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GUIdance 2015: ‘Nostos (uma eventual penumbra de ambiguidade)’

A quinta edição do GUIdance arrancou ontem com o espetáculo Nostos (uma eventual penumbra de ambiguidade). Este espetáculo da autoria de André Mesquita foi a primeira estreia absoluta da quinta edição do festival internacional de dança contemporânea que acontece todos os anos em Guimarães.

Às 22h no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor Nostos foi posto em cena o espetáculo Nostos num auditório com meia plateia incompleta.

Nostos é uma palavra grega que significa retorno a casa. André Mesquita associa casa ao corpo como “estrutura enquanto sustentáculo ideológico e performativo de uma dança do interior, num movimento em relação direta com a música”. ‘Nostos’ é também a origem da palavra nostalgia, sendo por isso um sentimento bem patente neste espetáculo. Depois de muito tempo fora do país, o coreógrafo expõe neste trabalho qual o significado que casa tem e como as memórias de um lugar que agora é tão estranho podem causar nostalgia.

O processo de criação foi sempre acompanhado pela música, que tem neste espetáculo uma função essencial. É a música que guia e coordena os bailarinos, é a música que define a peça. O pianista australiano Simon James Phillips está presente em palco durante os cerca de 60 minutos da peça. Simon é também um performer, pois consolida todos os elementos: música, luz e movimento.

nostos

O espetáculo começa com escuridão cerrada em que apenas se ouve o piano. São cerca de 10 minutos em que nada acontece, apenas a melodia envolve toda a sala. Aos poucos, abre-se uma luz muito suave por cima do piano. Aos poucos, outro foco começa a ganhar densidade no centro do palco onde um corpo se contorce no chão. Quando a luz atinge a sua intensidade máxima entram os restantes quatro bailarinos.

Em Nostos os movimentos têm uma fluidez constante. Quase sem pausas ou quebras os vários momentos do espetáculo vão-se sucedendo sem que haja uma separação brusca. Com linhas muito bem definidas, os bailarinos executam a coreografia utilizando todo o espaço disponível. Desprovido de qualquer cenário, sem sequer poderem contar com as cortinas pretas, os bailarinos conseguem tornar o imenso palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor pequeno.   Este efeito é conseguido com o excelente desenho de luz, trabalho conjunto de André Mesquita e Nuno Salsinha. Os feixes de luz iluminavam pontos específicos do palco, ou partes do corpo dos bailarinos. O que era salientado eram os movimentos, não a cara ou os figurinos, não sendo por isso muito perceptível qual a expressão facial dos intérpretes. O jogo da luz e da sombra, do escuro e do claro resultou muito bem neste espetáculo contemporâneo, onde todos os elementos estavam interligados e possuíam um sentido único.

 

Na coreografia de André Mesquita era evidente a diversidade de várias técnicas, como por exemplo as contrações de Graham, em que a tensão dos músculos pode rapidamente originar um relaxamento do corpo. Nesta coreografia há uma constate mudança de níveis, sendo que tanto havia movimentos no chão, como tudo era feito em pé.

Nostos não é um espetáculo óbvio, roçando o abstrato. É necessário que cada pessoa veja e retire as suas conclusões. A nível visual é um espetáculo bonito, em que as variadas linhas de movimento, os paradoxos de luz e escuridão ou de som e silêncio funcionam em uníssono.

  • Direção Artística,Coreografia, Figurinos, Espaço Cénico: André Mesquita
  • Intérpretes: Teresa Alves da Silva, César Fernandes, Filipa Peraltinha,Sylvia Rijmer, Woody Santana
  • Música: Simon James Phillips
  • Luzes: Nuno Salsinha, André Mesquita
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