guidance

GUIdance 2015: ‘bear me’ e ‘Um Triste Ensaio sobre a Beleza’

Sexta-feira voltou a ser dia de GUIdance  e desta vez em dose dupla. O pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor abriu portas a dois solos de duas coreógrafas e interpretes portuguesas: Cristina Planas Leitão com bear me e Mara Andrade com Um Triste Ensaio sobre a Beleza.

bear me

bear me é um espetáculo criado e interpretado por Cristina Planas Leitão que tem por base as relações entre a interprete e o público. bear me é um diálogo entre a interprete e a plateia, em que esta pede para que não a deixem mas em que frisa que gosta da solidão.

Entrando na sala é perceptível uma série de objetos e de formas cobertas com um papel de alumínio disforme e por cobertores felpudos brancos. A bailarina entra com a roupa no colo a tapar a sua nudez. Veste-se em cena sempre admirando o público, ao mesmo tempo começa a sair fumo do cenário e ouve-se os sons do vento. Assim que começa o discurso, compreendemos que a peça será toda ela falada e que o texto passa uma mensagem só: a solidão e o isolamento do eu e como o outro pode dar conforto.

No entanto a relação com o público é dupla. Há pedido de interação, um apelo a que não abandonem e que façam parte, não basta ficar a ver. A intérprete quer reduzir a separação, quer quebrar com o vazio que existe entre plateia e o palco, mas ao mesmo tempo afirma gostar de estar só e que tem alguns ataques de loucura, adoptando a personagem de um urso selvagem, terminando vestida com um grande urso branco.

Apesar dos momentos de dança serem quase imperceptíveis, a interpretação do texto por Cristina Planas Leitão permitiu a compreensão total da mensagem que queria transmitir, deixando o público a reflectir sobre as questões colocadas.

bear me

Um triste ensaio sobre a beleza

Um triste ensaio sobre a beleza de Mara Andrade foi uma peça cómica e que surpreendeu pela positiva. Toda vestida de negro, a bailarina entra em palco arrastando os pés, produzindo um som cómico. Enquanto se movimenta existe uma voz off que descreve cada um dos seus movimentos e posições. Essa voz explica que o projecto ali apresentado iniciou-se com uma procura de como seria possível mostrar a tristeza no corpo, como seria representá-la e o quão belo pode ser. Fazendo uso de um série de objectos como a areia, a cadeira, uma toalha e até um dinossauro a pilhas. Mara Andrade utiliza todos os meios para que a sua performance seja o mais visual possível. No entanto, não é o corpo que importa mas sim que imagens forma e como podem ser belas.

“Existe uma encenação de algo que pode parecer um suicídio. Contudo, é mais uma tentativa de um transformação, da tal desmaterialização. Iniciou-se uma sensação de algo que não aconteceu e de que não vai haver tempo. O fim é certo.”

No fim, a intérprete fica deitada no chão, como morta ou então em tal depressão que não se consegue mexer. A voz pede para a plateia se retirar, ela quer ficar sozinha. Apesar das luzes da plateia já estarem acesas, ninguém o faz. Toda a gente quer aplaudir mas aquele corpo ali inerte e sem forças em combinação com o apelo desesperado de quer ficar só, causa uma compaixão pela intérprete. O público cede, ouvem-se uns tímidos aplausos e aos poucos o público vai saindo, para trás fica Mara Andrade deitada no chão e reduzida a quase nada que, depois uma interpretação fantástica, não recebeu os aplausos merecidos.

mara andrade

Mais Artigos
Teresa Guilherme Big Brother
Audiências. ‘Big Brother’ lidera mas SIC volta a ganhar ao domingo