Começou já na quita-feira passada, dia 23, mais uma edição do IndieLisboa. O Espalha-Factos vai acompanhar o festival e trazer-te o melhor do que se faz no panorama actual do cinema independente. Ontem vimos White Bird in a Blizzard, filme de Gregg Araki, e Aqui, em Lisboa, filme produzido pela organização do IndieLisboa.

Um dos festivais mais importante da cidade de Lisboa abriu portas há menos de dois dias, mas o espirito jovem e a pujança do mesmo a revelar um grande amor pelo cinema já se consegue sentir nas salas mais emblemáticas da cidade, como o São Jorge e a Culturgest. O que é incrível neste festival, além da larga e mais variada programação, é mesmo o espirito que o mesmo tem e o quão familiar toda a gente é uma das outras. De ano para ano o IndieLisboa parece fidelizar cada vez mais público, e é-nos inevitável – se formos dedicados fãs do festival – a ver caras conhecidas todas as edições diferentes.

White Bird in a Blizzard – 5/10

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Gregg Araki vê o seu filme abrir uma das mais curiosas secções do festival deste ano: A Boca do Inferno. Dedicada ao terror, filmes de fantasia, suspense, thriller e polícias. Já este filme é de tudo um pouco, mas talvez não pelas melhores razões. Araki faz agora uma transição entre um cinema mais indepente e de temática queer, para um tipo de cinema mais estabelecido no seio da indústria americana e, com um elenco com nomes de peso, entrega-nos um dos filmes menos inspirados talvez da programação toda.

O argumento está completamente cheio de intenções mas com péssimas concretizações. O crescer da tensão e o adensar dos eventos relacionados com a mãe da personagem principal não parecem convencer em nada o espectador e o público só quer que o filme acabe. Completamente sem nexo, o argumento vai seguindo uma linha que roça o policial e o mistério mas que, na verdade, nunca embale o espectador e nunca se assume ao mesmo quanto isso. No entanto é criado um curioso jogo temporal, cheio de analepses e prolepses numa intensidade parecida aos sentimentos vividos na personagem de Shailene Woodley.

Por falar em Shailene Woodley. O elenco foi um dos pontos positivos deste filme. Eva Green brilhou e encantou em cada cena em que aparecia e foi talvez o papel mais revigorante de todos. Woodley foi, digamos eficaz. Não marcou mas também não fez propriamente um mau trabalho. Christopher Meloni teve uma prestação bastante curiosa mas que complementou a de Green bastante bem.

Aqui, em Lisboad17829e243482f1afbe54b6b8c72ea50

Um interessante projecto da organização do festival que, há dois anos atrás, convidaram 4 realizadores (Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes, Marie Losier) e os desafiaram cada um a fazer uma curta sobre Lisboa. E o resultado é bastante bonito e diversificado.

O mundo nunca é visto da mesma forma por duas ou mais pessoas diferentes e neste filme – este conjunto de curtas-metragens – conseguimos perceber exactamente isso. Uns mais introspectivos, outros mais em tom de homenagem e ainda outros completamente nonsense mas hilariantes. Este conjunto de filmes, totalmente diferentes, na verdade consegue criar uma espécie de harmonia e o espectador vai sair satisfeito da sessão.