Os fãs de maratonas televisivas podem sofrer de depressão e solidão, segundo um estudo divulgado pela revista Times.

Em declaração ao Diário de Notícias, o psiquiatra Júlio Machado Vaz – embora não conheça detalhadamente o estudo publicado – revela que já conheceu vários casos onde os pacientes nem saem de casa. Embora se dirijam às consultas com outras queixas, acabam por revelar o vício em séries. O psiquiatra revelou ainda ao DN que, em situação de desemprego, a tendência aumenta, tornando a televisão “uma espécie de ópio. Muitos não sabem quando é de dia ou de noite”. Esta prática de assistir a vários episódios “de uma assentada”, e geralmente do mesmo programa, é apelidada pelos investigadores de binge watching.

Em janeiro de 2014 a FOX e a Vodafone encomendaram à Neuromarketing Labs um estudo que pretendia mostrar que o vício em séries televisivas poderia provocar sintomas físicos comparáveis aos causados pela dependência de drogas.

Kai-Markus Mueller, o coordenador do estudo, revelou ao Bild, um tablóide Alemão, como decorreu a investigação. Enquanto 74 pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 47 anos assistiam a excertos de séries por eles escolhidos, foram analisados elementos como a pulsação, a temperatura, a respiração, a atividade cerebral, o movimento ocular e o fluxo sanguíneo. Para avaliar as reações dos testados, simulou-se, em cada exibição, uma falha técnica que interrompia a transmissão. Como respostas corporais foram registadas descidas de temperatura, suores frios e outras reações idênticas às de viciados em drogas quando lhes é mostrada a substância e de seguida escondida.

Segundo a análise hormonal feita durante o estudo da Neuromarketing Labs, as séries preferidas são as que despertam emoções mais fortes, sejam negativas ou positivas, por gerarem um efeito calmante.