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Com as Trouxas da Malveira as calorias valem a pena

A Fábrica das Trouxas da Malveira é muito mais que um café e muito mais que um doce regional. Situado numa zona tipicamente saloia, a Malveira, o café-fábrica das Trouxas, bem como a especialidade que lhe dá nome, trazem-nos uma história fascinante. Fica a conhecê-la.

O estabelecimento é visitado por centenas de pessoas diariamente. A fama das Trouxas é incontestável, mas o proveito, esse fica para os clientes.

Mal se entra na Fábrica, os murmúrios, as conversas paralelas, habituais em qualquer café, não passam despercebidos. Sem avisar, o nosso estômago fica agitado, como se algo lhe faltasse. Pudera, qualquer um ficaria inquieto com o cheiro que invade o local. O doce das Trouxas mistura-se com o cheiro amargo do café e o resultado é incrível.

Nas mesas, vemos pequenos pratos com a especialidade da casa. Não uma, mas várias Trouxas são pedidas por mesa porque uma não chega. E comprova-o quem já teve o privilégio de degustar um destes “pecados” totalmente desculpáveis.

Sentei-me numa mesa e, como estava acompanhada, o pedido foi a dobrar. Em poucos minutos, as trouxas já estavam na mesa, acompanhadas de uma bica. Para além de rápido, o serviço é ainda bastante simpático.

A forma das Trouxas é cilíndrica e o doce pão-de-ló amarelo envolve na perfeição um creme de bradar aos céus. Por cima, a cor torna-se acastanhada devido à cozedura no forno e notam-se grãos de açúcar polvilhados. Por esta altura, deves estar com àgua na boca. Pois bem, a receita é simples.

O creme é feito à base de açúcar, leite, baunilha e amêndoa e, posteriormente, envolto em pão-de-ló. No fim, temos o “açúcar no topo do bolo”, e não a cereja.

A primeira trinca é a melhor, a começar pela textura fofa e leve. Depois sentimos todos os sabores (e mais alguns) – o creme, o pão-de-ló, a baunilha. Até um leve sabor a amêndoa se sente. O melhor no meio de tudo isto é que todos os sabores se mantêm desde a primeira até à última trinca. Não há creme a mais nem a menos, e o pão-de-ló nunca se torna pesado. Diria mesmo que as proporções são equilibradas na perfeição. “Se gostares, tens tendência para voltar”, garante Rosa Fernandes, de 52 anos, sócia-gerente da Fábrica Trouxas da Malveira.

O fabrico diário é o segredo do sabor inconfundível, único e delicioso do doce regional. E quem o assegura é a Rosa: “Tentamos manter a mesma qualidade da receita original, apesar de hoje os ingredientes serem mais processados do que antigamente.”, explica. Sem corantes, nem conservante as trouxas são um produto fresco e por isso mesmo têm uma validade aproximada de três dias.

Diariamente, produzem-se cerca de 300 a 500 Trouxas que fazem as delícias de miúdos e graúdos. Literalmente. Os “jovens vêm aos domingos à tarde buscar uma caixinha”, conta a sócia-gerente.

A Fábrica de Trouxas da Malveira foi fundada em 1906 pela D. Emília de Jesus de Sousa Antunes que fabricava pastéis de grão mas, com o passar do tempo, outros doces foram surgindo até criar a famosa Trouxa. Hoje, é um dos doces regionais mais adorados pelos Malveirenses e visitantes da zona.

O nome do doce surgiu devido à admiração de D. Emília pela mãe, lavadeira de profissão. Neste caso não falamos de uma trouxa de roupa mas sim de sabor e prazer. As doces Trouxas da Malveira também estão, infelizmente, a provar o amargo sabor da crise. Com a abertura da A8, que liga Lisboa a Aveiro, “as pessoas vão mais pela autoestrada e não passam tanto por aqui”, desabafa Rosa.

Apesar de tudo, “Vale a pena sair da autoestrada para vir comer uma trouxa”, aconselha sorridentemente Rosa aos condutores mais apressados.

Visita a página oficial da Fábrica aqui.

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