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Dia da Mulher: Mulheres que mudaram a imagem do corpo na dança

Em palco, os intérpretes estão constantemente expostos aos olhares de um público e à sua opinião . Muitas vezes, essas opiniões provêm de ideias preconcebidas e podem causar alguma discriminação. No dia em que se relembram as lutas e conquistas sociais das mulheres ao longo da história, é conveniente  recordar como essas lutas também têm figurado na dança. Na disciplina onde a principal matéria é o corpo, nem sempre tem sido fácil a exposição da cor, do peso e do movimento. As mulheres que te apresentamos tiveram a coragem de atuar contra certos preconceitos, imposições do setor e conceções sociais. Elas mudaram e mudam o mundo da dança.

Isadora Duncan (1877-1927)

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Isadora Duncan foi a primeira bailarina que ousou dançar descalça, com túnicas largas, cabelo mais solto e com cenário composto apenas por uma cortina. Isadora utilizava movimentos improvisados inspirados no vento, nas plantas e nos animais. Figuras de dançarinas nos vasos mitológicos também contribuíram para a sua dança, assim como a alternativa a certas conveções do ballet clássico. Isadora também arriscou interpretar músicas até então nunca dançadas, como as de Wagner, Chopin ou Beethoven.

Martha Graham (1894-1991)

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Martha Graham é conhecida por ter revolucionado a dança no século XX. De facto, tem uma técnica ainda utilizada nos dias de hoje com o seu próprio nome: o método Graham. Esse método consiste na contração e na intensa relação entre a respiração, movimento e chão. Martha desenvolveu este método na observação da dor e do sofrimento humano. O centro do corpo é a origem do movimento e a própria acreditava que o centro era a origem da vida, sendo aqui que as emoções se visualizavam pela primeira vez.

Pina Bausch (1940- 2009)

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Um dos grandes nomes da dança-teatro tinha de estar nesta lista. Pina é distinguida pela sua metodologia, que consistia em questões feitas aos seus intérpretes. As primeiras obras da coreógrafa foram muito mal recebidas. O público, que estava habituado a peças de ballet clássico, estranhou intérpretes que questionavam o público ou utilizações do corpo mais mecânicas e muito mais semelhantes com o quotidiano. Muito desse público reconhecia-se em palco e é essa sensibilidade que diferencia Pina.

Raven Wilkinson (1935-) e Misty Copeland (1982-)

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Raven Wilkinson foi a primeira bailarina afro -americana a ter um contracto a tempo inteiro numa companhia de dança americana. Misty Copeland é uma das primeiras solistas do American Dance Theatre numa história de 75 anos da companhia.

Melissa Anduiza

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Numa entrevista à Dance Magazine, Melissa Anduiza confessou as suas lutas com o peso. A bailarina tem mais peso que a maioria das bailarinas e isso deve-se à sua própria genética. Os seus pais têm uma estrutura mais ‘avantajada’. Para o problema das desordens alimentares na dança, Melissa participou no projeto Strength and Beauty, um documentário sobre o peso, a gravidez e as relações pessoais de uma bailarina.

Tamara Rojo (1974-)

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A ex bailarina e Diretora Artística do English National Ballet deixou bem claro, numa entrevista em 2012, que não está interessada em empregar bailarinas abaixo do peso saudável. Tamara admite que odeia que as mulheres não pareçam reais, tanto na dança, como na moda ou na política.

Rachel Sherak

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Desde muito nova que Rachel Sherak sabe que tem escoliose. Este foi um grande obstáculo na carreira de Rachel, mas não a fez parar. A bailarina afirma que nunca vai poder fazer um Cisne Branco, não é muito flexível, nem salta muito alto. Contudo, tem energia e presença em palco. É esta a diferença que a faz única.

Jenifer Ringer

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Em 2010, uma crítica do The New York Times aconselhava Jenifer Ringer a perder uns quilos. Nessa altura, a bailarina começou um debate sobre as desordens alimentares e pressões no mundo da dança. Em entrevistas, Jenifer admitiu como a sua auto-estima e identidade foram afetadas pelas imposições do mundo da dança. A bailarina pede aos profissionais da dança e ao próprio público que mude a visão que tem do corpo na dança e escolha uma nova estética.

Ebony Williams

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Ebony Wiliams é uma bailarina comercial e clássica. Provavelmente, deves reconhecê-la do videoclip Single Ladies de Beyoncé. Esta bailarina tem falado muito sobre o corpo das bailarinas, nomeadamente sobre a sua cor. Para a bailarina, todas as mulheres têm algo de especial, basta saber encontrar essa particularidade. Ebony afirma que não temos de nos olhar com os olhos dos outros, devemos sentir-nos confortáveis connosco próprias. Ebony encontra quer na sua cor de pele como em outros traços uma forma de ser ela própria em palco.

Kathryn Morgan

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No final de 2014, Kathryn Morgan sofreu uma doença relacionada com a tiróide, o que a fez ganhar peso. A bailarina acabou por deixar a New York City Ballet, onde trabalhava. Após esta situação, Kathryn criou um canal no Youtube onde incentiva as jovens bailarinas a celebrarem a dança e a aproveitaram a diversidade corporal. Recuperada do seu problema da tiróide, a bailarina está atualmente à procura de um lugar numa companhia europeia.

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