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IndieLisboa’15: o encerramento

A 12ª edição do IndieLisboa já terminou e, por isso, o Espalha-Factos faz um balanço de todo o festival. Passada quase uma semana e meia a resposta, tanto do EF como do público lisboeta, não podia ser mais positiva, saiba então porquê.

O festival de cinema independente colmata a programação com Força Maior, filme sueco nomeado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. A plateia aplaude, os créditos passam, as luzes apagam-se e a cortina fecha-se. O IndieLisboa’15 não deixou ninguém indiferente – pelo menos os amantes da 7ª arte – e assume-se cada vez mais como um dos mais importantes festivais de cinema não só de Lisboa mas de todo o país.

É esse potencial de crescimento que vi ao longo dos dias que fui redactor e espectador. O IndieLisboa promete transformar-se em algo mais do que já é, as suas secções competitivas demonstram cada vez mais qualidade e apenas comprova a excelência da equipa de programação, que planeia cada projecção ao mais ínfimo detalhe. O público é também ouvido e, ao contrário de muitos outros festivais portugueses, o IndieLisboa quer saber da opinião do mesmo. Não é uma mera sondagem ou completamente ignorado, ele é júri dos filmes a que assiste, há premiações para as escolhas da plateia.

indielisboa

Este festival assume-se cada vez como uma esperança também para o panorama cinematográfico português. Há secções apenas para filmes feitos em Portugal, filmes que nunca seriam projectados numa sala de cinema, de realizadores inexperientes e que procuram o melhor pontapé de saída para uma indústria bastante competitiva e empobrecida. O festival dá-lhes esse empurrão e tenta apoiar o talento que, de facto, existe em Portugal.

No final das contas, e depois de muita farra também, o IndieLisboa despede-se do seu público com um dos mais badalados filmes europeus do último ano. Uma avalanche ameaça destruir um restaurante nos Alpes franceses, mas quando nada acontece a acalmia parece voltar, mas a quase-tragédia deixa as suas mazelas numa família de turistas.

Força Maior – 7/10

Force-Majeure-family

Realizado por Ruben Östlund, Força Maior é um filme bastante peculiar. Uma narrativa que eclode graças a um desastre muito menos desastroso do que as pessoas podem pensar. Um acontecimento tão trivial mas que deixou grandes mazelas no seio de uma família cheia de problemas mas que, aos olhos de toda a gente, era aparentemente normal.

Este filme sueco, que seria nomeado ao Oscar de melhor filme estrangeiro caso essa categoria considerasse 6 nomeados e que teve bastante sucesso a nível internacional, foi o escolhido pela programação do IndieLisboa para encerrar o festival. A obra de Ruben Östlund pode não se ter revelado uma grande surpresa, mas serviu para o seu propósito: o de findar uma semana intensa de festival.

Além da incrível fotografia – a forma como a neve e os Alpes, no seu geral, foram filmados é de elogiar bastante -, da acutilante banda-sonora e das prestações dos actores principais este Força Maior anda um pouco à deriva na sua própria narrativa que, ao partir de uma premissa interessante, vê a mesma a esgotar-se com facilidade. O filme gira sempre em volta de uma certa acção passada no momento que parecia de iminente desastre e, como aconteceu nessa cena, a névoa da avalanche perdurou durante todo o filme, fazendo da narrativa algo meio amorfo e, por vezes, chato.

Força Maior tem as suas peculiaridades e assume-se como um boa tentativa de um olhar sobre os corriqueiros problemas familiares, até dos agregados que são perfeitos aos olhos de outros. Reflecte sobre os instintos humanos e de como a sobrevivência pode estar acima de tudo, até dos nossos mais fieis valores. Mas, e sem tirando todo o mérito que este filme tem, a narrativa poderia ter-se diversificado mais. Parece que houve um facilitismo ao manter-se focado sempre num determinado evento, tornando tudo muito insípido.

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