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Apsarases: In Memoriam

Nesta edição do Apsarases, destacamos o espetáculo In Memoriam do conceituado coreógrafo Sidi Larbi Cherkaoui. In Memoriam retrata episódios em que memória e realidade se misturam. O passado assume um papel importante no presente, e o contrario não pode acontecer?

Em 2004, Sidi Larbi Cherkaoui foi coreógrafo convidado pela companhia Les Ballets de Monte Carlo, tendo desta parceria resultado In Memoriam.

“Quando os vivos já cá não estão, tornam-se memórias… na verdade, a morte permanece connosco apenas através da memória dos vivos. Realidade não é memória e memória não é realidade. Mas recordar nas lembranças do nosso passado ajuda-nos a enfrentar melhor a realidade. Uma vez que os nossos antepassados, os nossos pais e a nossa infância definem claramente quem nós somos hoje e no que nos tornaremos amanha, pode o presente não influenciar o passado?”

Folha de sala de In Memoriam

Desde os primórdios da História da Humanidade que a dança é utilizada como uma forma de honrar os que já partiram, sendo muitas vezes utilizada em rituais. Neste espetáculo, os bailarinos utilizam o seu corpo para reviver momentos, recordar histórias e tornar o passado algo atual. Através de movimentos de atração e repulsão, explora-se o magnetismo que tanto une como afasta pontas positivas e negativa. In Memoriam fala-nos do poder da memória e de como é recordar certos episódios dos nossos antepassados, sejam esses episódios relacionados com episódios felizes ou de violência.

Este espetáculo tem uma grande carga dramática não só pelas temáticas abordadas mas também pela música utilizada. A Filetta é um grupo que se inspira na música tradicional da Córsega, fazendo uma ligação entre o passado e o atual, o que intensifica toda a significação da peça. Os figurinos de Heidi Slimane são sóbrios mas mantêm essa ligação com o passado. O cenário não é mais do que um palco fazia com projeções de fundo.

Sem quase se tocarem, as coreografias resultam quase sempre de um efeito de marioneta em que um dos bailarinos controla o outro.. Os movimentos dos bailarinos falam por si, não são necessários acessórios para que faça sentido.

Um dos momentos que merece destaque é este:

É nítida que a memória utilizada é de violência doméstica. A forma como uma mulher se subjuga ao poder de um homem que a maltrata de uma forma tão violenta impressiona quem veja esta peça. A interpretação dos dois bailarinos é incrível, assim como a força e a precisão dos seus movimentos, acompanhada pela técnica arrebatadora e sem falhas.

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