5 grandes surpresas nos nomeados dos Oscars 2015

5 grandes surpresas nos nomeados aos Oscars 2015

Quem é que nos últimos dias não pronunciou uma única vez a palavra Oscar? Os nomeados para os prémios da Academia foram conhecidos e desde aí muitos se pronunciaram acerca dos prémios mais importantes de Hollywood. Este ano foi um dos mais imprevisíveis de sempre na lista de indicações.

Infelizmente, esse cariz surpreendente traduziu-se em escolhas pouco felizes dos membros da Academia, com omissões inadmissíveis e alguma falta de coerência no momento da escolha dos filmes que iriam figurar nas 24 categorias. Houve, obviamente, boas surpresas, e alguns cineastas ter-se-ão sentido inclusive satisfeitos ao verem as suas obras prendadas com tantas nomeações. Mas vamos por partes.

Onde está o/a…?

Deixaram o Lego de fora! Mas não tiveram infância ou quê?” “Hey, então e o Ralph Fiennes e o Jake Gyllenhaal-qualquer coisa?” “A rapariga dos Friends pelos vistos não tem muitos amigos na Academia.” “Se vires por aí alguma mulher, diz que perguntámos por elas!” Estas foram algumas das muitas reações do público a algumas das omissões mais significativas em algumas categorias, especialmente naquelas que premeiam as melhores interpretações do ano.

Só na lista de Melhores Atores Principais saltam logo à vista as ausências de Ralph Fiennes e Jake Gyllenhaal, que em 2014, nos filmes Grand Budapest Hotel e Nightcrawler, respetivamente, se destacaram com performances muito diferentes uma da outra mas igualmente impressionantes, tendo sido já premiados e nomeados por diversas vezes nesta Award Season. Também na categoria feminina de interpretação, Jennifer Aniston aparece surpreendentemente fora da lista, num ano em que parecia lançada para ganhar um novo respeito na 7.ª arte. Nem Amy Adams, quatro dias depois de ter vencido o Globo de Ouro de Melhor Atriz numa Comédia, convenceu a Academia.

Por falar em mulheres: Ava DuVernay (realizadora de Selma) e Gillian Flynn (argumentistas de Em Parte Incerta). Dizem-vos algo? À Academia pelos vistos não, o que a levou a deixar de fora duas das melhores cineastas femininas de 2014, algo que gerou quase tanto descontentamento quanto a falta de nomeados negros nas categorias de melhores atores e atrizes de 2014 (há 19 anos que não havia apenas brancos indicados). Até olhando para os Melhores Filmes de Animação (a categoria onde menos se esperaria polémica) deparamo-nos com algo estranho. Onde está Filme Lego?

oscar

Mais vale um pássaro na mão…

Se há aqueles que se podem queixar de terem sido esquecidos pela Academia, também há os que se podem mostrar insatisfeitos por terem sido nomeados… tão minimamente.

Pegando em dois filmes que até o Espalha-Factos apostava como favoritos às nomeações. Interstellar somou 5 indicações. Nada mau. Mas olhando bem só vemos o título desta excelente fita de ficção científica (quiçá até melhor que Gravidade, o grande vencedor da última edição dos Oscars) nas categorias técnicas. O talento de Nolan como realizador continua a ser desprezado, a fotografia do filme foi estranhamente ignorada e Interstellar acabou por ficar fora da corrida à estatueta de Melhor Filme, algo que era dado como certo. Já Vício Intrínseco passou completamente despercebido no anúncio das nomeações. Aquele que se suponha ser um dos grandes favoritos pelo menos no que toca às interpretações só somou duas indicações: Melhor Argumento e Melhor Guarda-Roupa.

Também Em Parte Incerta, a já referida Gillian Flynn e o próprio David Fincher terão-se sentido injustiçados, ou pelo menos hão de estar gratos a Rosamund Pike por ter colocado o nome  de um dos melhores filmes de 2014 entre os nomeados. E Nightcrawler, uma das críticas mais afiadas aos media que vimos nos últimos tempos, também deve estar agradecido ao argumentista Dan Gilroy, que levará o bom nome do filme à cerimónia, mesmo quando este podia estar em tantas outras categorias.

Sniper Americano ou (A Inesperada Incoerência da Academia)

thriller de guerra de Clint Eastwood merece aqui um destaque particular pois é o símbolo máximo das surpreendentes escolhas da Academia para o leque de nomeados desta edição dos Oscars.

