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Os irmãos Van Gogh no palco do São Luiz

125 anos depois da morte de Vincent Van Gogh, o palco do São Luiz acolhe O Meu Irmão. Théo e Vincent Van Gogh. Sérgio Praia encarna Théo, o irmão do pintor Vincent Van Gogh. Este é um monólogo encenado por Teresa Faria sobre o sofrimento da perda de alguém que na vida apenas deixou a sua obra.

O cenário é composto por molduras de quadros sem telas. Este vazio é uma clara ligação ao sentimento de Théo, o negociante de quadros de arte. Em julho de 1890, perdeu o seu irmão pintor. Vincent Van Gogh, um dos fundadores do estilo impressionista com tendências modernas, nunca conseguira vingar em vida. Com fraca vida social e com dificuldades em financiar a sua arte, cai na loucura e suicida-se. Nem o seu irmão Théo, que custeava sua vida, o conseguiu evitar. Théo sente a culpa, não consegue viver sem o seu íntimo irmão e morre a janeiro de 1891.

“Virá o dia em que será impossível distinguir a campa de Vincent da campa de Théo. A hera oscultá-los-á e dirá por eles: era o meu melhor amigo, era o meu irmão.”

Judith Perrignon , O Meu Irmão. Théo e Vincent Van Gogh

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O Meu Irmão. Théo e Vincent Van Gogh torna-se uma conversa entre os dois irmãos. Ambos em fase de loucura. Se Théo é a personagem que fala na primeira pessoa, Vincent comunica através de cartas e pelos seus quadros. Os camponeses, as batatas e os ninhos são elementos determinantes na obra de Vincent e no negócio que Théo desenvolvia. Agora são memória e palavra, porque nos quadros apenas aparece a face do irmão que procura uma forma de deixar viva a figura de Vincent.

A palavra é determinante nesta peça. É a partir dela que revivemos esta relação. A jornalista Judith Perrignon é a autora de um texto que se mostra fluído e ‘pintado’ pelas técnicas e elementos de Van Gogh. Teresa Faria é a responsável pela encenação e pela dramaturgia. Para a encenadora o objetivo era deixar falar a pintura. “A dramaturgia cénica pretendeu densificar o espaço, reforçando a palavra”, esclarece Teresa Faria. De facto, as palavras parecem andar através da cenografia de Rita Abreu. Apesar de nenhum dos quadros estar preenchido, as palavras pintam o ambiente seja com o fenol utilizado por Vincent ou o camponês que passa no cenário a certa altura.

É sobre este ambiente íntimo que Sérgio Praia veste uma personagem com figurinos de José António Tenente. O ator circula com uma dinâmica bem pautada pela melancolia de uma morte tão trágica. Esta perda tem de apelido Van Gogh, mas não é exclusiva desta dupla. Uma peça de teatro faz sentido quando comunica connosco, O Meu Irmão. Théo e Vincent Van Gogh pode representar os desgostos da partida dos que amamos. Esta é uma história com carga emocional muito carregada, mas é verídica. Há relações que são intemporais e há peças que se encarregam de nos recordar disso.

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Fotografias de José Frade

A peça estreia hoje no Teatro- Estúdio Mário Viegas no São Luiz Teatro Municipal e estará em cena até 18 de abril. O espetáculo realiza-se de quarta a sábado às 21h00 e domingo às 17h30.

Consulta mais informações, aqui.

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