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Dragões, fogo e novos horizontes: o regresso de Game of Thrones

Chegou finalmente até nós o primeiro episódio da quinta temporada de Game of Thrones. O seu nome, apropriadamente, é “The Wars to Come“. Como não podia deixar de ser, o Espalha-Factos está em cima do acontecimento. Vejamos então o que se passou neste regresso da série, mas atenção aos spoilers!

O episódio inicia-se de forma misteriosa, com duas raparigas que não conhecemos – à partida. Após uma cena climática com uma bruxa na floresta, entendemos que estamos a olhar para uma Cersei bastante jovem, e que ouve uma profecia que se viria, como já sabemos, a concretizar – a amargura de ter apenas três filhos, e não do seu marido (o rei Robert Baratheon), mas de outro homem.

Voltamos ao presente e somos imediatamente relembrados da aversão da rainha-mãe a Margaery Tyrell, através de um olhar de desprezo que lhe dirige. Não é, aliás, nada de novo – a própria profecia dizia-nos que uma nova rainha viria um dia, mais bonita que Cersei, para lhe tomar o lugar. Este destino é de novo recordado aos espectadores quando, mais tarde no episódio, Cersei observa Margaery a dar a mão ao seu filho Tommen, que já havia começado a seduzir na temporada anterior.

cersei margaery

Somos de seguida presenteados com o velório de Tywin Lannister, o homem mais poderoso de Westeros até à última season finale e que jaz agora numa cripta como qualquer outro mortal. A relação de Cersei e Jaime continua a azedar, desta vez porque a rainha culpa o seu irmão de ter morto o pai ao libertar o seu assassino, Tyrion – algo que não podemos deixar de reconhecer como verdade.

Mas o mistério do destino de Tyrion não se mantém por muito tempo. Após Varys abrir a caixa onde o anão foi transportado, descobrimos finalmente que viajaram até Pentos, no outro lado do oceano, e que se refugiaram em casa de Illyrio Mopatis, um velho amigo do eunuco. Não temos aqui, no entanto, um Tyrion no seu melhor – adepto da bebida como sempre o conhecemos, mas desta vez vomitando e queixando-se do futuro e do passado. Pela primeira vez, Tyrion parece estar a desistir. É só quando Varys lhe propõe que utilizem os seus talentos a favor de uma rainha Targaryen, que merece subir ao Iron Throne, que Tyrion se mostra (aparentemente) curioso.

Mas nada seria de Game of Thrones se não desse o mote da nova temporada com uma cena perturbadora. É por isso que, de seguida, podemos observar um unsullied do exército da Khaleesi a visitar um bordel apenas para que a prostituta lhe cante uma canção de embalar – e ao qual rasgam a garganta subitamente, para surpresa dos espectadores (de alguma forma inexplicável, ainda nos conseguimos surpreender com o que acontece nesta série).

Daenerys vê-se agora a braços com um novo inimigo – os Filhos da Harpia (Sons of the Harpy, no original), uma fação que se esconde atrás de máscaras e que enfurece a nossa rainha por cometerem atos cobardes e injustos como este. Paralelamente, continua a confidenciar e a aconselhar-se com Daario Naharis, com quem mantém uma relação de natureza sexual.

Volta a visitar os seus dois dragões aprisionados nas masmorras (Viserion e Rhaegal), mas estes não parecem satisfeitos com a sua mãe e mostram-se hostis. É oficial: a toda-poderosa Daenerys tem finalmente medo dos seus filhos, a par e passo com todos os outros.

daenerys

Podemos argumentar que é adequado que a Khaleesi esteja finalmente a deparar-se com problemas de governação, após uma série de temporadas em que apenas conquistou e dominou todos os locais e exércitos por onde passava, com recurso a dragões e à sua retórica – excetuando-se talvez a morte do seu marido Khal Drogo, que muitos ainda lamentam.

Viajemos até Castle Black, no Norte. Os membros da Night’s Watch treinam com a espada, Jon Snow ensina pacientemente novos recrutas, Alliser Thorne continua a ser um mestre execrável e Sam Tarly evita conflitos para ficar com a sua querida Gilly e prometer-lhe mundos e fundos. Nada de novo até nos lembrarmos que Stannis Baratheon agora está também na muralha, juntamente com o seu exército e a bruxa Melisandre – que continua tão devota à sua abstrata religião como inconveniente, ou não fosse uma das suas primeiras falas uma casual pergunta  a Jon Snow sobre a sua virgindade.

