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#EurovisãonoEF: A vez de Portugal

Maio já começou e aceleram-se os preparativos para as grandes noites em Viena. Como no Espalha-Factos somos pacientes, continuamos a avaliar canções, de cinco em cinco, até à semana de todas as decisões. Esta semana falamos de Polónia, Reino Unido, Roménia e Rússia, dando ainda especial atenção a Portugal.

Polónia

A participação do ano passado tem dimensões impossíveis de superar, mas Monika Kuszyńska quer construir, em nome do amor, pontes de tolerância. É uma balada e não tem muito que a distinga lírica ou musicalmente. A canção pode construir-se, no entanto, sobre a história da intérprete, que depois de ter ficado paralisada após um acidente automóvel, tenta agora recuperar a sua carreira musical.

http://youtu.be/4fjWLzeQ9K8
Reino Unido

Os Electro Velvet protagonizam uma investida que só podia ser britânica. A dupla formada por Alex Larke e Bianca Nichols traz uma canção que nos leva de regresso aos 1920s numa nave de arranjos eletrónicos. Chamam-lhe electro swing, mas isso é capaz de ser só uma desculpa para repetir a mesma melodia de 10 segundos durante a quase totalidade da canção. Depois da excelente canção de 2014, o Reino Unido não precisava de voltar aos anos de apostas esquisitas e feitas para ficar no fundo da tabela. Ao menos não é mais uma balada.

http://youtu.be/s6r1tUhl1cQ
Roménia

Os Voltaj são uma das bandas romenas há mais tempo em atividade e concorrem com um título bilingue à edição deste ano do Festival EurovisãoDe la capăt / All Over Again é um pop rock que não compromete nem surpreende. Pode sobressair pela mensagem da canção, que fala das crianças deixadas para trás pelas famílias que optam por sair da Roménia. O tema deverá cativar os votos da diáspora romena e das comunidades emigrantes de outros países do Leste, presentes em toda a Europa. Ainda que a forma como a banda se apresenta pareça um pouco datada, o staging escolhido pela TVR poderá fazer a diferença e trazer a performance para 2015.

http://youtu.be/WA3wOKHpzEU
Rússia

Uma das mais consistentes potências eurovisivas não deixa o nível baixar e envia uma grande intérprete com uma não menor canção. Na sua 19.ª participação, o país aposta forte na produção e A Million Voices está feita para ser um hino de impacto universal, mesmo que não reflita em nada a cultura ou a história russa.

Não podemos dizer que acrescente algo de diferente, principalmente se compararmos esta participação com aquelas que o país escolheu em 2014 e 2013, mas seria injusto dizer que é uma má canção. Polina Gagarina entrega o tema com impressionante carisma e energia, o que nos faz esquecer Putin durante quase três minutos. Ainda que possamos achar hipócrita que a Rússia envie, pelo terceiro ano consecutivo, uma música que apela à paz e à união entre os povos.

http://youtu.be/jBVY7Glcd84
Portugal

É importante fazer uma declaração de intenções: Foi a primeira vez desde que vejo o Festival RTP da Canção que fiquei inteiramente satisfeito com a canção vencedora. Mal sabia o que é que estaria para vir.

Na seleção nacional, ganhou uma canção pop-rock com inocência na composição mas muito potencial para se tornar audível pelo público em geral, até pelo carisma e simpatia da intérprete. Na versão final, o chamado Eurovision Mix, temos uma mistura azeiteira de eletrónica e coros irritantes que em pouco melhorou a canção e que até abafou a voz da cantora.

http://youtu.be/xsehr5lJJ_s

Passados os comentários de lamentação, destaco a simpatia da Leonor Andrade, e a forma autêntica como defende a canção, que tem sido absolutamente deixada ao abandono pela RTP. É possivelmente uma das músicas menos promovidas dos últimos anos e das que pior foi tratada na produção pós-festival. Mantém, no entanto, uma jovialidade e contemporaneidade que tem faltado às participações nacionais, que ou são temas épico-afadistados sobre o quanto desgraçadinhos nós somos ou canções a-tentar-ser-festivaleiras, mas cuja qualidade de produção remonta às melhores tendências dos anos 80.

Resta esperar que, ao vivo, a voz da Leonor se destaque mais que o mau instrumental e que a força da sua interpretação torne memorável uma canção que, na sua versão final, perdeu grande parte do impacto que teve na final nacional. Não seria nada mal pensado, nem um crime de lesa pátria, ter, pelo menos, um refrão em inglês. Fica a prece.

Recap da Semana

  • Itália, Suécia e Estónia lideram as votações dos fãs pertencentes à OGAE e também seguem taco-a-taco nas casas de apostas. Em Portugal, os admiradores do Festival escolheram a canção italiana como favorita, seguida de perto pela Noruega e por Espanha.
  • Foram conhecidos os júris nacionais que este ano vão votar no Festival da Eurovisão. Em Portugal, os escolhidos foram antigos participantes no concurso europeu e na final nacional (Festival da Canção): Adelaide Ferreira (ESC 1985), Inês Santos (ESC 1998), Renato Júnior (compositor da canção de Simone de Oliveira no FC 2015), Nuno Feist (compositor em 9 edições do Festival da Canção) e Gonçalo Tavares (FC 2015).
  • Måns Zelmerlöw foi descoberto pelo Buzzfeed e começou a fazer sucesso nos Estados Unidos da América.

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