The Magic Whip

The Magic Whip e a chicotada nostálgica de Blur

Há três anos, Under the Westway deixou água na boca, mas os Blur ouviram as preces dos fãs e juntaram-se para gravar um álbum de estúdio com os quatro elementos originais da banda, 16 anos depois de 13. Se muitas vezes estas reuniões dão resultados menos felizes, a recente carreira bem-sucedida de Damon Albarn parecia garantia suficiente para ficarmos otimistas.

The Magic Whip chega então influenciado pelo oriente metropolitano das gravações do grupo em Hong Kong, percetível pelos caracteres chineses na capa (que significam… Blur, Magic Whip!). Logo ao início é-nos dado a relembrar um pouco do que foi o britpop que lhes conhecíamos de há 20 anos atrás, com uma Lonesome Street jovem e despreocupada, tal como a voz de Graham Coxon, que volta a cantar um refrão depois de todo este tempo .

Mas não são só aqueles jovens britânicos posh que estão encarregues deste álbum. Logo a seguir New World Towers mostra um Albarn melancólico, inspirado pelo seu bipolarismo de viajante, à semelhança do que ouvimos no seu álbum a solo. A balada às torres de Hong Kong deixa no ar um piano moribundo, que pouco depois é executado pela guitarra corrosiva de Coxon em Go Out. Esta lembra o lo-fi do álbum homónimo de 97 e mistura sons agressivos, letras mais adultas e enigmáticas, com umas pitadas de oh ohs a temperar.

Mais umas melodias Albarnescas se seguem, mas em My Terracotta Heart o sentimentalismo do vocalista é acompanhado por uma agradável balada típica de Blur. Esta é um exemplo do ponto intermédio que foi encontrado pelos elementos da banda durante as suas curtas sessões de gravação. Esta receita é repetida em Pyongyang, uma música que cumpre a difícil tarefa de nos deixar presos a um sentimento de liberdade. Se estávamos a ficar demasiado filosóficos, não há problema, pois Ong Ong atira logo de seguida uns la la las para equilibrar a balança emocional do álbum.

The Magic Whip vai buscando assim sons de várias épocas, influências de vários locais e contributos de diferentes músicos da banda. Procura um equilíbrio difícil de alcançar com um álbum que, no fundo, não deixa de ser pop. No entanto, o génio musical de Albarn e de Coxon falam mais alto. O resultado é um CD que, apesar de não ser tão fácil de consumir como um Parklife, e de por vezes parecer ter duas faces distintas, quando olhamos para a moeda como um todo, a fusão faz todo o sentido. No fim, os britânicos conseguiram alcançar o que a maior parte das reuniões falha: produzir um som novo, diferente daquilo que a banda já fez e diferente do que o resto do mundo anda a fazer.

Nota: 4/5

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