Mas é Stannis quem domina a cena seguinte com um plano ambicioso para aliar os wildlings ao seu próprio exército e assim reconquistar Winterfell das mãos de Roose Bolton. Há, no entanto, um problema. A lealdade dos vários clãs de wildlings passa obrigatoriamente por forçar Mance Rayder, o “rei além da muralha”, a declarar-se como um servo de Stannis. Como já sabemos e Jon Snow faz questão de lembrar, isto não se afigura nada provável.

stannis

A conversa entre Jon Snow e Mance não corre, de facto, bem. O líder dos rebeldes mostra-se irredutível, muito embora admita o seu respeito por Stannis. Assistimos no entanto, no meio de um discurso sobre a sua moral e trabalho de vida, ao seu olhar de puro medo quando Snow lhe diz que o executarão pelo fogo.

Numa cena que nos lembra o quão cruel pode ser um episódio de Game of Thrones, Mance é então escoltado em correntes até Stannis, que lhe pede uma vez mais que se ajoelhe e que vê o pedido negado (muito embora de forma educada e respeitosa). Lady Melisandre, manipulando uma vez mais o público com palavras em prol do seu Lord of Light, pega fogo à pira de execução. Foi algo desconcertante o sorriso macabro de Selyse, a discreta mulher de Stannis, durante o espetáculo da fogueira. É enfim Jon Snow quem acaba por pôr fim ao sofrimento de ser queimado vivo ao alvejar com uma seta o coração de Mance. Um ato misericordioso por parte de um personagem que se manteve coerente no seu bom coração desde o início.

mance rayder burns

No Vale dos Arryn, vemos o mimado Robin a receber, finalmente, a disciplina que a sua mãe Lysa há muito negligenciava. Petyr Baelish, ou Littlefinger, tomou as desejadas rédeas do poder após a “acidental” morte da mulher com quem esteve casado durante tão pouco tempo. Parte dos seus domínios juntamente com Sansa Stark, que vemos (finalmente) como uma mulher mais astuta e não como a rapariga assustada que até agora nada de substancial tinha a oferecer se não o seu nome de família.

O episódio satisfaz todos aqueles que esperaram meses pelo retorno da série, mas pode deixar algo a desejar. Se, por um lado, as intrigas no Norte fazem jus à essência inesperada e ,por vezes, mórbida da série de que tanto gostamos, esperava-se mais do enredo em torno de Tyrion e da trama em King’s Landing. Ainda assim, ficamos com uma ressalva no que diz respeito a ambos. Em primeiro lugar, Tyrion poderá vir a apoiar Daenerys Targaryen em conjunto com Varys – o que nos deixaria decerto com três forças absolutamente temíveis a caminho de Westeros.

Por outro lado, na capital, vemos renascer “das cinzas” um personagem que, às vezes, se deixa apagar – Loras Tyrell. O irmão de Margaery e noivo de Cersei (que prefere no entanto a companhia de Olyvar, o seu amante atrevido) pode ainda vir a trazer-nos uma intriga bastante interessante.

loras

Podemos sentir-nos divididos entre apoiar Daenerys no calor de Essos ou Stannis no frio do Norte? Sem dúvida. Por um lado, lembramo-nos que a Khaleesi tem direito ao trono pelo seu sangue Targaryen; por outro, Stannis seria na verdade o próximo a poder reclamar a coroa após a morte do seu irmão Robert, e tem ainda o benefício de Ser Davos a seu lado como o fiel companheiro de quem é impossível não gostarmos. Além de tudo isto, ambos possuem um charme típico de líderes naturais. Este redator, pela sua parte, ainda não se conseguiu decidir.

Ficamos então ansiosamente à espera do próximo episódio (que, como sabemos por este artigo do Espalha-Factos, foi também já libertado previamente na Internet). Digamos que a quinta temporada começou não em força, mas antes como uma tempestade que se aproxima lentamente.

Será caso para dizer “winter is coming” ? Parece bem provável que sim.

Nota: 6/10

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