Com a chegada do novo ano e por entre novos projectos e ideias, o Espalha – Factos não podia deixar de reavivar Passo a Passo, rubrica mensal de encontro das maiores referências do planeta da dança. Martha Graham, o nome que trouxe a modernidade à linguagem do movimento, abre o pano a este regresso.

Martha Graham nasceu a 11 de maio de 1894 em Allgheny, na Pennsylvania e desde criança foi influenciada por seu pai, médico  especializado em psicologia humana que acreditava que o corpo é capaz de expressar as mais profundas sensações. Graham desde logo agarrou o legado paternal e “Movement never lies” (o movimento nunca mente) deu cara a todo o percurso da bailarina e coreógrafa.

Formação

Em 1908, a família Graham mudou-se para Santa Barbara, na Califórnia, onde, em 1911, ao assistir a um espectáculo de dança da Companhia Denishawn protagonizado por Ruth Saint-Denis, Martha Graham decidiu o traço da sua carreira. Depois de acabar o ensino secundário, a futura bailarina frequentou uma escola de arte durante três anos e em 1916 começou os estudos em Denishawn– escola fundada pela já mencionada bailarina Ruth Saint-Denis e seu marido Ted Shawn.

Bailarina

Depois de se formar na grande arte do movimento e conquistar o estatuto de bailarina profissional enquanto par de Shawn e uma das protagonistas de Xochtil, Martha Graham, em 1923, abandonou a casa da dança que a viu crescer e assumiu o papel de solista no Greenwich Village Follies, um teatro popular que fundia artes e valores contemporâneos em peças sátiricas. Paralelamente, assumiu posição de professora na Eastman School of Music e na  John Murray Anderson School, locais onde pode, livremente, desenvolver métodos e programas de ensino de dança.

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Obra

Heretic, seu primeiro trabalho de grupo, surge pois em 1929 como resultado da sua insistente vontade de envolver os seus alunos na arte de dançar enquanto profunda experiência artística.

Já em Nova Iorque, a bailarina dá o grande salto da sua carreira ao tornar-se criadora e coreógrafa independente ao criar ,em 1930, a sua própria companhia de bailado, em 1938, a Martha Graham School of Contemporary Dance e em 1944, com Isamu Noguchi, o bailado Appalachiam Spring.

Características do seu trabalho

Martha Graham, mãe da dança contemporânea, revelou-se num movimento inconfundível: o foco manteve-se no corpo e organismo humanos e suas capacidades mais básicas. Movimentos de contracção e relaxamento foram desde sempre o ponto de ligação para a expressão de mundos interiores e de sensações e emoções universais.

Desviando-se assim do formalismo e rigor técnico que até então vigorava associado à dança clássica, a coreógrafa e bailarina procurou elevar as formas e ângulos do corpo a montras fiéis do poder e electricidade das emoções. Defensora de que a arte de dançar revela as origens de cada um, Graham vincou no seu percurso a importância da individualidade de cada bailarino como condição para a integridade e significança da dança. Temáticas associadas à mitologia, psicologia, política, actualidade e sexualidade tomaram lugar fronteiro ao longo da carreira de Graham em criações como Clistemnestra, 1958; Lúcifer, 1975 e Fedra, 1962.

O legado de 181 coreografias deixa manter acesa a chama que influencia gerações e núcleos artísticos na actualidade. Entre inúmeros prémios e reconhecidas presenças, em 1986, Martha Graham ganhou o Local One Centennial Award for dance e em 1998 a TIME Magazine homenageou e condecorou a artista como Dancer of the Century. 

Martha Graham faleceu em 1991 aos 96 anos de idade.

”I have spent all my life with dance and being a dancer,” “It’s permitting life to use you in a very intense way. Sometimes it is not pleasant. Sometimes it is fearful. But nevertheless it is inevitable.”