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‘displaced episodes’: a trangressão da realidade no CCB

displaced episodes, a mais recente criação coreográfica de Margarida Belo Costa, estreou no passado dia 10 de abril na Sala de Ensaio do Centro Cultural de Belém (CCB). displaced episodes é uma peça de 50 minutos que cumpre a promessa de transgredir o quotidiano e provocar um novo olhar sobre as rotinas da modernidade. Em palco, juntam-se a Margarida Belo Costa, Joana Puntel, Bruno Duarte, Luís Malaquias e Miguel Ângelo. 

A jovem de 24 anos Margarida Belo Costa, natural das Caldas da Rainha, carrega já um longo reportório no universo da dança enquanto bailarina, professora e criadora. Depois de, em 2012, ter criado a pela Step 1, displaced episodes estreou este ano com o intuito de trespassar, em palco, episódios da vida real.

A sala de ensaio do CCB, pequena e escurecida, recebeu plateia cheia. No espaço diante do público, destacava-se, iluminada, a criadora Margarida, deitada num sofá a ver televisão. No extremo oposto do palco, vários cabides de pé alto dispunham sucessivamente diversos acessórios e roupas.

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displaced episodes espelha a vida quotidiana de cinco jovens, duas mulheres e três homens. No entanto, a este retrato, acrescenta-se uma vontade fugaz de romper com a monotonia dos hábitos diários e introduzi-los à força da dança. Esta rutura fez-se de todas as formas: em extraordinários trabalhos de pares, a solo e em manchas de conjunto.

A ver televisão, a ouvir música no tablet, a mudar de roupa, depois de uma festa, os cinco jovens em palco experienciaram os extremos e transformaram os gestos do dia-a-dia em movimentos concisos, determinados e coordenados. Destacou-se o permanente trabalho ora de chão, ora em pé e a intrínseca e permanente relação, sem ser forçada, dos vários bailarinos.

A criação viveu da sucessão de vários episódios que, no entanto, não se separaram. O cariz por vezes cómico, outras vezes dramático e moribundo, fez-se sentir numa confortável e frequente interacção com o público por palavras, sons e expressões.

Ao interesse temático e à singularidade de movimento aliou-se a originalidade sonora. Se, previamente, podíamos encaixar a neutralidade de uma banda sonora ao acompanhar dos nossos actos quotidianos, no decorrer de displaced episodes essa perspectiva é derrubada: sinfonias industriais, sonoridades metálicas e ensurdecedoras, batimentos repetitivos, inquietantes e desesperantes colocaram-se ao serviço dos cinco corpos que se foram espelhando em palco.

Uma peça simples e curta deixou o público expectante e ansioso por mais. displaced episodes é o reflexo de um processo criativo que foi beber às raízes da condição humana e escolheu apresentar-se dessa mesma forma, humano. Uma obra que consegue chamar as mais diversas sensações a palco e, sem que nos apercebamos, traduzi-las numa linguagem que sendo particular, foi universal.

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Fotografias de António Cabrita retiradas da página do Facebook do evento de displaced episodes

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