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Autor do mês de janeiro: “O Inverno do Mundo”

Ken Follett é o primeiro Autor do mês de 2015. O segundo volume da trilogia O Século, O Inverno do Mundo, a nova aposta da ABC, foi lançado em setembro de 2012. Saltando para a geração seguinte, O Inverno do Mundo centra-se na vida adulta dos bebés de A Queda dos Gigantes.  As suas histórias voltam a cruzar-se devido à guerra e às relações amorosas que estabelecem entre si.

Carla Von Ulrich é uma rapariga alemã que vive com os pais e o irmão Erik. Os pais são liberais convictos, mas Erik dedica-se por inteiro à causa nazi, o que arrelia os pais — ainda que ninguém tenha a plena noção das atrocidades cometidas pelo regime nazi. Carla e a família vivem a ascensão do nazismo e sentem as consequências da guerra na pele. A pobreza, a fome e o desemprego passam a ser realidade para a família Von Ulrich que outrora levava uma vida desafogada. Ao longo do livro as personagens alemãs vão tomando conta das graves ofensas à vida e à liberdade cometidas pelo nazismo.

Daisy vive uma vida fácil em Buffalo, na América. As suas principais preocupações são os rapazes e a sua reputação. Casa com Boy, filho de Fitz, na esperança de ascender a uma posição social mais elevada e, assim, provocar inveja em  Buffalo. Depois de casada, muda-se para Inglaterra e conhece Lloyd, por quem se vai apaixonar irremediavelmente.  Deixa Boy, e é ao lado de Lloyd que Daisy toma contacto com outras realidades e acaba por contribuir para o esforço de guerra, conduzindo a ambulância que vai salvar muitas vidas depois dos bombardeamentos.

Lloyd, por sua vez, estabelece uma relação muito forte com a sua família galesa, em especial com o tio Billy que se torna deputado por Aberowen na câmara dos comuns britânica.

Gus Dewar torna-se senador, tal como o pai. O irmão Chuck alista-se na Marinha e apaixona-se por um dos seus colegas. Os dois irmãos vivem a guerra de perto: um ao nível  político e outro ao nível bélico propriamente dito.  Também são eles que introduzem um dos episódios mais marcantes deste livro: o ataque a Pearl Harbor.

A família Péchkov americana lida com problemas relacionados com a segregação racial quando o filho ilegítimo de Lev se apaixona por uma aspirante a atriz negra.

Vladimir Pechkóv  é  um espião ao serviço do governo russo.  A vida na Rússia continua a não ser fácil, mesmo para as classes médias-altas às quais Vladimir pertence. Casa-se com uma cientista, Zoia, que o inteira das novidades científicas russas, numa tentativa desta grande potência de se sobrepor aos EUA.

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Este é um livro que se destaca em relação ao seu antecessor por ser ter um ritmo muito mais rápido. As ações seguem uma cadência que deixará o leitor sem fôlego. Um dos aspetos que apontei como falha no livro anterior já não se verifica neste: as cenas de guerra já não são maçadoras. Pelo contrário. As descrições de cenários de guerra são menos frequentes neste segundo volume e consequentemente mais interessantes. Por outro lado, também considero que este livro é mais cru e realista nas descrições dos crimes cometidos durante a guerra. Muitas, admito, poderão chocar o leitor mais sensível. Este é também um livro que introduz muitos mais problemas sociais do que o anterior. Aqui abordam-se temas como o racismo e a consequente segregação racial e a homossexualidade, que são temas que ganharam maior destaque no espaço público a partir dos anos 30 e 40.

A minha opinião em relação às personagens mantém-se. Ken Follett continua a não nos apresentar personagens com razões para serem como são nem com alterações de peso ao longo da trama. Em suma, na sua grande maioria continuam a ser personagens bidimensionais.  A história centra-se nos filhos das personagens de A Queda dos Gigantes e estes acabam por herdar as características dos pais: se Boy é filho de Fitz será também um quebra corações irremediável.  Quase todas as personagens seguem esta lógica. O autor trabalha um pouco mais algumas personagens, como é o caso de Daisy que deixa de ser uma menina  mimada e fútil para passar a ser uma mulher independente e altruísta.

O meu fascínio pelos totalitarismos (em especial o nazismo) foi um fator de peso para a construção da minha opinião sobre este livro. Acho-o, no geral, um livro mais interessante do que o anterior e que abre o apetite para o último livro da série O Século, No Limiar da Eternidade.

Nota final: 8/10

Páginas: 829

Editora: Editorial Presença

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