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Festival da Canção: Fado, pop-rock e lembranças na primeira semifinal

A primeira semifinal do Festival da Canção, emitida esta terça-feira, terminou com o apuramento de Leonor Andrade, Yola Dinis e Gonçalo Tavares. Assinala-se em 2015 a 50.ª edição do evento, que continua a autointitular-se “a grande festa da canção portuguesa“. 

Numa noite em que, reconheçamos, a qualidade esteve acima da registada em 2014, o certame voltou a encolher. A RTP emitiu o evento a partir de um estúdio ao melhor estilo caixa-de-fósforos e, entre os concorrentes, não esteve ninguém que, nos últimos 20 anos, tenha conseguido entrar no top20 de singles. Alguns até porque não têm idade para isso.

Os apurados

Leonor Andrade foi a primeira a ser revelada como escolha do público e confirmou-se uma boa aposta de Miguel Gameiro. Telegénica, segura e com muito amor ao que estava a fazer, interpretou com garra ‘Há um mar que nos separa‘. Longe de estarmos perante um colosso feito à medida da Eurovisão, temos aqui uma música agradável, que não teremos vergonha de ouvir em público e que empresta juventude a um evento que desespera por ar fresco.

Yola Dinis conseguiu, sem surpresa, o apuramento através do televoto. Num estilo próximo do de Vânia Fernandes, vencedora do FC 2008, entregou com profissionalismo e indisfarçável emoção um fado épico e robusto inteiramente feito à sua medida. Na sala foi a única a despertar aplausos de pé e é uma música com toda a cara de Festival da Canção.

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Gonçalo Tavares, sobrinho de José Cid, traz-nos um tema que ficaria a matar num Festival transmitido algures nos anos 80. Foi a escolha entre compositores, que decidiam um dos nomeados à final, e pareceu-nos opção estratégica dos pares. Longe de ter a mágica – e que mágica! – que Portugal precisa para ter esperança num bom resultado. Datada e descontextualizada da música e da televisão em 2015, é um erro de casting, servindo de homenagem, e colagem, a Cid.

Canções eliminadas

Augusto Madureira, pivô da SIC Notícias e compositor da canção vencedora no FC 2010, voltou a arriscar a sorte com A Noite Inteira. O tema mais dance da noite esforçou-se tanto na pista que acabou por parecer gasto. Entre voltas e contravoltas, duas subidas de tom (porque só uma não chegava!) e uma letra que fala sobre saltar fogueiras, Filipa Baptista não conseguiu convencer o público. Uma manta de retalhos musical, sem coesão ou linha orientadora. Haverá outras oportunidades.

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Sara Tavares foi um dos regressos deste ano, como compositora de Lisboa Lisboa. O tema com melhor vibe da noite teve uma interpretação segura da Rita Seidi, que mostrou carisma e iniciou com alegria a edição 2015 do Festival da Canção. Não sendo propriamente memorável, pode ter sido prejudicada por ser a primeira da noite ou mesmo por ser uma canção ligeira no meio de músicas puxadas para o espetáculo. Da nossa parte fica a nota que foi contar com esta leveza e festa de lusofonia!

Adelaide Ferreira cantou Paz, mas sem grande harmonia na voz ou na presença. Instrumentalmente começa bem, perante um fundo dourado a lembrar Conchita Wurst, mas não precisamos de muito tempo para entender que há muitos motivos para que não voltemos aonde fomos felizes. Enquanto intérprete (e mesmo enquanto letrista), Adelaide sai diminuída e como uma sombra daquilo que deu ao Festival. Paz podia ter sido um interval act e ninguém levava a mal.

Esta quinta-feira, o Festival regressa pelas 21h20 com mais seis semifinalistas. Entre eles conta-se Simone de Oliveira, que comemora 50 anos da sua primeira vitória, com Sol de Inverno. Para acompanhar em direto na RTP1 no minuto-a-minuto do Espalha-Factos, usando sempre a hashtag #FestivalnoEF.

Fotos: RTP

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