É fácil viciarmo-nos numa música: o primeiro passo é a repetição até à exaustão. Depois, começamos a cantá-la a plenos pulmões. Ou ficamos com a letra encravada no cérebro e começamos a cantarolá-la inconscientemente. Mas, de vez em quando, há umas quantas coisas escondidas nas entrelinhas ou até histórias curiosas sobre a forma como certas músicas surgiram que nos passam ao lado.

Aqui fica uma lista de algumas curiosidades não tão óbvias sobre músicas já tuas conhecidas. E, mesmo que não o sejam, há sempre espaço para lhes dar uma oportunidade.

BanksBefore I Ever Met You

A cantora tinha acabado a sua primeira relação séria e, bem, estava ainda a lidar com a logística da coisa, como quem é que fica com a casa ou com o cão. Como a própria admitiu em entrevistas, trata-se daquela dualidade de sentimentos em que se sabe que a coisa não vai mesmo resultar, que não é saudável, mas que é difícil de abandonar. Desgostos de amor para uns, boa música para outros…

Alt-JTessellate

Claro que a forma como é dito “’Til morning comes, let’s tessellate” só poderia querer dizer uma coisa… Tal como o vocalista da banda contou à NME, escreveu a música enquanto ainda tinha uns encontros com a ex-namorada, mesmo quando estava a começar uma relação com outra pessoa. No entanto, mostra-se também um pouco confuso quanto ao significado… “Disse-lhe que era sobre dormir em conchinha, mas ao resto das pessoas disse que era sobre sexo. Agora já nem sei bem!”

O verso “Chunks of you will sink down to seals” é sobre as memórias da relação falhada começarem a desfazer-se, com o início da relação recente. E sabias que, na realidade, “Three guns and one goes off, one’s empty, one’s not quick enough” é uma referência ao filme “O Bom, o Mau e o Vilão”?

BeckLoser

Só para começar com uma ideia forte: pensa que esta música é de 1994. Quando passar o choque, podemos continuar.

Uma das músicas mais conhecidas de Beck, se não mesmo a mais conhecida, surgiu a partir de um simples comentário e de um ‘bullying’ entre amigos, já que loser era um apelido dado ao cantor por um amigo. Enquanto gravava o riff para o instrumental, Beck escreveu um rap, que depois gravou. Quando se ouviu pela primeira vez, comentou algo como “Meu, sou o pior rapper do mundo. Sou só um perdedor.” E começou a cantar um verso que depois se tornou no refrão da canção: “I’m a loser baby, so why don’t you kill me.”

Sabias também que o sample “I’m a driver. I’m a winner. Things are gonna change soon, I can feel it” é do filme Kill the Moonlight? Beck faz parte da banda sonora do filme e o diretor Steve Hanft é um velho amigo do cantor. Para retribuir o favor, dirigiu o videoclip de Loser. Amigos que retribuem favores, como não os apreciar?

Arctic MonkeysBrianstorm

Na realidade, Brianstorm é um trocadilho para brainstorm, ou tempestade de ideias, aquilo que se faz quando estamos nas fases iniciais de um projeto. O que até faz algum sentido, já que os Arctic Monkeys fizeram um brainstorm para perceber quem era Brian, um peculiar fã que conseguiu chegar até ao camarim da banda depois de um concerto em Osaka, no Japão. De acordo com Alex Turner, ficaram tão impressionados e, ao mesmo tempo,  incomodados pela presença de Brian, que chegar até a fazer desenhos e a anotar todas as ideias.

Em entrevista à NME, em 2007, o guitarrista Jamie Cook dizia apenas que o fã era estranho, que parecia que “queria entrar nas nossas mentes. Apareceu com um cartão de visita e uma t-shirt de gola redonda e uma gravata à volta, nunca tinha visto nada assim.” E assim surgia um dos versos mais emblemáticos da canção: “Cause we can’t take our eyes/ Off the t-shirt and/ tie combination? Well, see you later, innovator”.

LCD SoundsystemDaft Punk Is Playing at My House

A verdade é que esta música representa o sonho de muita gente: ter os Daft Punk a tocar em casa. Também este era o sonho de James Murphy, vocalista dos extintos LCD Soundsystem, que tinha uma ideia peculiar onde estava incluído o duo francês. A ambição do britânico era gravar um documentário, numa festa na cave, onde uma banda local iria atuar, seguida pelos LCD Soundystem e pelos Daft Punk. A piada é que o documentário seria gravado como os concertos à séria, com uma edição à altura e planos do público. James Murphy disse que iria ser genial: uma cave, os Daft Punk, um barril de cerveja e uma máquina de lavar, com a piada de ser uma atuação à séria, gravada a preceito, só que numa cave num subúrbio qualquer. Infelizmente, os Daft Punk não alinharam na ideia e ficámos só com esta Daft Punk Is Playing At My House. O que já nem é mau.

A segunda parte fica para a semana, com mais curiosidades sobre outras cinco músicas.