FILIPEFAISCA

ModaLisboa Curiouser – Dia 3

Mais do que curiosidade, o terceiro e último dia da ModaLisboa gerou emoção e algumas lágrimas. No início da tarde, o desfile do Filipe Faísca fez chorar grande parte dos presentes, seguindo a estreia da designer angolana, Nadir Tati, que percorreu a passerelle com a emoção à flor da pele. No final do dia, Nuno Gama relembrou e representou o significado do que é ser português.

AWAYTOMARS + Nair Xavier  | LAB

Mais do que uma apresentação de peças, o desfile de AWAYTOMARS foi a revolta contra o atual sistema da moda, devido à sua considerada falta de democracia. Trata-se, então, de uma plataforma que pretende dar aos criadores a possibilidade de expor as suas peças e aos seus utilizadores a possibilidade de as julgar. A decisão acerca da sua produção e venda cairá sobre esse julgamento.

Estreante na plataforma LAB, Nair Xavier apresentou ENDYMION, uma coleção inspirada na Antiguidade Clássica. Revelou-se então um desfile repleto de básicos, de peças oversized, cores quentes, looks monocromáticos e alguns padrões coloridos.

Filipe Faísca

A inspiração nos anos 60/70 saltou para a passerelle pelas mãos de Filipe Faísca, num dos desfiles mais marcantes da 44ª edição da ModaLisboa. Laranja, azul, preto, nude e cinza foram os tons que marcaram a coleção Darling do designer. Plissados, vestidos curtos, linhas retas, botas altas e casacos de pelo pontuaram neste desfile.

O designer traçou outro caminho além do da moda e o final do seu desfile ficou marcado pela emoção da plateia. A última caminhada das modelos foi promovida pela ação conjunta de Filipe Faísca com a Fundação Rui Osório de Castro (FROC), onde desfilaram juntamente com crianças desta instituição. Dos desenhos feitos por elas nasceram algumas peças com prints dos mesmos.

Nadir Tati

O que inicialmente parecia um desfile monótono e repetitivo, veio a revelar-se bastante colorido e diversificado. Claramente de inspiração africana, no desfile de Nadir Tati não houve uma cor da paleta que faltasse e algumas escolhas de padrões vieram a revelar-se muito duvidosas, principalmente, quando conjugados com tecidos brilhantes e de cores muito chamativas. As silhuetas dos vestidos e, nomeadamente, alguns decotes aparentavam estar mal executados, pelo que se torna difícil perceber se seguia ou não o esboço inicial. Da totalidade sobressaem dois ou três looks mais interessantes.

Kolovrat

Lidija Kolovrat apresentou a coleção Micro-Macro inspirada na conceção de que “o MACRO contém o MICRO”. Um contraste interessante entre os tons neutros, como o preto e o cinzento, e cores mais berrantes nalguns padrões orgânicos. O pied de poule regressou aos looks de Kolovrat em determinados apontamentos em forros ou bolsos. A forte aposta nos detalhes com pelo em peças mais clássicas deu um ar mais arrojado aos looks, também eles marcados por silhuetas definidas (micro) e volumosas (macro).

SAYMYNAME

Sporty chic – uma expressão que define em pleno de SAYMYNAME até porque já se sabe o que esperar de um desfile assim definido: tecidos desportivos como o algodão e outros mas silhuetas formais e elegantes. Sobressaem as franjas, que criam um efeito interessante, as  transparências e rendas, os bomber jackets, os macacões de algodão e as texturas geométricas. As cores oscilam entre o preto, o cinza, o branco e o rosa claro.

Nuno Gama

Para um evento que parecia estar a correr melhor do que em edições anteriores, a preparação do desfile de Nuno Gama fiz lembrar os velhos hábitos. Com mais de uma hora de atraso as pessoas começaram a entrar na sala, que rapidamente lotou, instalando-se o caos logo a seguir. Os lugares não era suficientes para a quantidade de gente que queria assistir ao desfile do designer, que já nos habitou a ter a sala cheia, obrigando até que alguns amantes da moda ficassem de pé. Quando finalmente começou o espetáculo (sim, espetáculo!) Nuno Gama contou a sua própria versão d’ “Os Lusíadas” com criações repletas de negro com apontamentos dourados e vermelho escuro, a lembrar o tempo dos reis. Era notório o contraste entre peças mais clássicas típicas das dinastias com outras mais modernas com prints relacionados com os Descobrimentos.  Com a participação de várias caras conhecidas como Pedro Teixeira, Ricardo Carriço, os irmãos Guedes, Pedro Barroso e Paulo Pires, Nuno Gama não deixou ninguém indiferente num desfile teatral que marca esta edição da ModaLisboa. Depois de desfilarem ao som de fado, a sala juntou-se numa só voz para entoar o hino nacional.

 

Pedro Pedro

Esta edição da ModaLisboa não podia ter acabado de melhor forma. Do desfile de Pedro Pedro  destacam-se looks maioritariamente monocromáticos, alternando entre tons da mesma cor,  peças intencionalmente alinhavadas, dando o efeito de “por acabar” e ainda, sobreposições de peças. A fazenda dominou nos tecidos usados, surgindo em saias, calças e bomber jackets. Também as rachas, que apareciam em várias peças, desde saias,  vestidos a camisolas, marcaram este desfile.

Assim, acabou  mais uma curiosa edição da ModaLisboa, marcada pela curiosidade mas, também, pela resposta à mesma. Algumas expectativas foram correspondidas, outras superadas e ainda algumas, felizmente, a minoria ficaram muito aquém.

Texto por Carolina Branco e Francisca Real

Fotografia por Catarina Veiga e Inês Delgado

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