Ballet in streets of Portugal

‘Ballet in the Streets of Portugal’: o palco é a rua

Para quem acha que o ballet é uma arte reservada ao palco dos grandes teatros, ainda não conhece o projeto fotográfico Ballet in the Streets of Portugal. Bailarinos e bailarinas têm invadido locais bem conhecidos de Lisboa com poses que todos já vimos numa fotografia de interior. Leandro Araújo é o fotógrafo que dá vida a este projeto, que já conta com três anos, muitos likes no Facebook e seguidores no Instagram. O Espalha-Factos acompanhou uma das sessões.

O local escolhido de hoje foi o Jardim Botânico Tropical, em Belém. Um fotógrafo e dois bailarinos preparam-se para uma sessão fotográfica onde a dança é protagonista. Raquel Fidalgo e Gonçalo Silva são os dois bailarinos escolhidos para o dia de hoje. Ambos são alunos do 10º ano da Escola de Dança do Conservatório Nacional, onde estudam dança clássica e contemporânea. Mas hoje o local é bem diferente. Raquel calça as sapatilhas de pontas no chão do jardim e Gonçalo faz saltos num solo bem diferente do estúdio de dança.

Os dois bailarinos já não novos nestas andanças. Esta é a terceira sessão de Raquel e a segunda de Gonçalo. Aproveitaram o tempo das férias para fazerem esta sessão. Mas estar de férias não significa que a sessão possa ser mais fácil:“Como estamos de férias, muitas vezes os bailarinos esquecem-se de alongar e quando fazemos as sessões e vemos as fotografias, nós reparamos que não estamos tão alongados ou com tanta flexibilidade de quando estamos em período de aulas”, refere Raquel.

Sessões fotográficas anteriores de Raquel Fidalgo

Ambos já acompanhavam o projeto nas redes sociais e decidiram contactar Leandro Araújo, o fotógrafo freelancer que dá nome a este projeto. Aliás, o que começou num estúdio, em 2012, devido a um projeto pessoal de um Curso Profissional de Fotografia na Escola Oficina da Imagem, passou para a rua e fez sucesso. Leandro começou com a ajuda de um amigo bailarino que protagonizou a primeira sessão exterior, em Belém, tal e qual como hoje. O resultado foi do seu agrado, fez portefólio e página no Facebook. Primeiramente, a página era seguida por amigos fotógrafos que se estavam a formar, mas quando Leandro se apercebeu que as pessoas estavam a seguir a sua página, este foi mais um impulso para o projeto se alargar. Convidou mais bailarinos, mas também começaram a surgir contactos dos próprios intérpretes.

“Na primeira sessão foram muitos disparos para pouca foto”

“Na primeira sessão foram muitos disparos para pouca foto”, admite Leandro. A sensibilidade de Leandro requeria conhecimentos de dança, que foram durante algum tempo auxiliados pelo seu amigo bailarino. Para o fotógrafo, é fundamental que a performance dos bailarinos na fotografia seja de acordo com o que está correto na dança. “Isto é a imagem deles. Já fiz algumas sessões onde eu passei as imagens aos bailarinos, só que decidi não publicar porque eles não estavam muito bem nas imagens mesmo sendo estudantes ou pessoas formadas.Não coloco a público as imagens em que eles realmente não estejam bem”, conta-nos o fotógrafo. Aliás, Leandro disponibiliza as fotografias aos bailarinos para que elas possam formar um portefólio de dança ou até mesmo de moda.

Ao longo de toda a sessão existem trocas de opiniões entre Leandro e os bailarinos. Eles sugerem poses que viram na internet ou que já fizeram nas suas aulas. Leandro aconselha lugares, troca as lentes e vê a melhor luz. No final ambos apreciam o resultado da fotografia.

Este não é um projeto exclusivo. Um dos primeiros foi o Ballerina Project nos Estados Unidos da América e a ideia já se estendeu a todo o mundo. Leandro vê frequentemente o projeto americano, mas reconhece as diferenças entre Portugal e os EUA. Lisboa é uma cidade mais histórica, o que permite um efeito diferente relativamente a outros projetos. Além de esta ser também uma oportunidade de Leandro mostrar a sua visão de Portugal: “O projeto procura sempre apresentar o meu trabalho como fotógrafo, como aprendiz de fotógrafo, o trabalho dos bailarinos e também mostrar os lugares, os monumentos de Portugal.”

A ideia é estender o projeto a mais cidades do país. Já fez sessões em Leiria e já recebeu convites no Porto. “Está pensado e espero que não demore muito”, diz-nos Leandro com entusiasmo. Também a diversidade de estilos de dança pode estar por chegar. Já há quem tenha sugerido. Leandro não diz que não: “Mesmo que não fosse uma página, mas que começasse a fazer algumas imagens e colocar e montar um site onde tenha acesso a vários tipo de dança.”

Por agora continua com as sessões de ballet. Os figurinos, os movimentos e as poses apelativas do ballet nestes ambientes improváveis têm feito parar muitos curiosos. Se no início os apoios eram poucos e as autorizações dos locais eram muito demoradas, hoje recebe figurinos do Ballet Rosa e as autorizações chegam muito mais depressa.

Em 2014 já teve uma exposição na na Galeria da PT Bluestation, no Metro da Baixa-Chiado em Lisboa e já recebeu prémios de revistas de fotografia como a Fotomaníacos e a bpm’s.

“Acho que é uma forma das pessoas verem a dança de uma maneira mais comum” – Gonçalo Silva

Os bailarinos dizem que se sentem muito à vontade nas suas sessões. A confiança na lente de Leandro faz com que insistam na perfeição das poses e o seu olhar é como se encarassem uma plateia. Aliás, para Raquel seriam necessários mais trabalhos do género, isso ajudava a que as pessoas vissem a dança com outros olhos: “Podemos mostrar que a dança pode ser uma coisa suave, mais descontraída. “  Gonçalo também não descarta esta ideia: “Aproximar a dança do mundo real, digamos assim. Acho que é uma forma das pessoas verem a dança de uma maneira mais comum.”

Fica agora com o resultado final da sessão:

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