Esta quinta-feira Portugal escolheu o segundo grupo de canções para a final do Festival da Canção, a emitir sábado na RTP. Teresa Radamanto, Simone de Oliveira e José Freitas foram os eleitos. 

A noite começou calorosa com a presença de Lúcia Moniz e Eládio Clímaco, bem mais à vontade que o desastrado duo composto por António Calvário e Suzy na primeira eliminatória. E este era só um começo de uma gala com tudo para ser melhor que a de terça-feira: Sílvia Alberto e José Carlos Malato são uma dupla obviamente superior àquela composta por Joana Teles e Jorge Gabriel. E sem precisarem de adereços cénicos no vestido.

As apuradas

Teresa Radamanto participa pela terceira vez no Festival da Canção, sem ter conseguido ganhar em nenhuma das duas anteriores tentativas. Um Fado em Viena traça o género português com a valsa, numa mistura bem feita e interpretada com personalidade e impacto pela cantora. Há melhorias a fazer, nomeadamente na nota final, que saiu tremida e longe da perfeição. Até sábado, há que reforçar a confiança e treinar os pormenores. Passa pelo voto do público e é um apuramento merecido.

Simone de Oliveira pisou pela sexta vez o palco do Festival. A intérprete, que já representou Portugal por duas vezes no Festival da Eurovisão (1965 e 1969), é hoje bem diferente da Simone que encantou o país nos anos 60.

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A voz, agora grave e mais madura, deu cor a um poema belíssimo acompanhado por um instrumental cheio de classe. Sabemos que esta não é canção para o Festival, nem é isso que se pretende com esta participação. À Espera das Canções foi executada com magnetismo singular e demonstra que não há idade que apague o carisma de uma verdadeira estrela. Segura e a viver o momento com notável entusiasmo, esta é a mulher que Portugal conhece e admira. É impossível ficar indiferente a alguém que encarna na própria pele a história do que somos e que o faz com puro talento. Uma lenda viva.

José Freitas é uma das mais potentes vozes masculinas em Portugal, mas não teve canção à altura. Mal Menor é uma canção que não faz uso do intérprete que tem e que não fica no ouvido. Muito plana e facilmente esquecível, não chegaria sequer para tocar na abertura do Oceano Pacífico. É uma pena, o ex-concorrente do Factor X seria um bom cantor para nos representar.

As eliminadas

Rubi Machado caiu de pára-quedas no Festival com uma canção que, sendo divertida, teve uma interpretação quase sempre a medo. Os tons country dispuseram bem a sala, mas esta percebeu rapidamente que a canção estava ali para apenas uma noite: a da semifinal. Ninguém se vai lembrar amanhã.

Filipe Gonçalves ficou injustamente pelo caminho. O tema, da autoria de Heber Marques, é muito representativo da atual música portuguesa e faria todo o sentido na final. O Festival da Canção rejeita aqui um passo de contemporaneidade e uma canção que tem tudo para ser um sucesso nas rádios nacionais. Bem disposta, bem cantada e contagiante. Temos muita pena que a Joana não dance na final e que nós não possamos, sequer, bater o pézinho.

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Não é só a barba de Carlos Massa que está mal. A música que ele fez para Diana faz tanto sentido no Festival como uma garrafa de ácido sulfúrico no armário das bebidas. Antiga e sem originalidade, nunca serviu para explorar o potencial vocal da artista. A apresentação em palco deitava 90s (dos maus!) por todo o lado. A cantora tentou fazer o melhor para se mostrar numa canção fraca que, na voz dela, ficou ainda mais diminuída. Outro desperdício.

Relembrar Lúcia Moniz fez parecer tudo pior nesta noite de Festival 2015. É certo que houve edições muito piores, mas pôr o certame deste ano lado a lado com a canção que em 1996 nos levou ao 6.º lugar no Festival Eurovisão coloca-nos perante uma realidade demasiado cruel.

Portugal escolhe o representante deste ano no próximo sábado, a partir das 21h25 na RTP1. Ajuda a decisão e comenta as atuações da noite com a hashtag #FestivalnoEF. Contamos contigo!

Fotos: Pedro Pina, RTP.