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No fundo o que o Hardwell queria era ser português

Ele foi considerado o melhor DJ do planeta pelo segundo ano consecutivo, segundo a DJ Mag. Ele esteve no ano passado em Portugal, no MEO Sudoeste, e já em finais de 2013 tinha brilhado no MEO Arena, local onde voltou na noite passada para mais um espetáculo cheio de luzes e perante uma plateia cheia. Hardwell voltou a Lisboa e mostrou a razão pela qual é considerado o melhor nome da música eletrónica atual.

As filas à porta do MEO Arena já se começavam a formar desde manhã cedo e eram muitos os milhares de jovens (e graúdos) que há muito que esperavam por este dia. A correria para as primeiras filas foi uma constante, mal se abriram as portas, para que todos pudessem ficar o mais perto possível do palco, que, apesar de pequeno, estava bem perto do público, o que é sempre algo positivo.

Em 2013, Dannic foi o DJ escolhido para fazer o warm up de Hardwell, mas este ano as honras couberam a Kill the Buzz. O músico que pertence também à Revealed Recordings, a mesma produtora de Hardwell, beneficiou do facto de ter um público ansioso e que ainda aderiu à sua música nos primeiros minutos, mas depressa acalmou os ânimos ao perceber que teria de poupar esforços para o que viria a seguir.

Kill the Buzz, para além de ter estado tempo demais em palco, sofreu com o facto de ser apenas o aquecimento do DJ principal, significando isso que não pôde utilizar uma grande variedade de músicas que certamente teriam dado outro brio ao seu set.

«We Are United. United We Are»

Claro que estavam todos à espera do momento em que Hardwell iria assumir o controlo da mesa de mistura. A introdução do espetáculo de Hardwell começou já perto das 23h e prolongou-se até às 2h30, sensivelmente. Tal como tem vindo a ser hábito nesta sua nova tour, a música de início escolhida é precisamente a United We Are. Poucos segundos depois do arranque, lá estava ele, com a camisola de Portugal que a Mega Hits lhe ofereceu no início do espetáculo.

http://www.youtube.com/watch?v=6EPB6L2x74U

Quem pensou que o concerto iria ser uma demonstração do novo álbum de Hardwell saiu de lá enganado. Em parte enganado. A verdade é que era impossível estar a atuar durante cerca de três horas apenas com músicas suas, muitos poucos DJs (ou nenhum mesmo) o conseguem fazer.

Contudo, Hardwell conseguiu criar um set dinâmico e que misturou músicas novas – algumas até ainda nem lançadas – com outras, também da sua autoria, mais antigas, e ainda outras produções de colegas de profissão. Aliás, alguns dos momentos mais vibrantes da noite foram até ao som de músicas como Under Control (Calvin Harris & Alesso), Outside (Calvin Harris, Hardwell Remix) e de Sky Full of Stars (Coldplay), música com a qual o DJ natural de Breda aproveitou para subir à bancada para mostrar o cachecol de Portugal.

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De resto, as músicas mais recentes estiveram também lá: Colors, Eclipse, Area 51, e Don’t Stop the Madness foram os principais destaques. Hardwell esteve sempre atento ao ritmo que o público ia tomando e manteve-se bastante comunicativo do princípio ao fim – foram precisas apenas duas músicas para que dissesse “Portugal, I love you!”, e em vários momentos se ouviu em alto e bom som “braços no ar!”. Sim, em português.

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Os momentos finais foram planeados com o maior dos detalhes e tudo correu na perfeição. Depois de alguns momentos de maior “nostalgia” com Apollo, HeroesHow We Do, Hardwell voltou a subir para a bancada ao som de Pursuit of Happiness para exibir não um cachecol, mas desta vez uma bandeira de Portugal. Queremos que saibas que podes mudar a tua nacionalidade quando quiseres e nós recebemos-te bem, Robbert*. Ou Roberto.

Por fim, quando a música parou e toda a gente pensou que o espetáculo teria chegado ao fim, Hardwell anunciou mais uma música. Mas a verdade é que não foi uma, foram duas. Nada mais, nada menos que Hangover e Wegue Wegue, ambas da banda portuguesa Buraka Som Sistema, um truque já tinha sido adotado na sua última atuação no MEO Arena e que voltou a deixar uma boa imagem do DJ de 27 anos.

Com muita pirotecnia e um ecrã gigante a exibir constantemente imagens, Hardwell cumpriu com a sua palavra quando disse que a sua nova digressão ia trazer elementos nunca vistos. Mas importa deixar uma última nota: é totalmente impossível manter a animação do princípio ao fim num concerto de três horas de música eletrónica, onde os saltos e o movimento são bastante frequentes. Talvez o músico devesse repensar a forma dos seus concertos para que as pessoas que compram bilhete saiam igualmente satisfeitas sem a necessidade de sair com dores nas pernas.

Ele vai voltar

Ainda antes de entrar para o palco, Hardwell deixou escapar uma informação que talvez não devesse ter sido revelada antes: à semelhança do que aconteceu em 2014, o jovem holandês vai ser um dos cabeças-de-cartaz da edição deste ano do Meo Sudoeste.

Fotos: Catarina Veiga

* – o nome verdadeiro de Hardwell é Robbert Van de Corput.
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