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Passo a Passo com Isadora Duncan

O Passo a Passo deste mês fala-nos de Isadora Duncan, uma bailarina norte americana do século XIX que criou a dança moderna. Duncan foi uma revolucionaria que discordava da rigidez do ballet clássico e das normas da sociedade, apelando à libertação do espírito e à comunhão com a natureza.

Nascida em 1877 na California, Angela Isadora Duncan esteve desde pequena ligada à dança. É considerada uma das mães da dança moderna, por ter sido umas das primeiras bailarinas a optar por dançar descalça, afastando-se do rigor da técnica clássica e sendo apologista do movimento natural do corpo.

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Vida

Isadora Duncan é a filha mais nova do casal Dora Gray Duncan, pianista e professora de música e Joseph Charles, poeta que se separaram quando Isadora tinha apenas três anos o que influenciou muito a sua visão do mundo. Começou a ter aulas de ballet clássico aos quatro anos e aos onze já tinha um estilo pessoal muito próprio, que permitia desenvolver movimentos de improvisação e mais espontâneos.

Na sua autobiografia, Duncan descreveu que se sentia como uma marioneta nas aulas de ballet, sendo que os movimentos era produzidos de forma artificial, não nascendo da alma. Em 1899, partiu para a Europa para se afirmar como bailarina, tendo alcançado grande sucesso assim que se apresentou em Paris em 1902, ganhando logo notabilidade mundial. Isadora era considerada um espírito livre e revolucionário. Isadora chocava o público em muitas das cidades por onde passava, tendo cortado relações com os Estados Unidos da América quando partiu em tourné pela Rússia, onde estabeleceu boas ligações com intelectuais soviéticos, não tendo regressado nunca ao seu país de origem.

Em 1913 dois dos seus filhos morreram por afogamento e em 1925 o seu marido cometeu um suposto suicídio. Isadora nunca ultrapassou estes dois trágicos acontecimentos, tendo caído numa espiral depressiva até ao fim dos seus dias.

Isadora Duncan morreu em 1927 num trágico acidente de viação. A sua longa echarpe ficou presa numa das rodas do seu automóvel descapoável que originou a sua morte. A morte desta bailarina não é certa, não se sabendo se foi por estrangulamento ou decapitação.

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Bailarina

A dança de Duncan era muito inspirada pelas tradições da Grécia Antiga, refletindo sempre os ideias gregos da beleza, filosofia e humanidade. Isadora apresentava-se sempre com túnicas gregas e os próprios movimentos imitavam as estátuas deste tempo. Segundo a própria bailarina, a sua dança era um fenómeno natural, não uma invenção mas sim uma redescoberta dos princípios clássicos da beleza, movimento e forma.

Como uma defensora da liberdade e da revolta, a sua dança nascia de um impulso das vicissitudes da vida sendo por isso fonte de inspiração para muitas pessoas. Duncan focava-se nos movimentos naturais e na sintonia com a natureza, evitando o rigor e a disciplina do ballet clássico. Duncan é vista como a criadora da dança moderna, que se carateriza pelas contrações e relaxamentos, pés completamente assentes no chão, respirações profundas e muito trabalho de chão. A nível de apresentação em palco, Duncan dançava sempre descalça, com cabelos soltos e com túnicas esvoaçantes.

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 Obra

Duncan foi vista como uma feminista, uma vez que em plena  época vitoriana, se declarava  uma mulher totalmente autónoma, que não acreditava no casamento e que tinha relacionamentos com vários homens, dos quais resultaram dois filhos. Abriu escolas nos estados Unidos, Alemanha e Russia tendo desenvolvido assim uma nova categoria de dança: a Dança Moderna.

Foi através da sua escola alemã que em 1905 Isadora criou a sua companhia formada apenas por raparigas: The Isadorables. Juntamente com a sua irmã foi desenvolvendo o seu trabalho, mas teve de desistir da companhia por falta de fundos.

Por esta altura, já Duncan era vista como uma celebridade da dança, assumindo destaque no panorama artístico e cultural da altura. Auguste Rodin, Michel Fokine,Vaslav Nijinsky e Gertrude Stein prestaram – lhe um tributo em forma de escultura, coreografia e até poesia.

Isadora marcou também o mundo da dança por utilizar peças musicais de Chopin, Beethoven  Tchaikovsky que até à data eram apenas usada para apreciação musical, não podendo por isso ser dançadas.

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