O Carnaval é a época do ano em que são permitidas todas as máscaras. Durante o ano, há outra excepção: o palco. Os bailarinos têm de fantasiar-se para realçar a sua personagem. Os figurinos são uma componente enorme para o sucesso de uma peça de dança. Se os movimentos  forem acompanhados por uma boa indumentária, a peça ganha outra autenticidade. O Espalha-Factos elegeu quatro dos mais vistosos figurinos da história da dança. 

Serpentine Dance de Loie Fuller

Serpentine Dance foi uma forma de dança criada na década de 90 do século XIX. A bailarina que executava estes movimentos manipulava em círculos uma faixa de seda. Os movimentos eram rodopiantes e ao longo da dança conseguíamos ver o corpo da bailarina. Loie Fuller é a bailarina mais conhecida por executar a Serpentine Dance. No vídeo podes ver a filmagem dos irmãos Lumière em 1896.

Os efeitos que surgem dos tecidos controlados pela bailarina é o que mais impressiona nesta dança. A fusão do corpo, do tecido, da luz e das cores feita por Loie Fuller é considerada uma das primeiras utilizações tecnológicas na dança. Originalmente, o tecido era branco ou de outra cor clara e ficava colorido com o uso de luzes em palco.

A Sagração da Primavera  de Vaslav Nijinsky

A Sagração da Primavera é uma obra que se baseia num ritual pagão sagrado em que uma jovem virgem é sacrificada, como forma de agradecimento ao Deus da Primavera. A escolhida deve dançar até à morte com o objectivo de ganhar a benevolência deste Deus. Com música de Igor Stravinsky e coreografia de Vaslav Nijinski , a Sagração da Primavera foi um choque quando estreou em 1913, uma vez que o público familiarizado com os cânones do ballet clássico estranhou a brutalidade do tema e as posições paralelas e os movimentos descoordenados e frenéticos que eram executados pelos bailarinos ao som nada normal de um fagote.

Dançar esta primeira Sagração da Primavera foi muito desagradável para os bailarinos. A coreografia energética de Ninjinski não combinava com as pesadas roupas de flanela e lã, que causavam um calor insuportável e faziam-nos suar intensamente.

A Sagração da Primavera contou com cenários e figurinos de Nicholas Roerich que se inspirou nas antiguidades e têxteis étnicos da colecção princesa russa Maria Tenisheva. As roupas seguiam um simples padrão em forma de T, mas eram decoradas com círculos, curvas, quadrados, linhas e cruzes organizadas simetricamente. A complexidade visual dava um efeito primitivo e de desordem que combinava com a música e a coreografia. Nenhuma parte do corpo estava a descoberto: as mulheres tinham longas perucas e os homens chapéus, à volta das pernas fitas e na cara uma maquilhagem forte.

Ballet Triádico de Oskar Schlemmer

O coreógrafo Oskar Schlemmer era conhecido pela sua excentricidade e por ser dos primeiros a juntar todas as artes num único espetáculo.  As performances coreografadas por ele não eram exatamente dançadas, uma vez que a sua grande preocupação não era o bailarino ou a coreografia, mas sim a figura, disposição no palco, as cores e o que isso causaria nos indivíduos.

http://www.youtube.com/watch?v=Ids53Ijo6P4

A sua obra mais carismática é o Ballet Triádico. Esta obra divide-se em três momentos. O primeiro é uma paródia alegre com cortina amarelo limão. O segundo momento é cerimonioso, solene e dançado num palco cor-de-rosa. O terceiro é uma fantasia mística num palco preto. Dois homens e uma mulher executam as doze danças, havendo no total dezoito figurinos diferentes. Estes figurinos possuíam partes extremamente rígidas feitas de madeira ou metal, outras eram compostas por um material acolchoado com grande volume, sendo sempre cobertos por formas em papel maché, pinturas metalizadas ou desenhos. Estes figurinos faziam dos bailarinos umas personagens macabras e um pouco assustadoras, possuindo também um ar cómico e divertido.

Nelken de Pina Bausch

Nelken (cravos) é uma das mais conhecidas peças de Pina Bausch. O chão está repleto de flores em tons rosa e os intérpretes vestem vestidos de gala. Os figurinos concebidos por Marion Cito, são emblemáticos não apenas nesta peça, mas em muitas outras da coreógrafa.

Os figurinos demasiado formais contrastam com as imitações de animais que os intérpretes executam ao longo da peça. Os figurinos são também desconcertantes quando um bailarino veste um vestido, ou quando todos os intérpretes dançam por baixo de cadeiras. As cores variadas e o cetim brilhante destacam-se em palco. Os intérpretes falam diretamente para a plateia, que mesmo assim, nunca deixaria de reparar neles, tão forte é o efeito visual.

Escrito por Beatriz Vasconcelos e Teresa Serafim