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Uptown Special: Sounds real.

Mark Ronson regressa em nome próprio com Uptown Special. O britânico junta estrelas e anónimos para uma peça que adiciona sons vintage às mais modernas técnicas da pop autocolante do séc. XXI.

Inegavelmente funk, é um disco com swing que não demora a empurrar-nos para aquela dancinha cool com direito a gingado de anca. Disso é exemplo Feel Right, a faixa rap com algumas palavras proibidas na voz negra de Mystikal, que sucede a Summer Breaking e Uptown’s First Finale, faixas inaugurais que nos oferecem um aquecimento demorado algures num bar dos anos 70. Tudo com o patrocínio e beneplácito de Stevie Wonder e a sua harmónica.

Uptown Funk, primeiro single do álbum, leva Bruno Mars a sítios onde nunca esteve na sua carreira individual. É festiva, mas tem alma, é um hit instantâneo, mas não é enjoativa. Tudo ao contrário daquilo que Mars costuma fazer. Ainda estamos no início, mas este disco já tem aqui uma prova de talento e génio.

http://youtu.be/OPf0YbXqDm0

A bola de espelhos continua a rodar para abrir a pista para Keyone Starr, a desconhecida filha de um reverendo que nos faz lembrar os bons momentos de Diana Ross ou Donna Summer. I Can’t Lose é barulhenta e feroz em tudo o que isso tem de bom. Por soar antiga, mas ser nova, dá-nos a certeza de que, na pista de dança, há truques musicais que saem sempre vencedores.

Kevin Parker, dos Tame Impala, regressa para mais um interlúdio groovy em Daffodils, que junta tensão e sintetizadores à voz crua do australiano. Crack in the Pearl, com Andrew Wyatt, é uma clara homenagem e uma balada à la Stevie Wonder. Serve para começar a abrandar o ritmo antes de In Case of Fire, música surgida para apagar qualquer entusiasmo. Esta, apesar de se manter coerente ao estilo do registo, encaminha-nos para um tédio crescente que desemboca em Leaving los Feliz, mais uma faixa assinada por Kevin Parker. Relaxada e éterea q.b., chega para tentar ressuscitar-nos do tema anterior, mas apesar de subir um bocadinho o nível, acaba por soar a filler no meio de um álbum com tanta star quality.

Na ponta final do novo trabalho de Ronson, Andrew Wyatt volta a ser uma espécie de Stevie Wonder de trazer por casa. Temos a certeza que Heavy and Rolling ficaria confortável na discografia da lenda da soul, e também é sem dificuldade que se estende nos nossos ouvidos e naquele balançarzinho que volta, de forma matreira, a alojar-se nos nossos quadris.

Em Crack in the Pearl II, Stevie Wonder vem mesmo dar voz ao manifesto e regressa com a harmónica. Rolam os créditos finais e aproximamo-nos dos 80s numa série passada ali para os lados da Flórida, com um descapotável, sol e cabelos esvoaçantes. Um encerramento nobre, e sonoro, para um disco que, não sendo perfeito, é um tributo à música verdadeira, feita de instrumentos e sensações.

O melhor: É consistente, coerente e tem momentos de inegável brilhantismo. Uptown Funk e I Can’t Lose saltaram diretamente para as minhas playlists do Spotify.

O pior: Não abusemos do relax dos 70s. Às vezes ficou tudo tão lento que dava quase para ir fazer um xixizinho e voltar.

Nota final: 7,5/10

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