Mais uma semana, mais uma edição de #EurovisãonoEF. Numa edição que está preenchida com muitas baladas, no sentido português e não no brasileiro, tentamos estabelecer diferenças entre as canções de França, Geórgia, Grécia, Holanda e Hungria. Além disso, conta connosco para o resumo da semana eurovisiva.

França

É uma participação especialmente simbólica, esta da França. Numa altura em que se assinalam os 100 anos da Grande Guerra, Lisa Angell defende com garra um tema que assenta como uma luva ao país que representa. É uma canção que nos fala, em francês, de reconciliação e paz com o passado. N’oubliez pas é, ainda assim, uma das muitas baladas a concurso nesta edição e, mesmo sendo bem interpretada por Lisa, é provável que acabe por passar despercebida.

Os arranjos são antiquados e há uma concorrência muito forte ao nível das participações do mesmo género, mas a ordem de atuação e a forma como a cantora estiver em palco poderão ser determinantes para livrar a França de mais uma classificação no bottom 5. O país, que é um dos Big 5 no certame, não sobe ao top10 desde a edição de 2009, quando Patrícia Kaas alcançou o oitavo lugar. O que vale é que há vida fora da parte esquerda do ranking de pontuações.

http://youtu.be/kG_WJU2s5ho

Geórgia

O título da canção não podia ser mais indicativo. Warrior é uma canção interpretada e escrita por Nina Sublatti, que parece determinada a lutar por uma primeira vitória dos georgianos em Viena. É um tema de autoafirmação, embalado por uma interpretação pautada por demonstrações de força e grande poder vocal. Nina, que lidera há dois anos o top de vendas no seu país natal, traz uma atuação profissional e empenhada que só pode pecar por excesso de esforço.

http://youtu.be/RZrRQSI_pcQ

Grécia

Maria-Elena Kyriakou é cipriota e prepara-se para representar os gregos. Parece-nos motivo suficiente para a canção da Grécia – mais uma balada! – merecer os 12 pontos dos vizinhos. One Last Breath é o regresso helénico às músicas lentas, registo que não visitam desde 2006, quando a também cipriota Anna Vissi foi representante. A versão final, apresentada no mês passado, trouxe a canção ao séc. XXI e substituiu alguns arranjos que a tornavam absolutamente datada, mas, se formos objetivos, esta canção continua a não ser nada de novo. Mais cheesy que mozzarella, tem ainda semelhanças preocupantes com a vencedora do ano passado.

http://youtu.be/59dJUWlTdBo

Holanda

Ao escolherem Walk Along, os Países Baixos voltam a apostar na contemporaneidade. É uma canção desenhada para subir nos tops radiofónicos e do iTunes, seja qual for o resultado na Eurovisão. Depois do dueto dos Common Linnets ter sido a surpresa de 2014, Trijntje Oosterhuis é, por um lado, escolher segurança e profissionalismo e, por outro, decidir-se pela leveza e pela simplicidade. Não é pretensiosa nem tem nenhum refrão em que a cantora prove ter um range vocal de sete oitavas, e é boa por isso mesmo, porque vale por si, sem peneiras. Por mais que vá ter de enfrentar o ceticismo de quem adora um drama eurovisivo com lágrimas, gritos, vento e muita pirotecnia.

http://youtu.be/eSZwKW3RqT0

Hungria

O tema pacifista deste ano vem da Hungria. Chama-se Wars For Nothing e é cantado por Boggie, que além de ser cantora podia abraçar uma carreira como sósia da belíssima Keira Knightley. O vídeo, gravado nas ruas de Budapeste, transforma, com a ajuda de um coro eficaz, uma canção simples e totalmente acústica num verdadeiro hino de unificação e tranquilidade. Que no palco eurovisivo não perca efeito e emoção. É música no puro sentido do termo.

http://youtu.be/Z52QQG1hboo

Recap da Semana

      • Sanna Nielsen (Suécia 2014) vai ser a comentadora da cerimónia deste ano para os telespectadores do país, anunciou a SVT, televisão estatal sueca.
      • A comitiva do Azerbaijão, que contará com Elnur Huseynov para levar as cores do país à segunda semifinal do Eurofestival, começa esta semana a promoção do tema representante. Letónia, Hungria, Holanda e Rússia são as paragens até agora confirmadas.
      • Leonor Andrade (Portugal 2015) atua no próximo domingo na gala especial do Got Talent Portugal, sendo que o ESCPortugal anuncia a interpretação de uma versão ainda não ouvida da canção nacional.
      • Edurne (Espanha 2015) apresentou-se ao vivo pela primeira vez no talk-show Alaska y Segura. Vê as imagens:
        http://youtu.be/-0v_evZs1Yw
    • A atuação de Dima Bilan (Rússia 2008) nos 60 anos do Festival da Eurovisão foi recebida com vaias pelo público presente, o que obrigou a nova gravação da sua entrada em palco, com novas manifestações de desagrado do público. Na versão final, as vaias foram removidas pela produção da BBC.
      http://youtu.be/WEEUdPu8WO8