muzzley

StarUp. Muzzley traz para Portugal a Internet das Coisas

Na segunda edição da rubrica StarUp, o Espalha-Factos falou com Inês Raimundo, marketing e partnership manager da Muzzley. Esta recente empresa de origem portuguesa conseguiu iniciar uma companhia startup e contrariar o panorama económico atual através de ideias e propostas inovadoras. 

A Muzzley é uma plataforma da internet das coisas, composta por uma aplicação e pela cloud. A internet das coisas consiste em que todos os dispositivos (até cidades) estejam ligados através da internet, ou seja, conectados.  

Nesta aplicação vários dispositivos serão conectados na mesma app, permitindo resolver dois problemas fundamentais para o utilizador. Em primeiro lugar, com o desenvolvimento da internet das coisas e o investimento das marcas em aparelhos conectados, o utilizador teria de ter várias aplicações individuais para interagir com os diversos aparelhos e, para além disso, a Muzzley pretende oferecer ao utilizador todo a comodidade de não ter de estar constantemente a programar os seus aparelhos para determinadas horas e dias.

“Havendo só uma aplicação, queremos evitar que quando a pessoa tiver 20 ou 30 dispostos, cada vez que queira interagir tenha de dar um comando. Tem de tirar o telemóvel do bolso, desbloquear, abrir a aplicação. Por exemplo, se quisermos interagir com uma lâmpada conectada, temos de fazer uma programação e horário, o que faz com a que pessoa tenha de estar sempre agarrada ao telemóvel. A ideia do Muzzley é que a casa se possa adaptar ao utilizador.” , explicou Inês.

WP_Image 1

A ideia da Muzzley nasceu há dois anos e meio durante uma conversa casual entre dois amigos, Eduardo Pinheiro (CO e co-founder) e Domingos Pruges (CTO e co-founder). A ideia surgiu quando estavam  a ver televisão e pensaram que devia existir um interface no telefone para poder interagir com as mais variadas coisas. Contudo, hoje em dia, a ideia do Muzzley já é muito diferente e mais além do imaginado inicialmente. Por entre experiências e parcerias, como foi o caso do jogo chamado DRAW, desenvolvido pela Muzzley para a MEO, surgiu a oportunidade de irem até Silicon Valley, onde se aperceberam do verdadeiro potencial da aplicação que tinham criado.

Neste momento, a Muzzley só funciona com os aparelhos que estão disponíveis no site, mas Inês faz questão de frisar que todo o website e a própria aplicação estão em processo de desenvolvimento. Neste momento, o sistema inteligente já consegue mostrar as ações realizadas pelos equipamentos conectados, porém ainda não consegue fazer sugestões. Contudo estas sugestões não vão ser baseadas meramente num padrão de utilização, e Inês explica melhor: “A ideia é que a aplicação entenda se interessa executar determinado padrão de utilização em diversas situações como: estou fora do país e a app deteta-o. E aí pergunta se mesmo assim quer realizar determinada ação. O que quer dizer que é possível criar regras causa-efeito, a partir dos momentos em que há uma ação num dispositivo há uma resposta de outros”.

WP_Image 4

Para tal, a empresa pretende criar um sistema inteligente, cuja versão BETA estará disponível em meados de outubro, que permitirá que o utilizador interaja com os seus dispositivos através do padrão das suas utilizações. Assim, “a app vai aprender com o padrão de vida do utilizador e vai começar a enviar sugestões e ele só tem que escolher sim/ não/ ignorar”. Este sistema de conexão funciona através da integração de uma marca exterior através da API (aplication programable interface), ou seja, o protocolo que a marca faz para que esteja disponível na aplicação. Neste ponto, o papel da partenership manager é muito importante já que é responsável por explicar o valor que a Muzzley pode trazer para as marcas e, por sua vez, ao utilizador, reunindo as APIs necessárias para que o serviço seja cada vez mais completo.

Quando questionada sobre os principais consumidores, Inês aponta para os EUA e que, por isso, também a maior parte das marcas integradas são americanas. A procura a nível nacional é totalmente distinta da nos EUA e explica porquê: “Os EUA são muito maiores, há mais empresas, e é natural que as coisas comecem aqui a crescer. E aqui onde nós estamos principalmente, Silicon Valley, onde aplicações para a internet das coisas aparecem uma por dia. E portanto o ecossistema está muito mais desenvolvido aqui nos EUA, em especial nas grandes cidades de tecnologia como Boston, San Francisco. Nós continuamos interessados no mercado português, a procura não é tão grande para já. E queremos ser líder no mercado, e por isso também vamos querer sê-lo em Portugal.”

A longo prazo, o principal objetivo é tornarem-se a “Number One App” dos utilizadores quando interagem com os seus dispositivos conectados. Portugal mostra-se um mercado mais complexo de penetrar, dado que o interesse da aplicação surge apenas se os utilizadores já tiverem um, dois ou três dispositivos que se encontraram conectados. “A ideia é nós integrarmos com o maior número de marcas possíveis. Mas têm de estar conectados à internet, senão não podemos fazer nada. Se eu vir que 80% das pessoas compra lâmpadas X, eu vou estar mais interessada em fazer uma parceria com essa empresa”, acrescenta Inês.

WP_Image 6

Por fim, perguntamos se julga que este será o futuro da tecnologia, ao que Inês não hesitou na sua resposta. “Eu entendo que exista determinadas pessoas céticas relativamente a isso. Nós próprios, como trabalhadores do Muzzley, percebemos que às vezes as pessoas se quiserem usar um serviço destes vão ter de dar informações do seu lado. Da mesma maneira que damos informação no Facebook e no Twitter. É quase uma troca, eu estou a dar muito da minha privacidade, mas estou a receber um serviço que é útil e que eu gosto. E portanto a evolução natural das coisas é que as marcas queiram competir entre si e perceber que quem não tem objetos conectados fica deixado par trás. Sim, acho que sim, este é o caminho.”

A Muzzley já está disponível para Android, IOS e Windows Phone e não envolve custos nem para os utilizadores nem para os seus parceiros.

Mais Artigos
Alexa
Vendas de produtos ativados por voz crescem 61%