A sessão de encerramento da oitava edição da Festa do Cinema Italiano exibiu um filme surpreendente, O Rapaz Invisível de Gabriele Salvatores, uma história de adolescentes que narra as peripécias de um rapaz especial, que descobre as suas potencialidades  de super-herói.

O rapaz invisível – 8.5

Michele é um adolescente de Trieste, Itália. Carinhoso, pouco estudioso, perseguido pelos seus colegas de turma e apaixonado pela menina mais popular da escola, o rapaz aparenta ter uma vida normal como tantos outros da sua idade. Porém quando enverga pela primeira vez um fato de super-herói na festa de Halloween, ele acredita que adquire o poder da invisibilidade, talento que dificilmente controla, criando situações insólitas e por vezes embaraçosas. Mais tarde, Michele descobre que há muito mais para além do fato e que os seus poderes foram herdados da sua verdadeira família. À distância, os pais de Michele tentaram protegê-lo duma organização criminosa, que pretende usar pessoas iguais a ele, detentoras de poderes sobrenaturais.

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Estamos habituados a ir às salas de cinema ver os super-heróis de banda desenhada da DC Comics e da Marveladaptados a filmes americanos para conquistar bilheteiras. São raras as vezes que o cinema europeu se aventura neste género cinematográfico, talvez por falta de financiamento para efeitos especiais ou mesmo falta interesse em comparar-se com o franchise americano estabelecido. Gabriele Salvatores conseguiu com mestria quebrar todos os medos e realizar um filme cinecomic com um toque de ficção científica e humor à mistura.

O realizador não quis distanciar-se completamente dos outros filmes deste género, mas usou de forma perspicaz referências a outras obras cinematográficas, como X-Men, Karaté Kid, O Homem Aranha entre outros, realizando um inteligente Rapaz Invisível. É um filme rico e hilariante, conquistando o sorriso da audiência. Graças ao ritmo frenético das cenas e à perícia da câmara, uma história que a princípio parecia pouco original torna-se numa obra única para ver e rever com toda a família. Escusado será dizer que este é claramente um dos melhores filmes de super-heróis europeus, que deveria ser um exemplo para o cinema americano baseado em comics. Há muito mais para além de grandes efeitos especiais.