Respiração, movimento e contacto: Ecstatic Dance chega a Lisboa

Na passada noite de 8 de Abril, pelas 20 horas, a Taberna das Almas abriu portas para a segunda edição daquele que foi o retomar do Ecstatic Dance em Portugal. Um encontro festivo que pretende abraçar o mundo a partir da dança. O Espalha-Factos esteve à conversa com Rute Novais, organizadora do Ecstatic Dance em Lisboa.

Espalha- Factos: Rute, de onde surgiu a ideia de trazer para Lisboa o Ecstatic Dance?

Rute Novais: Foi uma abordagem de dois amigos que falaram comigo: um deles esteve por trás da organização e criação de um festival bastante conhecido em Portugal de cultura mais alternativa, o Diogo. Ele deu-me um ultimato: “Vamos fazer!”, isto numa conversa por Skype. E eu: “Boa, ok já me falaram disto tantas vezes, vamos fazer!”. E começámos a fazer, a primeira edição foi feita ainda por um grupo de amigos, em 2011. Juntámos esforços, meios, voluntários, negociámos um espaço e começámos a organizar.

EF: A Taberna das Almas foi sempre a casa do evento?

RN:Foi sempre na Taberna das Almas excepto a última vez, que foi o retomar. Entretanto os amigos começaram a viajar, outros ficaram por cá mas eu acabei por ficar sozinha com o projecto às costas e com uma responsabilidade enorme porque de facto se estava a criar uma nova forma de dançar, completamente diferente do que alguma vez tinha visto. Isto porque eu nunca tinha ido a um Ecstatic Dance fora de Portugal, foi tudo pesquisa via net, por vídeos e ouvir a experiência dos meus amigos que tinham já estado fora, na Califórnia, Amesterdão, Barcelona… e parece que temos um Ecstatic Dance tão bom como os outros!

EF: Há regras e leis para este movimento?

RN:Esse é um assunto em que investimos muitas horas, muito tempo e muita energia. Nós não lhe queremos chamar regras, há condições que proporcionam uma experiência mais interessante e de acordo com a filosofia que o Ecstatic Dance defende. As pessoas são convidadas a dançar descalças, com ou sem meias, para estarem mais em contacto com o chão, sentirem mais os movimentos nas plantas dos pés. Não se fuma dentro do recinto, embora haja um espaço exterior em que se pode fumar e, por fim, não vendemos álcool, porque o desafio do Ecstatic Dance é exactamente promover um estado de êxtase e de resultado de meditação provocado pela dança através da respiração, do movimento e do contacto. Isto são disciplinas de estudo, de uma abordagem mais pedagógica, de Contact Dance e de Dança Meditativa, mas a ideia é mesmo não ser uma aula, é uma festa. Mas com essas condições.

 “As pessoas são convidadas a dançar descalças, com ou sem meias, para estarem mais em contacto com o chão”

EFAssim sendo podemos considerar que o Ecstatic Dance, mais do que ser uma dança individual, é uma dança em grupo?

RN:É uma resposta muito pessoal, não vou falar em nome de nenhuma doutrina mas sim, estamos sempre todos juntos e a dança mostra-nos isso. Eu danço muito de olhos fechados, aliás, tendencialmente, eu danço de olhos fechados, e tem sido para mim um desafio porque faço Biodanza– esta sim uma disciplina, uma aula- onde somos sempre convidados a dançar de olhos abertos. De facto é muito bonito: o movimento, a música e o respirar são comunicações universais.

EF: Há algum tipo de música particular que se possa associar a este movimento?

RN: Esse foi realmente outro desafio: às leis, conseguimos chamar-lhes condições. Quanto ao estilo de música, há quem goste mais de transe, de psicadélico, há pessoas que gostam mais de rock, de world music, de cúmbia… O que nós queremos, no limite, é dançar sem música. Mas isto é um conceito, a ideia é dançar o que o som nos proporciona, sendo que há uma viagem, uma condução, um levantar voo que nos retira do dia que deixamos lá fora – através de uma introdução que é sempre feita. Começamos com ritmos mais suaves, temos um ponto mais alto e depois regressamos, novamente.

EF:É um projecto que se pretende manter na capital ou espalhar-se por Portugal?

RN:É um projecto para dar continuidade pelo mundo inteiro! Nós, cá em Portugal, falamos com outras pessoas que queiram dinamizar noutras zonas do país, podemos apoiar e organizar de forma a fazermos tudo articulado.

EF: De que forma se faz o convite e alicia o público em geral para o Ecstatic Dance?

RN: Boa pergunta! A razão que a mim me fez nunca desistir de organizar este evento foi o facto das crianças poderem vir. Temos famílias que vêm sair, vêm a uma festa dançar e dão continuidade ao que faziam quando eram jovens. É incrível teres aqui pessoas de 8 e de 80 anos.

“estamos sempre todos juntos e a dança mostra-nos isso”

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