Lisboa vs Porto

Lisboa vs Porto: Alfacinhas e Tripeiros

Lisboa e Porto, duas cidades que desde sempre andaram em guerra. A menina e moça nunca foi à bola com o ar grave e sério da mulher do norte e vice-versa. O que vale é que lisboetas e portuenses acabam as discussões regionalistas num qualquer café da esquina a beber uma bela cerveja, ou se preferirem, uma imperial ou um fino, porque afinal de contas somos todos gente da mesma terra.

No primeiro sábado de cada mês o Espalha-Factos passa a ser o campo de batalha para um confronto mensal entre duas belíssimas cidades portuguesas. Nesta guerra de regiões, palavras, fotografias e vídeos são as únicas armas permitidas. A vitória!? Será decidida por ti através dos teus comentários.

No confronto deste mês vamos começar pelo início de tudo e vamos ver as diferenças e as origens dos termos “Alfacinha” e “Tripeiro”.

Alfacinhas

Os lisboetas desde sempre foram designados por “Alfacinhas”, mas a origem do termo não está esclarecida e nem é consensual.

A explicação mais facilmente aceite é a de que foram os muçulmanos que introduziram esta espécie hortícola em Lisboa durante a sua ocupação, entre os anos 711 e 714. O termo tem origem árabe e deriva da palavra “Al-Hassa“, que se transformou na palavra “alface” que hoje conhecemos. Diz-se ainda que foi o único alimento consumido pelos lisboetas durante o cerco de Lisboa, em 1147, devido à sua abundância regional e à dificuldade que havia em aceder a outro tipo de produtos.

Devido às condições geográficas propícias, as alfaces foram um dos alimentos mais produzidos em Lisboa e no vale de Loures durante séculos. As vendedoras de hortícolas utilizavam pregões como “Olha a alfacinha…!” e por isso os visitantes começaram a associar o termo “Alfacinha” às gentes de Lisboa.

O termo “Alfacinha” começa a ser popularizado por escritores como Miguel Torga, Alberto Pimentel e Aquilino Ribeiro, que o começaram a usar, na literatura, para designar os habitantes da capital.

Tripeiros

É ideia comum pensar que a alcunha “tripeiros” se deva ao facto de os portuenses serem grandes apreciadores das Tripas à Moda do Porto. E apesar de também ser verdade, a origem desse nome tem uma história que remonta os primórdios dos Descobrimentos Portugueses.

O ano era 1415, e nas margens do Douro construíam-se as naus e os barcos que estariam destinados à conquista de Ceuta, que viria a dar-se em agosto desse mesmo ano. No entanto, ninguém sabia quais as razões para tal empreendimento, o que não tardou para que boatos começassem a se espalhar: havia quem dissesse que era para conduzir D. João I, na altura Rei de Portugal, a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro; outros afirmavam que era para levar a Infanta D. Helena a Inglaterra para se casar. Os boatos eram inúmeros, mas todos errados quanto ao verdadeiro propósito da construção das naus.

Foi então que, um dia, o Infante D. Henrique apareceu no Porto para inspecionar os trabalhos e ver o quão adiantadas estavam as construções. Apesar de satisfeito com o trabalho, achou que ainda se podia fazer mais. Para isso, o Infante confidenciou ao mestre Vaz, o encarregado das construções, os verdadeiros motivos para tal empreendimento e pediu-lhe mais empenho e sacrifícios. Invocando os acontecimentos da guerra contra Castela trinta anos antes, o mestre Vaz assegurou ao Infante que iriam fazer o mesmo que tinham feito nessa altura. Com isto, os portuenses ofereceriam toda a sua carne para abastecer os barcos e ficariam apenas com as tripas.

O sacrifício de trinta anos antes havia-lhes valido a alcunha de “Tripeiros”, e agora o mesmo sacrifício voltaria a ser feito. O Infante ficou comovido com esse ato, e comentou que o nome “Tripeiros” era na verdade uma honra para o heróico povo do Porto. Graças a esse sacrifício, a frota do Infante D. Henrique, composta por seis galés e vinte naus, pôde partir a caminho da conquista de Ceuta.

Quem ganhou? Lisboa ou Porto?

Texto da autoria da Alfacinha  Inês Chaíça e do Tripeiro Tiago Costa.

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