À primeira leitura pode-se confundir Castello Branco com um xará seu português que, por acaso, também canta. Mas ouvindo a jovem promessa da nova música brasileira, rapidamente se percebe que não tem nada a ver. A propósito da sua mini-digressão por Portugal, onde apresentará Serviço, o Espalha-Factos teve a oportunidade de fazer algumas perguntas ao cantautor.

Viveu num mosteiro e isso só pode ter influenciado a sua música. Tocou com R. Sigma, lançou-se a solo e, aos 28 anos, tem os holofotes voltados para si. Habituado a servir o próximo, chamou ao seu primeiro disco Serviço, um registo íntimo que vai partilhar nas cidades por onde passará na próxima semana – Espinho, Coimbra e Lisboa. A propósito do que foi, do que é e do que será a música de Castello Branco, fizemos algumas perguntas ao jovem brasileiro.

Espalha-Factos – A participação no grupo coral do mosteiro onde foi criado foi uma profunda influência para o seu envolvimento com a música. De que forma essa experiência foi fundamental para o processo criativo?
Castello Branco – Com o coral obtive alguns entendimentos importantes. Um deles foi a música como uma plataforma para a voz ou mesmo para o que está sendo dito. O poder da voz, do coro. Tudo isso influenciou bastante meu disco.

EF – Depois de tocar com os R. Sigma lançou-se a solo. É muito diferente ter um projeto de banda e trabalhar sozinho. Quais foram as principais motivações?
CB – É verdade. É muito diferente. Foi gostoso entender que a partir daquele ponto, não precisava mais negociar minha arte. Isso me deixou bem feliz, disposto, seguro. Foi por isso que pude pisar de novo em uma parte da minha vida, até então, resguardada.
EF – Como foi o processo de composição deste disco?
CB – O processo foi desértico. Buscando sempre dentro de mim informações do período em que vivi longe disso tudo.

Castello Branco_Serviço

EF – É importante trazer o disco para os palcos?
CB – Sim! Para mim é como dar vida ao discurso do disco. Faço questão de colocar os sentimentos no palco e trocá-los ao vivo com o público.
EF – O que se pode esperar dos concertos?
CB – As canções do Serviço como elas foram feitas e uns sorrisos de acompanhamento.
EF – E o que Castello Branco espera dos concertos em Portugal?
CB – Transmitir e me conectar com o português no máximo do meu amor. Sendo grato a todo o espaço que me foi dado desde o lançamento do disco.


EF – Vai aproveitar para conhecer as cidades onde vai tocar?
CB – Estou ansioso pelo cheiro do país. Gosto de sentir o cheiro e imaginar um sabor. E sim, ficarei uma semana a mais para conhecer essa terra boa.

EF – Tem para si peso apelidarem-no de uma das maiores promessas da música brasileira atual? E perante isso, tem já um pequeno vislumbre, ou um desejo, do que se segue?

CB – Muita gratidão, muita. Tomara que isso me leve um dia a conseguir construir e sustentar uma linda família. Esse é o meu desejo.

Castello Branco atua no Auditório de Espinho a 8 de maio, no Aqui Base Tango em Coimbra a 9 de maio e na Casa Independente, em Lisboa, a 10 de maio.

Serviço está disponível para download gratuito na página oficial de Castello Branco.