Quer gostemos ou não, As Cinquenta Sombras de Grey é um filme polémico que todos querem ver, nem que seja pela curiosidade de dar um veredito: é bom ou mau? Para um filme tão popularizado, uma só crítica não chega, pois como o próprio nome indica existem várias sombras da mesma cor. Aqui teço a crítica a um dos filmes mais badalados deste ano.

Foi um sucesso de bilheteira logo na primeira semana em que estreou, As Cinquenta Sombras de Grey é um fenómeno inabalável não só pelo livro que vendeu milhões, mas também pelo filme que levou um número exorbitante de fãs ao cinema. Contudo a questão levanta-se será que vale mesmo a pena ir vê-lo?

Para começar a história não é assim tão atraente como a máquina publicitária sugere. Um homem bem-sucedido conhece uma rapariga humilde e ambos apaixonam-se perdidamente só pelo olhar. A típica história boy meets girl, em que ele é o alvo de desejo de todas as mulheres e ela, a menina que passa despercebida. Quantos filmes têm esta história como fundo? Inúmeros.

61830

Não há conflitos nem nós extraordinários na trama e apenas uma pergunta se mantêm ao longo do filme: será que Anastasia vai entrar nos jogos de dominação de Grey? A história centra-se só neste dilema e, por conseguinte o resultado torna-se naturalmente previsível.

O que acontece pelo meio são apenas explorações visuais do que potencialmente o sadismo poderia ser, contudo essa perspetiva não é devidamente desenvolvida. O que vemos é apenas sexo com um toque de soft bondage, levando o público erroneamente a pensar que o sadismo se resume àquilo e que afinal não é assim tão mau.

A personagem de Grey tinha grande potencial à partida, devido ao seu passado negro, contudo no filme ficamos apenas com pequenas narrações dos seus traumas, que contradizem muito as suas atitudes românticas. Existe muita inconsistência na construção da figura intocável de Grey. Por um lado, ele comporta-se como um namorado extremoso que aceita e retribui carinhos, por outro, o passado negro irrompe, tornando-se frio e distante, impedindo-o de amar. Essa inconstância surge por conveniência durante o guião, sem uma justificação plausível.

As-Cinquenta-Sombras-de-Grey

Apesar do argumento e das personagens pouco ricas, o filme tem também algum mérito, especialmente na parte musical e técnica. O melhor do filme é sem dúvida a banda sonora, que reuniu grandes nomes do mundo da música, como é o caso do remix de Crazy in Love da Beyoncé, com uma vibe mais sexy e envolvente.Para além disso, a edição foi apesar de tudo bem conseguida. Os cortes entre cenas e os planos sugestivos criam um certo suspense, principalmente nas cenas mais eróticas, em que o público torna-se num voyeur da dinâmica sexual do casal, vendo tudo sem realmente ver.

As Cinquenta Sombras de Grey são mais cinzentas do que aparentam e a prova está num filme com muito pouco conteúdo, uma história demasiado simples e um enredo pouco cativante, que ganha por dar alguma música, materializando um livro best-seller. É um filme que passa pelos pingos da chuva, nem é bom nem é mau. Ficamos para ver se as próximas sequelas terão o mesmo sucesso ou não.

Para lerem a crítica de José Pereira sobre o mesmo filme acedam às Cinquenta sombras de uma crítica.

 5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Fifty Shades of Grey
Realizador: Sam Taylor-Johnson
Argumento: Kelly Marcel (argumento), E.L. James (romance)
Género: Drama, Romance
Duração: 125 minutos