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Pentatonix no Coliseu de Lisboa: cinco vozes que são mais do que isso

O Coliseu chamava por eles. Não era uma batalha mas sim uma estreia no país, o arranque de uma caminhada europeia. Tinha de ser grande, estridente, memorável. Duas horas depois, nenhuma palavra ‘cara’ caracterizava tão bem a estreia dos Pentatonix em Lisboa, e em Portugal, como a reacção do público que esgotou o Coliseu dos Recreios. O ‘upgrade de palco’ estava justificado muito antes do começo do espectáculo.

Enormes filas. Metro após metro cartazes erguiam-se, eram pintados e preparados. Quinta-feira à noite era sinónimo da estreia da banda fenómeno do Youtube em Portugal e apesar do passado inexistente no país estava prometida uma noite memorável. A reacção foi rápida e, preenchida a plateia e os vários (todos lotados!) anéis do Coliseu, fez-se ouvir e sentir: de olas mexicanas aos mais variados cânticos, o ambiente estava criado e servia de ponto de partida para uma noite de originais, covers e, talvez mais do que isso, momentos memoráveis.

Da internet para o mundo, os PentatonixScott Hoying, Kirstie Maldonado, Mitch Grassi, Avi Kaplan e Kevin Olusola, todos eles norte-americanos – souberam brindar os presentes com uma setlist composta por alguns dos seus maiores êxitos mas também originais e temas claramente dedicados a grandes plateias. Se um medley de Beyoncé (Irreplaceable e Single Ladies) serviu de atilho para uma audiência que se faria ouvir até ao último segundo do espectáculo, pelas vozes do quinteto que brilha sem instrumentos em palco ecoaram ainda hits de Lady Gaga, Stromae, Clean Bandit e muitos mais.

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É aqui que reside a magia dos Pentatonix: na voz. Quando pensamos que nada encanta mais que um belo violino, violoncelo ou piano (ou mesmo todos juntos), eis que os removem do enquadramento sem espaço para dúvidas e promovem a sua ausência com cinco vozes que são tudo — baixos, sopranos, percussões. Tudo.

Durante duas horas, e à exceção de um tema de estreia de Olusola com um violoncelo eléctrico, o Coliseu dos Recreios foi extraordinariamente preenchido com cinco ‘simples’ vozes às quais muitas vezes se juntaram milhares de outras espalhadas pela plateia e camarotes.

Os cânticos repetiram-se, o chão tremeu e as lanternas surgiram. Não faltou nada na noite de magia que acolheu uns Pentatonix há muito confirmados como demasiado grandes para palcos secundários – se dúvidas existissem, a venda ‘explosiva’ de bilhetes que forçou a mudança de palco, do Armazém F para o Coliseu, colocou de parte todas as incertezas.

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Contra a vontade de muitos, o relógio lá ia avançando e as faixas apresentadas uma atrás de outra. Telephone, Papaoutai, Four Five Seconds. Uma vez mais, covers e originais. Até ao princípio de um fim planeado e executado na perfeição sempre alicerçado no apoio incondicional do público. Não faltaram, claro, elogios — desde “o melhor público de sempre” a “que reação incrível!” E bem fundamentados. É que, lá para o meio da última parte e depois de uma participação assídua em On My Way Home, os milhares de espectadores presentes entoaram na perfeição a composição para apelar ao regresso. Arrepiante.

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Era o encore mas antes, pouco antes, fora tempo de Evolution of Music — o grande sucesso ‘original’ dos Pentatonix, que se apresentaram ao mundo com um medley tão característico quanto este. Michael Jackson, Shakira, Britney Spears, Justin Bieber, Gnarls Barkley, Black Eyed Peas, Fun, enfim, toda uma colectânea reunida em menos de cinco minutos. E o Coliseu delirava. Porque o melhor fica sempre para o fim, um (igualmente popular) medley de Daft Punk serviu de ponto final a uma noite transformada por uma versão a cappella, claro, e(!) off-mic de That’s Christmas To Me. Isso mesmo: sem microfones, sem qualquer apoio vocal. Um Coliseu dos Recreios em silêncio, cinco vozes. Um até já, Lisboa, concerteza; e um grande olá à Europa e ao mundo.

Alinhamento:

  1. Intro/Mashup
  2. Problem
  3. Beyonce Medley
  4. Telephone
  5. La La Latch
  6. Love You Long Time
  7. Rather Be
  8. Julio
  9. Papaoutai
  10. Opera Moment
  11. Aha!
  12. Four Five Seconds
  13. Breakfree / See Thru
  14. Uptown Funk / Let’s Get It On
  15. Evolution of Music
  16. Standing By
  17. On My Way Home
  18. [Encore] That’s Christmas to Me
  19. [Encore] Daft Punk