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A Recordar: J.K. Simmons

A poucas semanas de ir marcar presença pela primeira vez na cerimónia dos Oscars, é altura de relembrar aquele que é um dos pequenos tesouros do cinema norte-americano dos últimos tempos, capaz de transformar qualquer papel secundário numa performance inesquecível. Falamos de Jonathan Kimble Simmons ou, como é mais conhecido, J.K. Simmons.

Nascido a 9 de janeiro de 1955, o seu início de carreira não apontava para o cinema. Amante de música, paixão que herdou do seu pai, o ator trabalhou em pequenas produções de ópera enquanto estudava na universidade e, após concluídos os estudos, tentou a sua sorte no teatro. Nos anos 80 mudou-se para Nova Iorque e em 1990 pisou o palco da Broadway pela primeira vez em A Change in the Heir.

Há medida que a sua carreira nos grandes palcos ia avançado, Simmons começava também a dar o salto para o grande ecrã. 1994 foi o ano em que o cinema viu pela primeira vez o ator em Isto (Não) É Um Rapto, onde desempenhou o pequeno papel de Siskel. Escondido por entre um elenco com nomes mais sonantes e devido a ser ainda muito desconhecido, a sua performance passou despercebida.

Foi na televisão que começou então a chegar próximo do grande público. Depois de entrar nalguns episódios de séries policiais e figurar num ou noutro telefilme, Simmons encabeçou o elenco de Oz, série da HBO que durou desde 1997 até 2003, e foi Dr. Emil Skoda em Lei e Ordem entre 2000 e 2002.

Em 1998 teve o seu primeiro papel de protagonista em Above Freezing, filme independente que acabou por passar despercebido nos EUA após uma estreia de sucesso no Festival de Cinema de Seattle. O ator voltou então a desempenhar apenas papéis secundários e em 1999 entrou em Por Amor, um drama dirigido por Sam Raimi. Ator e realizador voltariam a colaborar um com o outro no ano seguinte em O Dom, mas o grande salto de Simmons para a popularidade estava ainda para vir.

Foi na sua terceira participação num filme de Sam Raimi que conseguiu finalmente alcançar a fama que o seu talento merecia. O carisma e a presença que deu ao seu J. Jonah Jameson no primeiro capítulo da trilogia Homem-Aranha em 2002 fizeram dele um dos grandes pontos de interesse na saga do super-herói e acabou por se afirmar como uma das personagens secundárias mais amadas do universo da Marvel, sem precisar de poderes ou de grandes uniformes de herói.

A partir daqui a sua cara passou a ser das mais populares e requisitadas em Hollywood. Os irmãos Coen levaram-no até ao seu O Quinteto da Morte em 2004, onde contracenou com Tom Hanks, e no mesmo ano fez parte do elenco do western Hidalgo – O Grande Desafio. A participação em dois filmes tão diferentes só evidenciou a versatilidade e talento de um ator que entrava então numa média de três trabalhos por ano (a sua terceira performance em 2004 foi nada mais nada menos que a sequela de Homem-Aranha).

2005 levou-o de encontro a um novo realizador com quem iria criar uma longa parceria. Na comédia negra Obrigado por Fumar, o ator foi dirigido pela primeira vez por Jason Reitman e desempenhou o pequeno mas hilariante papel de BR. Foi também neste ano que voltou a trabalhar no pequeno em The Closer, onde foi uma das personagens principais de uma série reconhecida pela alto calibre dos seus intérpretes.

Dois anos depois voltou a colocar-se perante as câmaras de Reitman e foi o pai de Juno MacGuff no maior sucesso do cinema independente de 2007, Juno. Embora tenha sido essencialmente Ellen Page a receber a admiração da crítica, a performance de Simmons não passou sem alguns elogios e em 2008 já estava novamente a trabalhar com os irmãos Coen em Destruir Depois de Ler.

O ator começou então a apostar no cinema independente a partir daqui. Terminado o último capítulo de Homem-Aranha, Simmons afastou-se lentamente dos blockbusters e dos filmes para as massas, dedicando-se a papéis mais discretos mas onde podia evidenciar mais as suas qualidades. The Vicious KindNas Nuvens, este último assinado novamente por Reitman, deram-lhe a possibilidade de marcar presença em alguns dos grandes festivais indie, onde começou a ser presença assídua.

J.K. Simmons começou também a dobrar alguns filmes para crianças, como a animação Megamind ou Cães e Gatos: A Vingança de Kitty Galore. Mas foi em 2011 que voltou a ganhar alguma notoriedade com A Música Nunca Acabou, drama delicado e simples onde o ponto mais valorizado foi mesmo a sua performance. Contudo, e com o final da série The Closer, o ator parecia estar a entrar numa fase decadente da sua carreira.

2014 estava a provar a teoria. Men, Women & Children Barefoot traduziram-se em falhanços comerciais e de crítica, fazendo parecer que aquele que a dada altura fora um dos atores mais carismáticos e requeridos estava a tornar-se em apenas mais um nome em elencos de obras medianas.

No entanto, o ano passado tornou-se no grande comeback (e para alguns foi mesmo a confirmação) do ator. Whiplash – Nos Limites mostrou um J.K. Simmons explosivo, energético e capaz de ejetar uma dose de adrenalina em todo o público com aquela que é a melhor performance da sua carreira. Não é por acaso que está nomeado a todos os prémios de Melhor Ator Secundário, tendo já vencido o Globo de Ouro no início do ano, na primeira vez que esteve indicado.

Por isso ninguém se surpreenderá se levar para casa o Oscar no final do mês. Será apenas o coroar de uma carreira discreta mas sempre de alto nível (não se deixem enganar pelos títulos menores onde figurou nos últimos tempos!), onde as mais pequenos personagens se transformam em protagonistas memoráveis. J.K. Simmons é a prova de que não existem grandes ou pequenos papéis, apenas grandes e pequenos atores. E ele é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores.

A rubrica A Recordar relembra atores e atrizes que tenham marcado a sua época, mas que caíram em esquecimento ou não foram suficientemente reconhecidos. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

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