O Meu Nome é Alice: a dramática luta contra o esquecimento

O Meu Nome é Alice: a dramática luta contra o esquecimento

É com uma história comovente mas arrepiante e uma excelente performance da sempre fantástica Julianne Moore que O Meu Nome é Alice estreia hoje em Portugal.

A personagem que dá título ao filme é uma famosa professora de linguísticas que desenvolve, numa idade ainda precoce, a doença de Alzheimer. Alice terá então que aprender a viver com a doença, arranjando maneiras de lidar com a família e de refazer o seu dia-a-dia com o seu problema.

Mais do que um simples retrato da doença, O Meu Nome é Alice coloca o espectador na pele da protagonista, fazendo-nos viver de perto e sobre o seu ponto de vista todos os obstáculos que o Alzheimer lhe coloca à frente. Poderíamos dizer que tal acontece devido à sensacional interpretação de Julianne Moore, naquela que é uma das suas melhores performances (já cheira a Oscar…), mas há muitos outros fatores que fazem deste filme uma obra bastante interessante e cativante.

A que salta mais a vista é a forma como nos é apresentada a doença. Não limitando a protagonista a uma mulher que simplesmente se vai esquecendo dos nomes das pessoas, a dupla de realizadores e argumentistas do filme Richard GlatzerWash Westmoreland criam, a partir do best-seller homónimo de Lisa Genova, uma personagem muito bem construída num enredo cheio de drama e momentos comoventes que mostram as dificuldades impostas a Alice pela doença e a forma como esta afeta toda a família.

O argumento está minado de linhas de diálogo de arrepiar a espinha, nomeadamente aquelas em que Alice não se consegue expressar por se esquecer de certas palavras ou quando, por segundos, não reconhece algumas pessoas, incluindo os seus filhos. Aliadas às palavras das personagens estão algumas imagens fortes, não por serem explícitas mas pelo contexto em que as vemos, o que eleva algumas falas e situações a um nível bastante alto e, consequentemente, emotivo, até porque à medida que a doença se propaga mais comovente e delicada se vai tornando a história.

Há também um ou outro momento feel-good e uns doces comic-reliefs que ajudam a ritmar O Meu Nome é Alice. o que faz com que a narrativa, mesmo não tendo nenhum clímax nem grandes e inesquecíveis momentos chave, nunca perca o interesse, existindo sempre algo a dar-lhe um novo fôlego. E Glatzer e Westmoreland, por entre o academismo da sua realização, ainda conseguem dar um toque minimamente singular à obra, como quando transformam as fotos de um velho álbum de fotografias de infância em fragmentos de filmagens de Alice e da sua família, para não falar de outros bons exemplos.

Para além da já referida Julianne Moore, o elenco está a um bom nível e apresenta uma excelente química, importante nas cenas onde pais e irmãos discutem uns com os outros mas também quando estes partilham momentos mais “fofinhos”. Kristen Stewart é quem mais se destaca, ao provar que os anos que passou presa à saga Crepúsculo e a outros blockbusters esconderam um talento que pode agora revelar-se. Não é a melhor atriz do mundo, mas pode vir a ganhar um novo respeito no mundo do cinema.

E no final ficamos extremamente sensibilizados para o Alzheimer, ao vermos como até a mais inteligente das mulheres, numa idade nem muito avançada, pode ser vítima da doença e como vai ficando cada vez mais fragilizada por ela. O Meu Nome é Alice é, portanto, mais do que um bom drama: é um retrato comovente sobre o dia a dia de uma pessoa e da sua família na luta contra a perda da sua memória que nos alerta para uma situação cada vez mais comum na atualidade.

8/10

Ficha Técnica:

Título Original: Still Alice

Realizador: Richard GlatzerWash Westmoreland

Argumento: Richard GlatzerWash Westmoreland, a partir da obra de Lisa Genova

Elenco: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Hunter Parrish

Género: Drama

Duração: 101 minutos

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