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IndieLisboa’15: o mundo da música electrónica francesa

No terceiro dia do IndieLisboa, em plenas comemorações da revolução dos cravos, o Espalha-Factos teve a oportunidade conhecer um pouco mais do trabalho de Mia Hansen-Løve, uma dos heróis indie desta 12ª edição. A realizadora, que esteve presente na sessão, levou-nos por uma viagem pelo movimento garage da Paris dos anos 90 até aos nossos dias, uma viagem repleta de música, neos e droga.

Eden – 8/10

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Mia Hansen-Løve é uma dos heróis independentes deste ano e, vê assim, o seu último filme a ser projectado em Lisboa. A realizadora, que admite ter tido uma vida difícil, prefere nos seus filmes abarcar os mais díspares momentos de uma vida humana. Os tempos de êxtase e histeria alegre como também os mais melancólicos e pesados, carregados de nostalgia e dor.

Em Eden temos isso tudo. Um rodopio de emoções, os altos e baixos de uma personagem meio enigmática que vive para fazer música nas noites de Paris. O seu combustível para viver são os mixs que faz e as multidões, no meio de um ambiente negro mas cheio de lasers e holofotes de todas as cores, que gritam e dançam ao som da sua música. Félix de Givry nisso foi bastante eficaz. O actor – que é também dj, o que o ajudou em muito – consegue captar na perfeição a essência deste Paul tão perdido mas, ao mesmo tempo, tão seguro de si mesmo.

O filme vive muito da sua música. Cada cena, cada segundo, cada imagem é constantemente acompanhada por banda-sonora e Mia Hansen-Løve revelou uma perícia extraordinária na escolha das músicas para acompanhar cada momento, cada acção. A música anda sempre de mãos dadas com a imagem e o espectador é completamente transportado para o ambiente dos clubes parisienses dos anos 90. A fotografia também ajuda na criação deste ambiente e a paleta de cores, sempre tão sóbria mas que explodia de cor nos ambientes nocturnos, acrescenta algo até ao argumento, tornando-o ainda mais boémio e exótico.

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A música electrónica que é hoje dos estilos mais populares em ambientes nocturnos um pouco por toda a Europa e o electrónico francês teve um grande papel na fomentação deste estilo. Mia Hansen-Løve propunha-se a tratar algo que lhe poderia colocar imensos entraves ao seu processo criativo, mas a realizadora não só mostrou dominar o assunto e ser um tanto factual – como por exemplo com o uso de uma cronologia e de prolepses – como ao misturar nessa factualidade uma ficção, onde teve toda a liberdade de explorar tanto o género como as personagens.

Os pontos menos positivos a destacar temos só algumas incongruências técnicas – como os spliscreen em marca de água que era, de todo, dispensáveis – e também há que admitir que o filme se arrastou nos seus últimos minutos. Hansen-Løve decidiu dividir o filme em duas partes, mas não só essa divisão foi supérflua como a segunda parte poderia ter suprimido muitos dos momentos que tem. O filme torna-se excessivamente longo sem qualquer necessidade para tal.

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