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Oscars na SIC? É para continuar

Há já alguns anos que acompanho a cerimónia dos Oscars. É mais um daqueles espetáculos que dificilmente seria o mesmo sem o toque dos americanos e, com isto, acabo por dizer que há coisas boas e coisas más em ser assim. Se é verdade que os Oscars são um evento que consegue atrair milhões, não só no mercado interno como em todo o mundo, não é menos verdade que em muita coisa estão adaptados ao país de origem. Estou-me a lembrar, por exemplo, da eterna questão do elevado número de intervalos comerciais. Aceito. Porém, não concordo. Mas isso são outros tostões. Esses, são hoje dedicados à transmissão portuguesa da cerimónia de entrega das estatuetas douradas.

Este ano coube à SIC presentear os espetadores com as tropelias de Neil Patrick Harris a partir do Dolby Theatre, em Los Angeles. O canal de Carnaxide destronou a rival de Queluz, a TVI, e garantiu os direitos para Portugal. As expetativas foram bastante elevadas e a curiosidade sobre que tratamento iria a SIC, estação estreante nestas andanças, dar ao espetáculo que durante mais de uma dezena de anos foi exclusivo do quarto canal, foi acima da média. A análise? Aprovada com distinção. Mas vamos por partes.

É um facto que as mudanças fazem bem, quanto mais não seja para agitarem as águas do audiovisual. A TVI tinha-se acomodado à transmissão dos Oscars de uma maneira tal que, ano após ano, poucas ou nenhumas novidades foram apresentadas. Os comentadores eram os mesmos todos os anos. A promoção em antena e nas redes sociais fora sempre pautada pelos serviços mínimos. A qualidade de transmissão e dos comentários deixava a desejar. Às tantas qualquer alteração mínima que fosse poderia ser vista como uma pequena grande revolução. A SIC tratou de fazer isso tudo. E que bem que fez.

Joao-Lopes

O crítico de cinema do Diário de Notícias foi um dos comentadores de serviço na noite da SIC

Primeiro que tudo foi uma aposta ganha a transmissão da cerimónia original, ou seja, no formato de origem (16:9) e sem comentários para complementar as imagens, quer no canal SIC Caras (exclusivo da plataforma NOS) quer na internet para todos os utilizadores, para além da emissão tradicional no canal três, com comentários e com o formato adulterado (4:3 em letterbox). Pela primeira vez, os espetadores podiam escolher, sem a necessidade de recorrer a streams manhosos, como queriam assistir aos Oscars.

Na transmissão da SIC, a presença constante dos rodapés, útil e incomodativa ao mesmo tempo, foi uma forma aceitável de minimizar os comentários dos apresentadores de serviço: Sofia Rato e João Lopes tiveram assim a tarefa facilitada na análise do que estavam a ver em direto. Curiosidades sobre cerimónias anteriores, estatuetas já entregues e que faltavam ainda entregar, tudo foi surgindo na parte inferior do ecrã.

Por último, os comentadores propriamente ditos. Que agradável surpresa. A minha aposta assentava em Reinaldo Serrano, jornalista veterano para a análise em direto dos Oscars, mas a escolha da SIC recaiu em João Lopes, um dos mais reputados críticos de cinema de Portugal.

Os comentários, bastante pertinentes, recaíram sobretudo nas fitas que os atores haviam feito no passado, nos óscares para os quais estiveram nomeados e venceram, ou não, e para factos sobre os filmes que estavam nomeados para este ano. Sofia Rato, por seu turno, foi um grande apoio na condução da transmissão. Apesar de mais centrada no chamado celebrity gossip, não descurou as atualizações das estatuetas atribuídas ao longo da noite e ajudou João Lopes nas análises aos prémios entregues.

Mas a nota mais positiva da noite vai para um simples aspeto: durante as mais de cinco horas de emissão não houve em momento algum qualquer aposta para cada Oscar. Esta era uma das falhas recorrentes da concorrência, que dizia sempre quais os prováveis vencedores, e aqui, quer João Lopes quer Sofia Rato, conseguiram sempre manter o suspense ao longo da cerimónia. Muito bem.

Para o ano há mais e, pela amostra deste ano, que os direitos de transmissão se mantenham na mesma estação.

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