Lisboa e Porto, duas cidades que desde sempre andaram em guerra. A menina e moça nunca foi à bola com o ar grave e sério da mulher do norte e vice-versa. O que vale é que lisboetas e portuenses acabam as discussões regionalistas num qualquer café da esquina a beber uma bela cerveja, ou se preferirem, uma imperial ou um fino, porque afinal de contas somos todos gente da mesma terra.

No primeiro sábado de cada mês o Espalha-Factos passa a ser o campo de batalha para um confronto mensal entre duas belíssimas cidades portuguesas. Nesta guerra de regiões, palavras, fotografias e vídeos são as únicas armas permitidas. A vitória!? Será decidida por ti através dos teus comentários.

No confronto deste mês são as bebidas regionais falam mais alto, é um confronto entre ginja e uva, entre a ginjinha e o vinho do Porto.

Ginjinha

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A ginjinha é um licor à base de ginja produzido em Lisboa, em Óbidos, em Alcobaça e no Algarve. Pode beber-se com ou sem “elas”, entenda-se, com ou sem ginjas no fundo do copo.

Acredita-se que a ginja chegou a Portugal no século XV, vinda diretamente da Ásia. A história do licor é incerta, mas vários relatos indicam que as classes burguesas já consumiam uma bebida semelhante à ginjinha desde o século XVII.

A ginjinha rapidamente se democratizou e começou a ser servida em tabernas um pouco por toda a cidade de Lisboa. O seu título de “bebida da cidade de Lisboa” deveu-se à popularidade que esta bebida alcançou junto dos alfacinhas por ser doce e barata. Hoje em dia, porém, encontra-se à venda em cada vez menos locais.

A Ginjinha, no largo do Teatro Nacional Dona Maria II, é, porventura, o espaço mais conhecido onde esta bebida é comercializada. Neste pequeno estabelecimento, que abriu portas em 1840, ainda se mantém a tradição: a ginjinha é servida em copos tradicionais e os donos perguntam sempre se é com ou sem “elas”. Acredita-se que segue a receita do frade da Igreja de Santo António que deixava fermentar as ginjas e depois lhes adicionava açúcar.

Vinho do Porto

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A história do Vinho do Porto tem várias versões; contudo, a sua denominação teve início apenas na segunda metade do século XVII, numa época de expansão da viticultura do Douro e do crescimento rápido da exportação de vinhos. Apesar de haver quem defenda que a origem desse tão conhecido vinho data desse mesmo século, o processo de conservação que levou a essa ideia já era conhecido desde o tempo dos Descobrimentos. Esse processo envolvia a adição de aguardente ao vinho para que durasse mais tempo.

O que torna este vinho diferente de todos os outros é a forma como o mesmo é preparado. O Vinho do Porto é feito a partir de uma ampla variedade de castas tradicionais, a maioria sendo nativa da região do Douro. A localização destas castas e as condições climatéricas da zona do Douro (quentes e áridas) contribuem para o caráter único e distintivo do Vinho do Porto. A maioria das castas dá cachos de bagos relativamente pequenos e de pele grossa, os quais produzem o denso e concentrado sumo de uva necessário para fazer o vinho.

Outra característica que torna o Vinho do Porto diferente dos demais é o facto de a sua fermentação não ser completa, sendo parada numa fase inicial e adicionada uma aguardente vínica neutra, o que faz com que o vinho seja naturalmente doce e mais forte que os restantes. Esta preparação é inspirada no processo usado no século XVII para a conservação do vinho.

Existem presentemente vários tipos de Vinho do Porto, caracterizados mediante vários aspetos em relação à sua preparação e apresentação. O Porto Ruby é caracterizado pelos vinhos mais jovens, com uma coloração característica e profunda e com um aroma muito intenso, e com que se poderá acompanhar com queijos, chocolate escuro e frutas silvestres.

O Porto Tawny é menos encorpado e possui cores mais suaves que o Ruby. Normalmente é envelhecido em barris de madeira, tem um sabor mais adocicado e semelhante a nozes. O Porto Reserva é uma versão de maior qualidade do Ruby e Tawny. O Ruby Reserva é feito através de safras cuidadosamente selecionadas e apresenta um sabor mais frutado e uma maior complexidade e estrutura que o Ruby tradicional. Já o Tawny Reserva tem um aroma amadeirado e de frutos secos, resultado de um processo de envelhecimento em madeira durante sete anos.

O Porto Branco difere dos restantes pela sua cor, doçura e período de envelhecimento. É produzido a partir de castas brancas, que são normalmente envelhecidas durante dois ou três anos. O Porto Vintage é considerado como um dos melhores vinhos da atualidade. É produzido a partir de uma colheita especial e é de excelente qualidade, encorpado e de coloração forte. Por fim, o Late Bottled Vintage (LBV) é um vinho que passa mais tempo a ser envelhecido em barris de madeira para que a evolução oxidativa seja muito lenta. É engarrafado quatro a cinco anos depois da sua produção, apresenta um aspeto suave e uma coloração avermelhada.

Texto da autoria da Alfacinha  Inês Chaíça e do Tripeiro Tiago Costa.