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Apsarases: Minus 16

Nesta edição de Apsarases, damos destaque a Minus 16, peça que em breve será reavivada pela Companhia Nacional de Bailado, inserida no Programa de Homenagem ao Ballet Gulbenkian.

Minus 16, do israelita Ohad Naharin, é uma peça de dança contemporânea estreada em 1999 pela Batsheva, companhia de dança que funciona em Tel Aviv e da qual o coreógrafo é diretor artístico desde 1990.

Ohad Naharin recebeu formação de Martha Graham e frequentou escolas como a Julliard e a School American Ballet. Mas foi na Companhia do seu país que desenvolveu muita da sua técnica e método de trabalho, quebrando com algumas das práticas habituais, nomeadamente com a invenção do movimento Gaga. Neste movimento,  os bailarinos desafiam-se até ao limite da sua resistência e flexibilidade do seu corpo.

O coreógrafo israelita não permite que os seus bailarinos ensaiem em frente a um espelho, pois defende que isso lhes inibe o movimento e, sem um espelho, dançam mais e pensam menos naquilo que estão a fazer e como o estão a fazer.

Para esta peça, Naharin usou músicas que vão desde o mambo a canções de Dean Martin, passando pelo tecno e pela música tradicional israelita, o que ajuda a tornar o trabalho ainda mais eletrizante e arrebatador, tanto para quem vê, como para quem dança.

Logo no início da peça, Naharin oferece-nos um dos – melhores – momentos mais emocionais e violentos de todo o Minus 16. Vestidos com fatos, os bailarinos estão sentados em semicírculo, desempenhando os mesmos passos repetidamente e acrescentando novos passos à medida que a música vai num crescendo. Na altura do refrão, e depois de atiraram os corpos para trás, quase como tivessem sido alvejados, entoam-no em hebraico, enquanto que um dos bailarinos – sempre o mesmo – se atira para o chão e se levanta para voltarem a fazer os passos.

Em Minus 16 também há espaço para a improvisação e para o envolvimento do público, que é convidado num breve segmento da peça para subir ao palco e dançar com os bailarinos.

Além disso, há ainda que destacar os duetos que ajudam a compor a peça, principalmente o que é dançado ao som de Nisi Dominus, de Vivaldi. Ouvir o compositor clássico no meio de todas as sonoridades da peça enquanto se vê um dos duetos contemporâneos mais difíceis de interpretar – principalmente pela metade masculina – é um dos excelentes contrastes que a peça oferece ao público, enquanto a química sexual é explorada sem nunca cair no mau gosto .

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Está disponível no YouTube a peça completa, mas aconselhamos que vejam ao vivo. O israelita Ohad Naharin é um dos grandes mestres do nosso tempo e as suas peças merecem ser experienciadas na totalidade.

https://www.youtube.com/watch?v=Bk-odQ-23_4

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