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GUIdance 2015: ‘A Tecedura do Caos’ – um clássico também é contemporâneo

A 5ª quinta edição do GUIdance chegou ao fim com a estreia nacional de A Tecedura do Caos de Tânia Carvalho, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor.

A coreógrafa portuguesa apresentou finalmente o seu novo espectáculo no país, sendo esta peça baseada na Odisseia de Homero.  A Tecedura do Caos não vem contar a história de Homero, vem sim realçar o lado mais emocional e dos sentimentos que pode passar um pouco despercebido a quem lê a obra.

“Toda a sensação de tenacidade e de persistência inexorável  inerente às personagens irá trespassar os movimentos dos bailarinos, quando se deixam cair no chão para logo se levantarem, quando se retraem apenas para ressurgirem de novo, incessantemente – insistentes, incansáveis, implacáveis. A possessão que se apodera dos corpos aumenta até ao limite do tumulto e da loucura, até que se dissolve de novo e cede. É pura reciprocidade da eclosão e do apaziguamento.”

Este espetáculo não tem uma ordem ou um fim condutor que leva à criação de uma história, vivendo sim de paradoxos e inconstâncias em que um bailarino pode representar uma massa, ou todo o corpo de baile representar uma só personagem.

tecedura do caos

Em A Tecedura do Caos, os corpos contavam história e mostravam sensações. Sem que houvesse falas, Tânia Carvalho conseguiu transformar uma obra clássica numa peça contemporânea, onde nada é evidente e o abstrato apesar de estar bem presente, é tambem facilmente interpretado pelo público.  Esta coreógrafa aproveita a relação entre a imagem e o impacto que esta pode produzir através dos movimentos coreográficos dos 12 bailarinos para criar uma máquina de manipulação visual cujo impacto é imenso.

Nesta peça, o desenho de luz e a música têm um grande contributo para o efeito total da obra. Até mesmo os figurinos que fazem muito uso das transparências e  o excessivo uso do nu não choca nem os mais cépticos, uma vez que funciona em harmonia e completam-se. Em conjunto, estes três elementos juntam-se ao corpo dos intérpretes, todos eles com um grande poder expressivo, construindo ao longo do espetáculo uma imagem conjunta abstrata e em constante transformação.

Tânia Carvalho possui uma capacidade única de transformar a simplicidade e naturalidade das coisas em algo complexo e abstrato. O seu poder de manipular as imagens é especialmente evidente neste espetáculo, quando através de momentos de congelamento de imagem, cria autênticas fotografias carregadas de expressão dramática e de história, apesar do movimento nulo .

Coreografia: Tânia Carvalho

Bailarinos: Anton Skrzypiciel, Allan Falieri, André Santos, Bruno Senune, Catarina Felix, Cláudio Vieira, Gonçalo Ferreira de Almeida, Leonor Hipólito, Luiz Antunes, Luís Guerra, Maria João Rodrigues e  Petra Van Gompel

Música: Ulrich Estreich

Cenografia de luz: Jorge Santos

Figurinos: Aleksandar Protic

Desenho de luz: Zeca Iglésias

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o espetáculo estará também em cena no Teatro Maria Matos.

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