Mumford & Sons

“Wilder Mind” dos Mumford & Sons: banjo procura-se

O novo álbum dos Mumford & Sons saiu esta segunda feira (4), e intitula-se Wilder Mind. Trata-se de um disco que marca uma certa rotura com o estilo habitual da banda de Londres. Estará o grupo a entregar-se ao pop-rock mais mainstream, deixando para trás o regime folk com o qual tem conquistado milhares de fãs?

Quem tem acompanhado as últimas notícias sobre os Mumford & Sons sabe que este Wilder Mind  não conta com o famoso banjo (sabe mais aqui). Para além disso, o “novo” registo da banda está patente nos singles que foram lançando recentemente. Não se trata propriamente de um novo estilo musical adotado pelo grupo, até porque basta ouvir alguns temas do primeiro álbum para perceber que os Mumford já gravaram temas sem o famoso instrumento de cordas que os caracteriza.

Será isto um sinal de que o álbum não é assim tão bom quanto se esperava? Não necessariamente. O indie rock assenta bem na banda de Marcus Mumford, porém, paira uma certa ideia de que não voltará a produzir tão cedo canções mais viradas para o folk como I Will Wait, Babel, The Cave, e tantos outros.

O disco começa em beleza, com Tompkins Square Park Believe. A primeira música apresenta-se convidativa a este novo som trazido pelos Mumford & Sons, mostrando que o grupo mantém a qualidade de sempre. Num estilo rock mais ligeiro, a música prossegue naturalmente para Believe, um dos singles já revelados pela banda, e certamente uma das melhores faixas de Wilder Mind. É o tema perfeito para ajudar nos momentos mais difíceis; é uma música que transmite esperança. Num ritmo mais lento, Hot Gates é uma faixa que também se destaca positivamente das restantes por ser tão viciante!

The Wolf Snake Eyes destacam-se pelo seu ritmo mais acelerado e boa energia que transmitem; a primeira num registo inequivocamente indie rock, e a segunda com alguns pormenores de dream pop, um pouco mais evasivo e igualmente cativante. Consigo imaginar-me perfeitamente a caminho da praia no próximo verão ao som de uma destas músicas.

Os arranjos de guitarra mais bem conseguidos podem ser ouvidos nas faixas Just Smoke Cold Arms, provando assim que os Mumford & Sonsmesmo adotando este novo registo, continuam a demonstrar um enorme talento. Monster é a canção que se destaca pela boa vibe, ideal para ouvir ao fim do dia e relaxar.

Mas é ao ouvir músicas como Broad-Shouldered Beast que mais se sente saudades do som do banjo. Nota-se claramente que falta qualquer coisa na música para a tornar perfeita. Outro ponto fraco no álbum (e este é certamente o mais fraco) é a canção Wilder Mind. Consigo perfeitamente imaginar a cantora Taylor Swift com um tutu a passear entre os membros da banda. Penso que será escusado dizer porquê…

Only Love é certamente uma das músicas que me deixou mais surpreso. Mais de metade da música é calma e lenta, e do nada avança para um rock ritmado e chamativo para dançar!

Ditmas é uma música que me deixa um pouco confuso. Por um lado, é uma boa música, por outro não soa nada ao estilo Mumford. Deixo ao critério do leitor decidir se se trata de um ponto forte ou fraco do álbum.

Wilder Mind é um álbum surpreendente, uma vez que é o reflexo de uma nova fase na carreira dos Mumford & Sons. Porém, a ideia geral com que se fica do álbum é a de um som “desenxabido”, onde a banda só não se confunde com outras bandas da atualidade graças à voz inconfundível de Marcus Mumford.

Este é o alinhamento do álbum na versão deluxe:

  1. Tompkins Square Park
  2. Believe
  3. The Wolf
  4. Wilder Mind
  5. Just Smoke
  6. Monster
  7. Snake Eyes
  8. Broad-Shouldered Beast
  9. Cold Arms
  10. Ditmas
  11. Only Love
  12. Hot Gates
  13. Tompkins Square Park (Live)
  14. Believe (Live)
  15. The Wolf (Live)
  16. Snake Eyes (Live)

Nota Final: 8/10

Wilder Mind

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