O Passo a Passo deste mês viaja até a este século para falar de Ivan Vasiliev, bailarino russo considerado por muitos como o melhor da atualidade, sendo comparado a Mikhail Baryshnikov e a Rudolf Nureyev.

Apesar de reconhecer que esses bailarinos o influenciaram bastante enquanto crescia, Vasiliev não esconde que a pessoa mais importante na sua carreira foi o também ex-bailarino Yury Vladimirov, seu professor e mestre durante vários anos.

Formação

Nascido em 1989, na cidade de Vladivostok, na província russa de Primosky Krai, foi na Ucrânia que começou a estudar dança, na Dnepropetrovsk Ballet School, tendo terminado os estudos na área na cidade de Minsk, pela Belorussian State Choreographic College, onde foi ensinado por Alexander Kolyadenko.

Antes de ingressar, em 2006, na lendária escola russa Bolshoi Ballet, Vasiliev destacou-se logo dos restantes bailarinos da sua geração ao ganhar o primeiro prémio no na Moscow International Ballet Competition; o Grand Prix da Varna International Ballet Competition; o prémio Soul of Dance da Ballet Magazine; o prémio Triumph Youth; e o primeiro prémio na Arabesque-96 Ballet Competition em Perm, onde também ganhou o prémio de Melhor Bailarino pela Korea Ballet Foundation.

Bailarino

Em 2006, Ivan Vasiliev foi convidado a pertencer ao elenco da Bolshoi Ballet como solista, juntamente com a sua companheira de então Natalia Osipova. O bailarino fez a sua estreia pela companhia, apenas com 17 anos, no papel de Basílio, no bailado Dom Quixote. Quatro anos depois, em maio de 2010, foi promovido ao estatuto de bailarino principal da companhia russa.

Com o Bolshoi, Vasiliev figurou em repertório como o já referido Dom Quixote, Spartacus, La Bayadère, Le Corsaire, Flames of Paris, La Esmeralda, The Nutcracker, La Fille Mal Gardee ou Misericordes. Ao longo desses anos, mereceu o destaque Spotlight nos British Critics’ Circle National Dance Awards, e o prémio Benois de la Danse pela sua interpretação nos bailados Flames of Paris e Le Corsaire.

Apesar de ter sido bailarino convidado na International Rudolf Nureyev Festival, Novosibirsk Opera and Ballet Theater e Mikhailovsky Ballet, em dezembro de 2011, juntamente com Natalia Osipova, Ivan decide sair da companhia por incompatibilidades com a direção artística, defendendo que queria ter mais liberdade para dançar em mais locais e figurar em repertório clássico e repertório mais variado. Como tal, muda-se para a Mikhailovsky Ballet, em São Petersburgo.

Depois de uma passagem curta por essa companhia, torna-se bailarino principal na American Ballet Theatre, começando a colaborar com o Ballet Company of Bavarian State BalletTeatro alla Scala BalletMariinsky Ballet e, recentemente, regressou ao Bolshoi para interpretar Dom Quixote, Spartacus, The Nutcracker, Coppelia e Giselle.

Desde 2009 que faz parte do projeto Kings of the Dance, em que também figuram grandes nomes da dança como Marcelo Gomes, Roberto Bolle, Denis Matvienko e Leonid Sarafanov.

Num artigo de 2010, o jornal The Telegraph batizou Vasiliev como Rocket Man. Isto porque o bailarino russo não só se destaca no panorama atual da dança masculina pela sua grande exuberância e força, mas também por ser conhecido em todo o mundo pela grande amplitude dos seus saltos e flexibilidade. Apesar de no início da carreira ser conhecido por fazer muitas piruetas sem sair do eixo, como o próprio afirma, são os seus saltos que cativam e deslumbram públicos um pouco por todo o mundo.

Não obstante ser um bailarino ainda muito jovem, Ivan Vasiliev já se tornou um marco da dança clássica neste século; além da evolução e inovação que vai mostrando de ano para ano, de temporada para temporada, é um artista que leva ao teatro milhares de pessoas que, interessando-se por dança, se mobilizam e despendem muito mais sabendo que ele é o “cabeça de cartaz”.

Numa entrevista, Vasiliev disse que não queria ser “o próximo Baryshnikov ou o próximo Nureyev”, que queria apenas ser “o Ivan Vasiliev. Com os seus 25 anos, o homem-foguete está a meio caminho de se tornar um dos melhores de sempre da dança clássica, fazendo companhia aos que antes o inspiraram. Por agora poderá não ser tão emblemático, mas no futuro poderá ficar conhecido como aquele que conseguiu saltar mais alto que o Baryshnikov.