São portugueses internacionalmente reconhecidos e estão para a representação como o Cristiano Ronaldo está para o futebol. São daqueles casos em que poderíamos escrever “dispensam apresentações”, mas preferimos apresentá-los, um por um, num artigo de orgulho nacional. No mês de estreia da série The Messengers, que conta com a participação de um português conhecido nos quatro cantos do mundo, o Espalha-Factos junta atores com uma característica em comum: sucesso internacional.

O mercado brasileiro é sem dúvida aquele onde mais atores portugueses conseguem entrar. Nomes como Ricardo Pereira, Maria Vieira, Joaquim Monchique, Gonçalo Dinis, Paulo Rocha, Carla Andrino, Marina Mota, Maria João Bastos e Angélico Vieira fazem parte da lista de portugueses que encontrou do outro lado do Atlântico a oportunidade de integrar projetos de uma das mais conceituadas indústrias de telenovelas. Entre grandes papéis ou pequenas participações, experiências pontuais ou duradouras, destacamos o percurso de alguns atores.

  • Ricardo Pereira

É muito provavelmente o português mais famoso no Brasil, ou não tivesse sido protagonista de novelas de sucesso da Globo. Ricardo Pereira foi o primeiro ator não brasileiro a tornar-se protagonista de telenovelas na Globo em Como uma Onda (2004). O que podia ser uma experiência passageira por uma das maiores fábricas de ficção do mundo, tornou-se uma realidade recorrente para este português que se divide entre o fado de Lisboa e o samba do Rio de Janeiro.

Estreou-se na televisão em 2001, na telenovela A Senhora das Águas (RTP) e integrou o elenco de tantos outros projetos, não só da estação pública, mas também da SIC e da TVI. De uma carreira recheada de sucesso faz parte a telenovela Laços de Sangue, que valeu o primeiro Emmy de melhor telenovela à SIC, em 2011, e o atual protagonista em Mar Salgado.

Na Globo, a indústria que está para as telenovelas como Hollywood está para os filmes, já foi protagonista em Negócio da China (2008), Insensato Coração (2011) e Joia Rara (2013/2014), telenovela vencedora do Emmy Internacional em 2014.

Para além de integrar dois projetos vencedores de um Emmy, foi nomeado para o Globo de Ouro 2011 na categoria melhor ator de cinema pelo desempenho no filme Mistérios de Lisboa e em 2009 foi distinguido pelo jornal Expresso como um dos dez atores do século. Presença assídua em locuções e anúncios nacionais, recebeu o Prémio Advoices – Melhor Voz 2010 na Gala de Prémios Meios & Publicidade.

 

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Em Joia Rara

 

  • Maria João Bastos

Em 2013 o seu nome foi sinónimo de Liliane Marise, gravou um cd, deu um concerto no Meo Arena e pôs o país a cantar Pancadinhas de Amor. Não, não nos enganámos, estamos a falar de uma atriz –  Maria João Bastos – que, devido à sua personagem em Destinos Cruzados, foi quase cantora por uns meses.

Estreou-se em 1992, na telenovela Cinzas emitida na RTP e em mais de 20 anos de carreira já deu corpo a todo o tipo de personagens. Integrou projetos como Médico de Família, Todo o Tempo do Mundo, Querido Professor e Mundo Meu. Em 2009 vestiu a pele de Ann Jamerson, em Equador, a série da TVI baseada no romance de Miguel Sousa Tavares.

E para além de tudo isto, ainda fez sucesso no Brasil. A primeira participação da atriz numa produção da Globo ocorreu em 2002, na telenovela O Clone, onde interpretou o papel de uma jornalista portuguesa. Seguiu-se Sabor da Paixão, da mesma produtora, e em 2004 uma participação em Sítio do Pica-pau Amarelo, a série que marcou a infância de várias gerações que acompanharam as aventuras da boneca Emília.

Já em 2014, Maria João Bastos aceitou o desafio de Rui Vilhena, autor de tantos sucessos nacionais, e voltou ao Brasil para gravar Boogie Oogie, tendo sido convidada para o programa de Jô Soares.

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  • Maria Vieira

É um nome incontornável do humor em Portugal e com certeza já foi tomada como exemplo para ilustrar a expressão “as mulheres não se medem aos palmos”. E podemos dizer que, neste caso, o talento também não. Maria Vieira estreou-se como atriz na peça Paga as Favas, em 1981, para ser de imediato distinguida com o Troféu Nova Gente como Revelação do Teatro de Revista.

O seu nome ficará para sempre associado às inúmeras personagens que interpretou ao lado de Herman José, Ana Bola, Maria Rueff, Joaquim Monchique e Manuel Marques em programas como Hermanias (1984), Humor de Perdição (1987), Casino Royal (1989), Crime na Pensão Estrelinha (1990), Herman SIC (2000/06), Serafim Saudade – o regresso do herói (2001), O Fabuloso Destino de Diácono Remédios (2002) e Hora H (2007).

Em 2013 foi uma das atrizes portuguesas a participar no filme A Gaiola Dourada de Ruben Alves, estreando-se no mercado francês. Mas esta não foi a primeira vez que a “Parrachita” viu o seu nome brilhar além fronteiras. Em 2008 fez parte do elenco de Negócio da China, telenovela brasileira, produzida e exibida pela Globo. Em 2011 voltou a fazer parte de um projeto do mesmo autor, Miguel Falabella, a telenovela Aquele Beijo.

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