Sniper Americano é um verdadeiro outsider. Muitos sabiam da sua existência mas nunca associaram o seu nome a esta Award Season. E não é para menos: até à última quinta-feira contabilizavam-se poucas distinções, zero nomeações para os Globos de Ouro e um lançamento limitado pelos EUA. Lançamento esse que foi alcançado através de muito esforço de Eastwood, que conseguiu convencer a distribuidora do filme a estrear o seu trabalho na última semana de 2014. Esforço recompensado. De repente, o anonimato de Sniper Americano transformou-se em 6 nomeações, incluindo Melhor Filme e uma contestada indicação de Melhor Ator para Bradley Cooper.

No entanto, Clint Eastwood não foi prendado com uma presença na lista de Melhores Realizadores, o que nos leva a outro ponto de discussão: muita incoerência por parte da Academia na escolha dos nomeados. Bennett Miller é um dos cinco melhores realizadores do ano, mas o seu Foxcatcher não é um dos oito melhores filmes? Selma é considerado uma das melhores longas-metragens, mas à parte disso só soma mais uma nomeação para Melhor Canção OriginalWhiplash nomeado para Melhor Argumento Adaptado quando o seu argumento foi escrito de raiz (embora vagamente inspirado numa curta-metragem do realizador)? Se havia algo de que a Academia ainda se podia orgulhar era do rigor com que distribuía os melhores pelas várias categorias, mas este ano decidiu espantar todos e elaborar uma lista um pouco nonsense.

Boas surpresas

No meio de muita contestação e desagrado, surgem também nomeados que ninguém estava à espera mas que acabam por agradar bastante.

Marion Cotillard, uma das mais brilhantes atrizes da última década, conseguiu com Dois Dias, Uma Noite a sua segunda nomeação para o Oscar (num ano em que esteve igualmente brilhante em A Imigrante), o que acaba por justificar e bem a ausência de Jennifer Aniston. E no meio da desilusão que foi ver O Filme Lego fora das Melhores Animações acaba por ser agradável ver filmes como Song of the Sea e The Tale of the Princess Kaguya a ocupar o seu lugar, oferecendo assim mais diversidade a uma categoria normalmente dominada pela Disney.

Ida, de longe o filme europeu mais reconhecido da temporada, conseguiu levar o velho continente além da nomeação de Melhor Filme Estrangeiro e figurou, mais do que merecidamente, entre as cinco melhores fotografias de 2014. Já Invencível, de Angelina Jolie, somou três indicações, o que prova que a atriz se está a afirmar como realizadora (mesmo que não seja dela o mérito das nomeações da dita fita). E claro, não podiam faltar as nomeações aos blockbusters nos efeitos visuais, com principal destaque para Guardiões da Galáxia, um dos mais criativos e divertidos dentro do género, que viu distinguida a sua excelente caraterização.

Um travo a justiça

Por fim, há que admitir que, se cometeu muitas injustiças, a Academia também compensou alguns dos seus erros do passado, ao distinguir (e bem!) dois grandes realizadores que já haviam dado provas de talento desde os seus primeiros trabalhos mas que iam sendo postos de parte quando chegava a hora de serem premiados: Wes AndersonAlejandro González Iñárritu.

O primeiro alcançou com Grand Budapest Hotel o mesmo número de nomeações para os Oscars que havia conquistado até aí com sete excelentes obras, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Original. Já o segundo, embora já tivesse sido nomeado com Babel para Melhor Filme e Melhor Realizador, é daqueles onde todo o reconhecimento parece pouco, portanto é mais justo ver o seu Birdman como filme mais indicado, ex aequo com… Grand Budapest Hotel.

E, se tudo correr como previsto, será Boyhood que levará para casa a estatueta de Melhor Filme. Esta é, portanto, a maior surpresa de todas. A Academia, conhecida por atribuir os seus Oscars às obras menos importantes, está a dar finalmente destaque maior a filmes que o merecem, que serão lembrados daqui por muitos anos, o que não tem acontecido nas últimas décadas. Vale a pena, por isso, ignorar por momentos as escolhas mais inexplicáveis deste ano e congratular alguns dos verdadeiros grandes exemplos daquilo que se faz de melhor em Cinema. Eles que vão marcar presença na cerimónia de 22 de fevereiro.

A rubrica 5, iniciada em fevereiro de 2014, pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de quinze em quinze dias. O tema varia em todos os artigos e a abrangência do mesmo é quase inesgotável.

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
5 para a meia-noite
‘5 para a meia-noite’ vai continuar, mesmo sem Filomena Cautela