Com perfecionismo e excelência de produção, House of Cards voltou para mais uma temporada, treze episódios que nos mostraram o que realmente é o “United States of Underwood“. A nós só nos cabe comentar aquela que foi uma prestação incrível de Kevin Spacey e Robin Wright, que voltaram para interpretar Frank e Claire Underwood.

Dia três de setembro é uma data importante. É o dia em que, há três décadas, um jovem do interior de Gaffney se casou com uma debutante de Dallas. E o eixo da Terra inclinou-se naquele dia, apesar deles não saberem disso na época…nem nós. Temos uma mulher que descreve o seus votos como uma suicida a seduzir uma ponte. E um homem que usa a sua aliança como um símbolo da vergonha pela debutante que merecia mais. Mas, sinceramente, o que mais poderia ela desejar?

É a pergunta que pairou no ar durante toda a terceira temporada de House of Cards: o que mais pode Claire desejar?
O excerto a cima é a abertura do livro que Frank Underwood pediu a Thomas Yates (Paul Sparks) para escrever sobre os trabalhos que este tem feito enquanto presidente dos EUA. O escritor achou mais interessante escrever sobre a dinâmica existente no casamento Underwood, uma união com diretrizes bastante claras desde o início. E se sempre assim foi, o que terá feito Claire sentir-se insatisfeita após 30 anos desta relação? A resposta é simples: finalmente conseguiu o que queria.

house-of-cards-season-3-spot-white-house-portrait

Frank vê o cargo de presidente como algo feito mesmo à sua medida (pelo menos aos seus olhos) mas, agora que o derradeiro objetivo foi atingido e o seu marido se tornou o homem mais poderoso do mundo, qual será a próxima missão de Claire? Desde o seu novo cargo como embaixadora dos EUA na ONU até ao seu papel como primeira-dama a ajudar na campanha presidencial, a senhora Underwood andou toda a temporada como um peixe fora de água. Quando no fim perdeu o seu lugar na ONU e a vontade de fazer campanha, Claire mentalizou-se de que não poderia continuar a depender tanto dos planos em conjunto com Frank e que o mais sensato seria mesmo deixá-lo. Estamos perante uma evolução de personagem no seu melhor.

_DG22765.NEF

Fora do cenário matrimonial, Frank também encontrou durante esta mais recente temporada um adversário à altura: Viktor Petrov (Lars Mikkelsen), presidente da Rússia. Os dois encontraram-se várias vezes, visto que o ambiente de desconforto entre os dois países foi um tema constante nestes novos episódios. Entre tentativas de trabalho conjunto e ameaças capazes de iniciar a terceira grande guerra, Underwood e Petrov protagonizaram alguns momentos bem memoráveis e mostraram-nos que negociar com alguém que possui crenças tão diferentes das nossas acaba por ser como andar sob uma camada de gelo bem fina (aliás, graças a Petrov, quem acabou por apanhar um banho bem gelado foi Claire).

A_‘House_of_Cards’_actor-2b5120d445d8363f9e2016792b9536c5

E se revolver problemas de nível internacional não é fácil, quem diria que o maior drama viria do interior, de um grupo bem restrito a que o presidente chama de “amigos”. Doug Stamper (Michael Kelly) terminou a temporada passada perto da morte e passou agora por uma longa recuperação, tanto física como psicológica. Assombrado pelo fantasmas do seu vício pelo álcool e pela obsessão que ainda mantém por Rachel Posner (Rachel Brosnahan), Doug vai trabalhando de forma não oficial para Frank, deixando muitas vezes os espetadores e o próprio presidente dos EUA a desconfiar da sua lealdade. Depois de tanto tempo a vermos Doug como a “arma perfeita” de Underwood, foi oportuno e inteligente mostrar o lado mais pessoal e obscuro da personagem.

Porém, no final, mais do que amizade e política, mais do que estratégias e manipulação, a terceira temporada de House of Cards focou-se numa união, no casamento entre o homem com o cargo mais poderoso do mundo e a mulher que o levou lá.
Frank e Claire Underwood ganharam o mundo mas, pelo caminho, perderam-se um ao outro. E assim um legado parte-se pela metade.

edtrfyugh