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Velocidade Furiosa 7: Carros não voam

Por esta altura já não há necessidade de introduzir o universo de Velocidade Furiosa aos fãs de cinema. Mesmo os que se têm conseguido manter afastados desta série cinematográfica da Universal provavelmente já cruzaram caminho com as aventuras de Dominic Toretto, Brian O’Conner e restantes amigos. Posto isto, dificilmente irão enganados ao cinema este fim de semana com Velocidade Furiosa 7 uma vez que sabem exatamente o que oferece: carros, mulheres, cenas de luta e muita testosterona.

Todavia, o facto de esta ser a sétima iteração de Velocidade Furiosa poderia ser suficiente para a fórmula se tornar ligeiramente estanque e acabasse por cair na repetição, aborrecendo até os mais aficionados pela saga. Mesmo que isto seja verdade, seria injusto afirmar que Velocidade Furiosa 7 não é um filme divertido ou que é admirável a confiança que tem na sua própria fórmula. Mas vamos por partes.

Velocidade Furiosa 7 dá continuidade aos acontecimentos do filme anterior, isto é, com Deckard Shaw (Jason Statham) a jurar vingança aos que colocaram o irmão numa cama de hospital. Shaw dá início a uma caça aos membros da equipa de Dominic Toretto (Vin Diesel) que vê mesmo a sua casa destruída e a família colocada em perigo. Depois de saber que o amigo Han morreu às mãos de Shaw no Japão, Toretto decide ajustar as contas com o ex-membro das tropas de elite inglesas. Todavia é-lhe oferecida a ajuda da agência secreta de Mr. Nobody (Kurt Russell) para mudar a maré da batalha e transformar o predador na presa. Isto é possível graças a um programa informático, designado como Olho de Deus, para conseguir detetar qualquer pessoa em qualquer parte do mundo.

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Está lançada então mais uma nova aventura com os suspeitos do costume, nomeadamente Brian (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez), Roman (Tyrese Gibson) e Tej (Ludacris), sempre com o apoio do polícia Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson) que apesar de estar ausente durante a maior parte do filme, acaba por compensar com cenas de ação da qualidade a que tem vindo a habituar. A personagem Brian O’Conner também passa por situações interessantes, sendo que se está a habituar à vida familiar na companhia da mulher e também irmã de Toretto, Mia (Jordana Brewster) e do seu filho. Esta vida mais calma e longe dos carros e emoções fortes parece não ser suficiente para O’Conner mas a questão, que seria interessante ver mais desenvolvida, é rapidamente abandonada depois dos instantes iniciais do filme.

Há que dizer que mesmo os estreantes na série Jason Statham e Kurt Russell se fazem notar pela positiva. Statham é um vilão convincente na sua determinação por vingança e Russell mostra suficiente confiança e mistério para manter os espectadores interessados na sua personagem. Já Djimon Hounsou e Nathalie Emmanuel não conseguem destacar-se, dando a impressão que qualquer ator poderia ter sido escolhido para os respetivos papéis.

Já referi que Velocidade Furiosa 7 é um filme confiante naquilo que é: um filme de ação com cenas de luta “desmioladas”, onde parece que as leis da física não se aplicam e que o que seria suficiente para mandar qualquer um de nós desta para melhor é apenas motivo para partir uns quantos ossos. E não tem nada de mal pois Velocidade Furiosa 7 é esse tipo de filme e respeito isso. No entanto gostaria de houvesse um pouco mais de variedade na estrutura do filme. As cenas de ação são impressionantes e as lutas entre as personagens são criativas o suficiente para fazer com que não se tornem repetitivas.

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O problema, contudo, é que o filme é composto por várias cenas deste tipo. As personagens têm um plano, vão a determinado sítio no planeta, algo corre mal e está justificada a maior série de desastres que se julgava ter visto até ao momento. Neste ponto de vista, Velocidade Furiosa 7 não oferece grandes surpresas e até se porta de forma previsível. O pior deste formato é que, enquanto espectador, sinto que a duração do filme e, mesmo que tenha estado entretido até ao final, poderia ter passado sem uma ou duas cenas que se alargaram em demasia.

Felizmente os pontos altos da longa-metragem conseguem impressionar de forma constante. Quedas de precipícios, saltos em carros de arranha-céus para arranha-céus e uma luta com um drone militar que coloca toda a cidade de Los Angeles em estado de sítio são apenas alguns exemplos do que esperar. A acompanhar toda a ação está a técnica de James Wan, cuja câmara vira, revira e dá cambalhotas para acompanhar toda as cenas sem perder pitada. A realização é dinâmica, frenética e ajuda o espetador a sentir entusiasmo com o que se passa no ecrã. Wan foi sem dúvida o homem indicado para o trabalho contra tudo o que seria de esperar dada a sua experiência com filmes de terror, para os quais é necessário um estilo mais ponderado e subtil.

Enquanto espectador que cresceu com os primeiros filmes da saga, é com alguma pena que vejo a série a afastar-se do que a tornou conhecida: os carros. Não se preocupem, eles ainda estão presentes. Vão continuar a ver bólides como o Nissan GT-R e até um Lykan Hypersport mas Velocidade Furiosa 7 continua o foco na ação propriamente dita do que nas corridas ilegais, seguindo a tendência dos filmes anteriores. Por várias vezes parece que o filme regressa às raízes com cenas passadas em locais reconhecíveis como as ‘Race Wars’ do primeiro filme e até nos eventos ilegais de Tóquio do terceiro, mas tal promessa nunca é concretizada. O filme não fica mais pobre por isso mas fiquei com a sensação que foi retirada alguma identidade à saga.

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Falando em identidade, provavelmente estão a perguntar-se como é que Velocidade Furiosa 7 lida com a morte real de Paul Walker, uma das caras da série desde o seu início. Não vou contar o final, fiquem descansados, mas considero que tanto o ator como a personagem tiveram a homenagem que mereciam pelo papel que representaram na evolução da saga. Apesar de toda a sequência final parecer um pouco deslocada da história do filme, sendo óbvio que se dirige à morte do ator, não deixa de ser bonito de se ver tendo em conta a relação próxima que Vin Diesel tinha com Paul Walker.

Se gostam de Velocidade Furiosa e têm apreciado a mudança da série dos últimos filmes de corridas ilegais para cenas de açao mirabolantes não vão querer perder Velocidade Furiosa 7. É um bom filme para uma ida ao cinema com amigos, dar umas gargalhadas e passar um bom bocado. Não ficarão a pensar nas motivações das personagens ou até nas reviravoltas do enredo mas passarão um bom bocado e quando é assim pouco há a dizer mais do que bem.

7/10

Ficha Técnica:

Título: Velocidade Furiosa 7

Realizador: James Wan

Argumento: Chris Morgan

Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, Dwayne Johnson, Kurt Russell, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris

Género: Ação

Duração: 137 minutos