo. Já o Bicho do Mato não me surpreendeu, porque o boom de entusiasmo já o tive na Máscara. Mas é claro que foi bom. Demorou dois anos a fazer. Demorou imenso tempo, nomeadamente com as colaborações que tiveram alguns atrasos, e o videoclip com o Valete. Quando saiu nem quis acreditar! Agora é ver como corre.

EF: Nesses dois anos de produção do disco, quais foram os grandes desafios?

W: O meu maior desafio é sempre encontrar beats, que eu sou muito esquisita com os beats. Talvez o videoclip tenha sido outro desafio, porque não estava habituada. Sempre estive um bocado “presa” nos videoclips, e naquele soltei-me imenso. Foi um desafio mas não fiz nada para isso, aconteceu naturalmente. Uma pessoa também vai evoluindo ao longo do tempo enquanto artista. Foi aí a maior evolução que notei, a nível do videoclip e da presença. Notei também uma evolução ao nível das letras; vagueava muito e agora escolho um tema e sigo esse tema.

EF: No teu álbum tens, como disseste, um tema em colaboração com o Valete. Como foi a experiência?

W: Foi espetacular. Para já porque é um outro nível. É uma expectativa e uma pressão muito grandes, e as coisas têm de estar mesmo muito bem feitas. E a nível musical foi uma evolução muito grande também porque senti como funcionava verdadeiramente a música. Antes era quase como uma brincadeira, e com ele é mesmo a sério. Ele leva aquilo mesmo a sério, é muito perfecionista, e eu vi com ele como é que as coisas funcionavam. Foi como subir um degrau.

EF: Com que outros artistas gostarias de trabalhar no futuro?

W: Já trabalhei com o Reflect e com o Diogo Piçarra. Gostava de trabalhar com os Ornatos Violeta. A nível de rap gostava de trabalhar com os Mind Da Gap, os Sam The Kid e o Royalistic, porque são para mim rappers de topo.

EF: Que planos tens para o futuro?

W: Quando entrei na música sempre disse que pararia quando tivesse o meu primeiro álbum. A música para mim é um hobby. Eu não me imagino a fazer disto vida, por isso é que nunca investi muito na música. Faço música porque gosto e faço música para mim. Fico muito contente quando as pessoas gostam, mas faço música para mim; escrevo porque vivo, porque sinto, e nunca pensei nisso muito seriamente.

EF: Achas que o público em geral ouve pouco rap/hip hop?

W: Acho que há 10 anos se ouvia mais. Quando tinha 15-16 anos ouvia-se muito rap. Foi aquela “bomba” do Boss AC, uma outra referência para mim. O Boss AC trouxe uma grande abertura para o rap em Portugal e toda gente o ouvia naquela altura. Eu lembro-me que na minha secundária toda a gente o ouvia. Sei que nessa altura se ouvia muito rap. Para além de rap também oiço outros géneros musicais, mas acho que está a crescer novamente. Agora não sei se é um rap de qualidade ou não. Mas agora é a kizomba que “está a bater”. Mas acho que há muita gente a ouvir rap; o público jovem gosta muito de rap.

Assiste já ao videoclip de Bicho do Mato, o tema que junta W-Magic, Valete DJ Ketzal. Trata-se do single homónimo do novo álbum de W-Magic. 

http://youtu.be/ha01Yvo4ju0

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